Título Original: Wolf Hall (#1 Wolf Hall)
Autor: Hilary Mantel
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 661
Sinopse
Inglaterra, década de
1520. Henrique VIII está no trono, mas não tem herdeiros. O cardeal
Wolsey é o conselheiro do rei encarregue de obter o divórcio que o papa
recusa conceder. Neste ambiente de desconfiança e necessidade aparece
Thomas Cromwell, primeiro como secretário de Wolsey, e depois como seu
sucessor. Cromwell é um homem muito original: filho de um ferreiro
bruto, é um génio da política, um subornador, um galanteador, um
arrivista, um homem com uma habilidade incrível para manipular pessoas e
aproveitar ocasiões. Implacável na procura dos seus próprios
interesses, Cromwell é tão ambicioso nos seus objectivos políticos como
nos seus objectivos pessoais. O seu plano de reformas é implementado
perante um parlamento que apenas zela pelos seus interesses e um rei que
flutua entre paixões românticas e fúrias brutais.
De uma das melhores escritoras contemporâneas, Wolf Hall explora a intersecção de psicologia individual com objectivos políticos. Com uma grande variedade de personagens e uma rica sucessão de incidentes, recua na história para nos mostrar a Inglaterra dos Tudor como uma sociedade em formação, que se molda a si própria com grande paixão, sofrimento e coragem.
De uma das melhores escritoras contemporâneas, Wolf Hall explora a intersecção de psicologia individual com objectivos políticos. Com uma grande variedade de personagens e uma rica sucessão de incidentes, recua na história para nos mostrar a Inglaterra dos Tudor como uma sociedade em formação, que se molda a si própria com grande paixão, sofrimento e coragem.
Vencedora de inúmeros prémios, Hilary Mantel tem uma
carreira com mais de 20 anos enquanto escritora, onde semeou sucessos e ganhou
um lugar de respeito enquanto escritora contemporânea. Já se estreou em
diversos géneros, sempre com qualidade, desde artigos a autobiografia, passando
por romances históricos.
Depois de ter pisado o palco da Revolução Francesa, Mantel
dedicou-se a corte Tudor, um dos assuntos preferidos dos escritores do género. Wolf Hall venceu o 2009 Man Booker Prize
for Fiction, entre outros, tendo vencido 5 prémios de literatura ao todo. Um
romance histórico psicológico que remete para a cena política do reinado de
Henrique VIII e para a ascensão de Thomas Cromwell, no que é que este livro
difere dos outros tantos que povoam as livrarias e que esmiuçam bocado a bocado
dos Tudor?
Eu adoro tudo o que tenha a ver com a corte Tudor, principalmente
se tiver verdadeiro conteúdo histórico, e se for daquele que a maior parte dos
livros não fala. As 600 e tal páginas de Wolf
Hall prometiam isso mesmo, pela visão de um dos homens mais importantes do
reinado do malfadado pai de Elizabeth I, e cumpre todas as expectativas.
Numa conjuntura completa da política inglesa e da sua visão
da restante Europa, podemos acompanhar todos os acontecimentos importantes da
ruptura de Inglaterra com a Igreja Católica, ao crescer da economia banqueira e
a forma como luteranos e calvinistas começam a tomar posição na cena religiosa
e política, numa posição privilegiada onde pormenor algum é descurado e em que
toda a informação e factos nos são dados de forma verosímil e realista.
A escrita de Mantel não é fácil mas é de uma qualidade de
envergonhar muito bons escritores. A leitura deste livro pode ser lenta mas é
com um apetite crescente que lemos cada página e mesmo conhecendo todos os
acontecimentos e a forma como se deram, não conseguimos que a curiosidade nos
deixe de assolar e de ler cada página como se a última. Uma obra-prima entre
todos os livros que falam do assunto, este é o livro que qualquer amante da literatura
ou da História deve e vai querer ler.
A autora construi as personagens de uma forma real,
respeitando a personagem histórica na sua versão ficcional, sendo soberba a
forma como nos apresenta a verdade e a ficção, numa conjugação única onde
poucos são os erros a apontar. Dando a conhecer a história de Henrique VIII e
da subida ao poder dos Bolena pela visão de um homem que tão pouco se tem
falado nos romances dedicados ao tema, dá a oportunidade ao seu leitor de
voltar a conhecer um dos reinados mais influentes de Inglaterra e torna esta
leitura algo único, conseguindo com que esqueçamos todas as outras histórias
que já lemos.
Neste livro não há bons nem maus, culpados ou inocentes, há
um panorama e as decisões possíveis de tomar, correctas ou não, e a forma como
cada um lidou com o seu destino e com o do país. Com um respeito magnânimo à
História, este é o Santo Graal dos apaixonados pelos Tudor, pela versatilidade,
por cada acção ser um conhecimento digno de ser absorvido pela nossa mente.
Podemos aprender e divertir-nos a ler este livro, podemos observar cada momento
com um novo olhar pois tudo o que levou a ele está justificado, possível de ser
entendido. Mantel não toma lados mas dá-nos a História como ela foi da
perspectiva de um homem que tudo fez para acabar a ser executado de uma forma
cruel. Podemos sentir pena, raiva, ou deixar-nos levar por esta leitura
viciante mas nada nos vai deixar indiferente.
Ao deixar a História correr com naturalidade, a autora
garantiu um lugar no top dos bons escritores de romances históricos e penso que
tudo o que venha da sua mão será uma grande obra. Um livro magnífico que me assombrou
e me faz salivar pela sua continuação. Amantes da corte Tudor ou não, não
deixem de ler este livro.
7*




















