segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Opinião - Divergente

Título Original: Divergent (#1 Divergent)
Autor: Veronica Roth
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 352

Sinopse
 Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.

Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.

Opinião 
 Depois do sucesso da trilogia Os Jogos da Fome, as distopias chegaram para marcar um lugar sólido nas estantes de vários leitores. Divergente é o herdeiro mais directo desta nova vaga e a sua publicação foi um sucesso. Saído da mente de uma jovem estudante de Escrita Criativa, é já um sucesso nos mais de 15 países onde foi publicado e hoje Veronica é escritora a tempo inteiro estando neste momento a preparar o terceiro volume da série que saíra no Outono de 2013.

Nascida em Chicago, cidade onde se desenrola a acção de Divergente, Veronica viu o seu primeiro livro receber os prémios Katherine Tegen Books de 2011, o Favorite Book of 2011 e Best Young Adult Fantasy&Science Fiction 2011 do Goodreads, entre outros, tendo o livro recebido opiniões entusiasmantes da parte dos seus leitores.
Este livro estava na lista dos que eu quero muito comprar devido as comparações entre este livro e a trilogia Os Jogos da Fome que adorei mas acabei por o ler através do Clube Blog-Ring uma vez que a oportunidade surgiu. Também em mim este género de livro tem suscitado uma grande atenção, muito devido a forma como estas recentes autoras têm apresentando as suas distopias.
Divergente toca de uma forma muito parecida aos livros de Suzanne Collins, emergindo sobre os mesmos temas da falta de liberdade, controlo dos órgãos de poder, divisão acentuada de classes e a soberania da lei do mais forte. Ao escolher também uma rapariga que marca pela mesma personalidade rebelde e lutadora de Katniss, Veronica podia estar a chegar perto da cópia mas as semelhanças terminam aqui. A sociedade desta Chicago do futuro está dividida de uma forma mais linear, que prende o cidadão a uma única qualidade ou característica, criando não uma sociedade mas quatro que convivem entre si, nem sempre da melhor forma.
O que a autora nos apresenta é a decadência dessa forma de governo, os seus segredos e tiranias por trás de uma aparência não tão clara como seria suposto, e apresenta-nos Tris como a evolução ou solução dessa sociedade que apresenta em si um pouco de algumas facções, apresentando um perigo para essa sociedade ideal onde o cidadão não pensa e deve cingir-se a posição que cada facção guarda para si. Encontrámos portanto uma crítica a sociedade, uma visão quase perfeita que falha pela ambição de alguns dos seus membros e que poderá ser solucionada pela união das características de todas as facções. Divergente é, então, um grito pela individualidade própria, pelas decisões pessoais e uma amostra de que não se pode considerar o ser humano igual e que todas as diferenças são necessárias à sobrevivência e entendimento.
Transmitir algo tão forte num livro juvenil é arriscado e pode tal mensagem passar despercebida pelas crises e amores de uma jovem de 16 anos que, por mais forte que seja, também detém o direito aos seus medos de miúda e, daí, talvez não. A perda da juventude, das brincadeiras e graçolas pode afectar gerações como mais nada o pode fazer e, apesar da jovem vida de Tris, este é um alerta que em determinadas conjunturas a idade pode pouco importar. Este livro acaba por carregar em sim uma mensagem política e social mais forte do que aparenta a primeira vista.
Apesar de tudo isto poder ser absorvido neste livro, a autora dedicou-se em demasia ao romance da história e podia ter passado mais deixando a protagonista longe de tais condicionantes ou podia ter transmitido esse romance de uma forma mais chegada à maneira como nos apresenta Tris, acabando esta por ter falhas e disparidades na personalidade, que de alguma forma incoerente, consegue mesmo assim tornar o leitor seu companheiro e faz com que este a aceite melhor. As restantes personagens são mistérios que prometem ser desvendados e que passarão da clareza à profundidade, se a autora conseguir manter o ritmo da história, podendo tudo alterar-se no segundo volume.
De resto, é uma narrativa bem construída, uma leitura viciante que absorve o leitor e o deixa a desejar por mais. A escrita de Veronica é directa, crua, sem grandes malabarismos mas com um sentido de “preto no branco”, absorvendo através das emoções mais elementares aqueles que pegam no seu livro. Consegue, ainda, distanciar-se da trilogia de Collins e criar algo próprio que fará muitos dos seus leitores pensarem um pouco para lá da história entrelinhas.
Uma leitura revigorante que nos faz desejar que toda a YA fosse mais assim e, sem dúvida, um calmante para os fãs de Jogos da Fome que ansiavam por algo do género. Espero que o segundo volume seja muito melhor.

4* Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

Opinião - Tatuagem

Título Original: Ink Exchange (#2 Wicked Lovely)
Autor: Melissa Marr
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 272

Sinopse
 Leslie, de dezassete anos, não sabe nada sobre fadas nem
sobre as suas lutas obscuras pelo poder. Quando se sente
atraída por uma tatuagem estranhamente bela, só sabe que tem de a ter, convencendo-se de ter encontrado um símbolo tangível das mudanças de que precisa desesperadamente na sua vida. A tatuagem traz mesmo mudanças - não do tipo que Leslie sonhou, mas mudanças sinistras e irresistíveis, que ligam Leslie a Irial, um rei das fadas tenebroso e temível que luta pela alma da sua corte. Aos poucos, Leslie é arrastada cada vez mais para dentro do mundo feérico, incapaz de resistir ao seu fascínio e de compreender os seus perigos... Melissa Marr dá seguimento aos seus contos de Fadas numa história sombria e arrebatadora de tentação e consequências, e de heroísmo quando menos se espera.

Opinião 
 Multifacetada na carreira, Melissa Marr foi professora de Literatura, empregada num bar de motards, tatuadora e ainda trabalhou numa escavação arqueológica. Já viveu em vários estados e considera que tudo o que fez é pesquisa para os seus livros. Depois de ter crescido a acreditar em fadas, fantasmas e outras criaturas, decidiu aplicar os seus conhecimentos sobre o folclore na sua escrita aliada ao mundo que sempre a fascinou.

Escreveu Wicked Lovely e agora é escritora a tempo inteiro. Uma das precedentes do romance paranormal YA, Melissa decidiu dar vida aos contos de fadas de uma forma moderna e obscura onde as fadas vivem lado a lado com os seres humanos e não são nada de fiar.
Há dois anos atrás, quando Amores Rebeldes foi publicado, o factor fadas levou-me a comprar o livro e a lê-lo num ápice. Uma leitura fácil e diferente no género mas que não me levou a seguir a série. Apesar de ter-me sentido atraída pela sinopse deste Tatuagem, algo na leitura anterior me impediu de o comprar, e com tantos livros que tenho descoberto, Wicked Lovely ficou perdida na minha memória até que através de uma troca, me vi com o segundo volume na mão.
Lembro-me que uma das coisas que gostei na altura foi as fadas não serem boazinhas e de não haver romance em demasia e que a protagonista não tivesse de ficar com o mais belo e perfeito mas a caracterização das Cortes feéricas pareceu-me fraca na altura. Com este livro, a autora incidiu sobre a Corte pela qual me sentia mais curiosa, a das Trevas que me parecia ter mais material interessante do que a do Verão e, sobre o significado e a força de uma tatuagem sobre a pessoa que a coloca na pele. As ideias da autora são interessantes e, até certo ponto, até bem conseguidas, o que dá um equilíbrio a narrativa contudo não posso deixar de pensar que autora podia ter ultrapassado mais barreiras, que a narrativa podia ser mais obscura e as personagens mais fortes. Por mais que tenha tentado sair da doçura e delicadeza associada as fadas, Wicked Lovely, pelo menos nestes dois volumes, ainda está muito presa a essa ideia, o que sufoca a originalidade das suas fadas.
Tatuagem, mesmo assim, consegue ser um livro mais bem conseguido, talvez por incidir na parte mais cruel deste mundo e, assim, ter inerente algumas novidades que tornam a leitura deste segundo volume mais apelativa. Mais cruel e deprimente, as personagens deste segundo volume têm uma profundidade que no primeiro não encontrámos, talvez por serem membros das Trevas e terem de ter alguma negritude associada a elas. Apesar disso, não me senti satisfeita com a história pois a autora podia ter aproveitado para sair da área mais romântica e juvenil mas decidiu a mesma implicar um triângulo amoroso que só veio estragar a concepção deste livro. Se se tivesse mantido pela área negra, aprofundando-a, teria conseguido uma narrativa mais forte e atractiva e, o que acontece, é que após esta leitura senti o mesmo vazio de quando terminei o primeiro volume.
Esta não é uma série complexa nem tem uma escrita demasiado complicada ou juvenil, até é bastante directa e tenta fugir aos cânones do actual romance paranormal YA mas falto algo que leva a que estes livros não tenham tantos fãs e a mim parece-me que o que falta é verdadeira emoção. A sensação é de que não sentimos nada, não há nada que salte cá para fora e nos puxe para a história pois mesmo que estas personagens fossem mais ao meu gosto acabaram por se tornar um pouco indiferentes ao longo de leitura quando eu queria sentir com elas e não conseguia.
Não que eu não tenha gostado do livro, gostei mas queria muito mais do que ele realmente me deu. Infelizmente voltei a não me sentir tentada a seguir o resto da série pois enquanto leitora preciso de mais do que este livro me deu. Gosto do conceito mas continua a faltar qualquer coisa que não me permite gostar tanto do livro quanto queria.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Opinião - As Cinquenta Sombras de Grey

Título Original: Fifty Shades of Grey (#1 Fifty Shades of Grey)
Autor: E. L. James
Editora: Lua de Papel
Número de Páginas: 552

Sinopse
 As Cinquenta Sombras de Grey é um romance obsessivo, viciante e que fica na nossa memória para sempre. Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo para um jornal universitário. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, sombrio, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta – os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor? As Cinquenta Sombras de Grey é o primeiro volume da trilogia de E.L. James que é já o maior fenómeno literário do ano em todos os países onde foi publicada, da Austrália aos Estados Unidos, da Inglaterra à Nova Zelândia.

Opinião 
 Mãe de dois filhos, esposa e a trabalhar na televisão, E. L. James está na boca do mundo desde que a sua fanfic da saga Luz e Escuridão foi publicada em livro, estando a trilogia completa e um quarto livro a caminho. As Cinquenta Sombras de Grey é um fenómeno literário desde o seu lançamento no ano passado, desde mães a jovens fãs da obra de Stephanie Meyer, este livro não tem deixado ninguém indiferente, oscilando entre o amor e o ódio dos leitores. Aqui em Portugal, o primeiro livro já vai na quinta edição e o segundo será lançado em Outubro.

Chocante para uns, atractivo para outros, já foi traduzido em 37 línguas, é bestseller na maioria dos países e já vendeu mais de 40 milhões de cópias por todo o mundo, detendo o recorde de vendas mais rápidas de sempre, ultrapassando Harry Potter. Graças a este sucesso literário, E. L. James foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do ano.
Este livro não estava na minha wishlist pela simples razão de ser uma fanfic da saga da Stephanie Meyer e pelas péssimas opiniões que li de pessoas com quem partilho gostos literários mas, como gosto de ter a minha própria opinião e gosto de saber do que falo e, até tem havido excelentes opiniões, a minha curiosidade levou a melhor e o livro lá veio cá para casa, mesmo tendo esperado algum tempo para ser lido.
A verdade, é que há muito que eu devia ter aprendido a seguir o meu instinto, portanto, devia ter fugido deste livro a sete pés em vez de lhe dar uma oportunidade, que sinceramente ele não merece. Não por o livro ser chocante, não por as cenas de BDSM serem muito fortes mas porque, pura e simplesmente, E. L. James não sabe escrever livros. A escrita da autora é má, simplória, pouco atractiva e choca mais pela falta de qualidade do que pelas cenas sexuais. Ler este livro foi, para mim, uma perda de tempo, dinheiro e uma lição a aprender sobre as minhas compras e instintos. Até escrever a opinião dele, me parece uma perda de tempo mas já que o li há que justificar as minhas impressões.
Para além de uma escrita fraca, as personagens da autora, e falo de Anna e Grey porque as outras estão lá apenas para preencher páginas e não têm qualquer objectivo no livro, são daquelas personagens que a minha mente não esquecerá de tão más que são. Continuo sem perceber como é que uma moça licenciada, que lê e supostamente é culta consegue ser tão nada. Anna não tem personalidade, força de vontade, humor, nem sequer dá pena, é apenas irritante, sem sal, aborrecida e consegue destruir a nossa paciência numa única fala. Se a ideia era ter uma Bella, acho que a autora conseguiu ultrapassá-la. Anna é ainda mais vazia, é uma personagem que não foi construída, é bidimensional, é um protótipo e mais ela não merece da minha parte. Quanto a Grey, é o típico cúmulo a que um homem pode chegar e de atractivo, sensual tem pouco. Perseguidor, obsessivo, controlador, irritante, é o tipo que não quero de certeza à minha porta e, peço desculpa, mas não consigo sentir mais do que uma fúria imensa por esta personagem na qual a autora depositou toda a sua energia.
Esta história não tem alicerces, seguimento, construção, não foi sequer pensada, é uma algaraviada de pensamentos e cenas parvas e enjoativas. Quanto ao BDSM do livro, não o achei chocante pelo assunto em si mas porque estas devem ter sido as piores cenas de sexo que alguma vez li. Chocante não é a cena do tampão, é sim a forma como a escritora apresenta a relação dos protagonistas, a forma como este livro apresenta o sexo, a forma como as coisas mais ignóbeis são apresentadas como normais. Já o BDSM, deve ter sido a única coisa menos chocante de tão suave que foi.
Por último, e não podia deixar este assunto sem comentário, a vozinha da deusa interior da Anna consegue ser ainda mais idiota que ela. Não quero nem vou tentar perceber qual foi a ideia ao colocar este “acessório” na narrativa porque conseguia ser mais irritante do que tudo o resto junto. Ridículo, não chega para adjectivar a suposta consciência da Anna, e é engraçado porque sem esta parte, possivelmente o livro teria menos partes nulas porque ainda estou para perceber porque era preciso 500 páginas para isto.
Como já devem ter percebido, eu fiquei na facção dos que odiou e espera nunca mais olhar para este livro. Se gostarem, força leiam mas ninguém me convence a voltar a olhar para isto nem como é possível isto já ter vendido tanto. Eu dispenso.

1*

Aquisições *AGOSTO*

Num mês onde a maior parte do dinheiro foi para as férias, foram poucos os livros que chegaram a estante mas todos eles já estavam na minha wishlist a muito tempo, só por isso, este já foi um bom mês. Graças as leituras do Clube BlogRing e à biblioteca pude ler livros à muito esperados e não tive necessidade de comprar tantos este mês.
Deixo-vos as poucas mas muito aguardadas aquisições de Agosto.

Compras


Agnes Grey Anne Brönte
North and South Elizabeth Gaskell 
 

Julieta Anne Fortier
 
Steampunk Poe


Trocas


A Mão Esquerda das Trevas Ursula K. Le Guin

Oferta


Paixões Secretas Anna Godbersen
(obrigada Liliana!!)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Opinião - O Regresso

Título Original: The Return
Autor: Victoria Hislop
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 460

Sinopse
 Cativante e profundamente comovente, o segundo romance de Victoria Hislop é tão inspirador como o seu romance de estreia e bestseller internacional, A Ilha.

Nas ruas calcetadas de Granada, sob as majestosas torres do Alhambra, ecoam música e segredos. Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma colecção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola.
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói.

Opinião 
 Traduzida para mais de vinte línguas, Victoria Hislop já conquistou um lugar no coração dos seus leitores, amantes de romances históricos. Vencedora de prémios como o Newcomer of the Year at the Galaxy British Book Awards 2007 e o Richard & Judy Summer Read competition, Victoria já escreveu três livros de sucesso, sendo um deles este O Regresso, número um nos bestsellers do Sunday Times. Antes de ser escritora, a autora trabalhou na publicação e como relações públicas e jornalista.

Uma das autoras preferidas dos leitores portugueses, Hislop é uma das grandes apostas da Civilização e com apenas três romances tem granjeado elogios até mais não. Como curiosa e leitora que sou e, confesso, uma grande apreciadora das capas dos livros da senhora, tive de trazer este da biblioteca para perceber se tudo o que se dizia sobre os seus livros era verdade ou não. Entre o passado e o presente, este livro remete-nos para os factos não muito longínquos de uma época aterrorizadora da qual se tem vindo, pouco a pouco, a descobrir mais coisas, entrelaçando-a com uma história do presente sobre descobertas pessoais, transformações e decisões importantes.
Com um início calmo onde pouco antecipa o desenrolar que a história terá, este livro marca pelo desenvolvimento que a autora lhe dá no passado. Sónia, é a meu ver, um veículo para chegar ao verdadeiro cerne do livro, sendo ela a catalisadora das descobertas e do desenterrar de um passado que ainda marca as gerações que o viveram. Não consigo vê-la como a protagonista do livro, apesar de todas as suas questões pessoais, parece-me que toda a energia e paixão da autora foram para as outras personagens, e gostava que ela tivesse sido mais desenvolvida. Se o objectivo da escritora foi dar-nos uma ouvinte perfeita, que cresce e aprende com tudo o que ouve, Sónia foi perfeita para ouvir uma história com a qual tem mais ligação do que pensa.
Entre pequenas pistas que podem deixar adivinhar o que se segue, a autora consegue mesmo assim surpreender o leitor e puxá-lo para uma época de dores, paixões, obsessões, onde estar no Inferno se torna um eufemismo. Victoria tem uma escrita directa, límpida e apaixonada, que permite viver cada emoção como se tivéssemos passado por tudo o que nos descreve. Se a primeira história torna-nos receptivos para o que aí vem e nos faz simpatizar com Sónia, é o relato sobre a Guerra Civil Espanhola que nos prende e nos leva mais longe. A forma como as personagens são construídas faz-nos entendê-las, sofrer com elas e encontrar um pouco de nós em cada uma delas. Tal como na sua escrita, as suas personagens são transparentes, apaixonadas, lutadoras e idealistas, são ídolos ou heróis que podemos encontrar no mais simples ser humano.
O relato que conta a história de uma família dividida abafa por completo a de Sónia pois cada palavra, acontecimento ou expressão servem para nos fazer pensar, levar-nos a revolta, a fúria ou as lágrimas. Cada momento arrepia-nos, comove-nos, convence-nos ao espírito de rebelião ou faz com que a nossa mente queira esquecer. Cada dor, cada atrocidade serve para nos recordar que há coisas que não se podem repetir, que o Homem pode ser capaz de tudo por ideais, pelo poder, para ter razão. Este livro mudou algo em mim e recordou-me uma das razões porque foi que escolhi o rumo que estou a seguir, as gerações futuras não podem esquecer que males se fizeram, que o que temos hoje, temos a conta de sangue, lágrimas e muita força de espírito.
O Regresso é um relato brilhante que nos faz esquecer a ouvinte que ouve a história que mudará a sua vida, onde tudo o que importa são aqueles que nunca perderam a esperança, que lutaram e levantaram a cabeça e a usaram para sobreviver. Um livro que aconselho a todos pois este não é um romance mas uma lição de vida e uma recordação.

6*

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Picture Puzzle #24


Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover

Puzzle #1

Pistas: título em português



 Puzzle #2
  
Pistas: título em português



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Teaser Tuesday (35)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro



"Um a um, os condenados foram obrigados a ajoelhar em frente do hábito branco para ouvir a sentença. Noutras circunstâncias podia acontecer o perdão, ou quase. O sentenciado era então condenado às galés após receber umas chicotadas, mas daquela vez nenhum escapou."
p.96, Mataram a Rainha!, Juliette Benzoni 


Rubrica original do blog Should Be Reading

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uma Centena





Um ano e sete meses depois da criação do blogue chegámos finalmente ao redondo número de 100 seguidores!

Obrigada a todos os que tem acompanhado o crescimento do blogue, que leiam as opiniões, mesmo que não comentem, aqueles que lêem e comentam, que seguem as rubricas, que se riem com as parvoíces, que continuam a ler mesmo que não concordem. 

Obrigada pelo apoio,pelas mensagens que me deixam feliz, pelos elogios, pela ajuda, pelos esclarecimentos, nunca vos vou puder agradecer o suficiente!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Vou de Férias!

Parto hoje para uma semaninha de descanso, praia, convívio, treino de cozinha, gritaria e muita alegria da qual retorno domingo. Apesar de ter lá net é só um computador para 8 pessoas por isso virei, quando puder, apenas ver os e-mails e responder aos comentários e, talvez ao Goodreads se conseguir ler alguma coisa de jeito (é preciso deixarem-me!). Sintam-se a vontade para passar por aqui na mesma, e comentem se quiserem que prometo ir passando.

Quanto as leituras, vou levar apenas um livro pois não espero conseguir ler muito por lá. O Divergente já está na mala, tal como tudo o que preciso, espero eu! As malas estão feitas, o quarto arrumado e agora é esperar que a mãezinha chegue para um último almoço até ao meu regresso ;)

Por aqui, vai haver novidades para a semana, para além das três opiniões em atraso, estejam atentos!


Até para a semana!!


domingo, 19 de agosto de 2012

Opinião - Anna Karénina

Título Original: Анна Каренина
Autor: Lev Tolstoi
Editora: Relógio de Água
Número de Páginas: 846

Sinopse
 «Embora seja uma das maiores histórias de amor da literatura mundial, Anna Karénina não é apenas um romance de aventura. Verdadeiramente interessado por temas morais, Tolstoi era um eterno preocupado com questões que são importantes para a humanidade em todas as épocas. Bom, há uma questão moral em Anna Karénina, embora não aquela que o leitor habitual possa crer que seja. Esta moral não é certamente o ter cometido adultério, Anna pagou por isso (num sentido vago pode dizer-se que é esta a moral do final de Madame Bovary). Não é isto, seguramente, por razões óbvias: se Anna ficasse com Karenin e escondesse do mundo o seu affair, não pagaria por isso primeiro com a felicidade e depois com a própria vida. Anna não foi castigada pelo seu pecado (podia muito bem ter-se safado deste) nem por violar as convenções da sociedade, muito temporais como aliás são todas as convenções e sem ter nada a ver com as eternas exigências da moralidade. Qual era então a «mensagem» moral que Tolstoi queria passar neste romance? Entendemo-la melhor se olharmos o resto do livro e compararmos a história de Lévin e Kiti com a de Vronski e Anna. O casamento de Lévin é baseado num conceito metafísico, não apenas físico, do amor, na boa-vontade e no sacrifício, no respeito mútuo. A aliança Anna-Vronski é fundada apenas no amor carnal e é aqui que reside a sua ruína.»

Do Posfácio, de Vladimir Nabokov.

Opinião 
 Lev Tolstoy é considerado por muitos um paradoxo e uma das personalidades mais intrincadas da literatura. Um cristão anarquista fervoroso, foi na década de 70 do século XIX que o escritor teve uma crise moral e espiritual que o levou a tornar-se um reformista social e um pensador moral, tendo inspirado figuras como Gandhi ou Martin Luther King Jr. com as suas ideias de resistência pacífica.
Mas o escritor russo é principalmente conhecido como um dos maiores escritores do mundo, muito devido a dois dos seus romances, Guerra e Paz e Anna Kareninna, ambos considerados como o apogeu da ficção realista e dois dos maiores romances de todos os tempos. Enquanto o primeiro foi escrito em 1864, antes da crise espiritual do autor, o segundo vem já dos novos ideais que Tolstoy havia implementado na sua vida.
Guerra e Paz foi um dos livros que marcou a minha adolescência e é o principal culpado do meu fascínio pela história russa. Por mais livros que leia, poucos conseguem atingir a grandiosidade deste livro e Tolstoy é, para mim, um dos escritores mais brilhantes do seu tempo. Aproveitando a estreia iminente de mais uma adaptação cinematográfica de Anna Kareninna com uma das minhas actrizes preferidas e realizado pelo responsável de alguns dos meus filmes preferidos, decidi que estava na hora de regressar a este autor e de ler finalmente este livro.
A complexidade desta história, a quantidade de personagens e as relações entre elas levaram a um início de leitura mais calmo mas assim que entrei no ritmo, nunca mais consegui larga-lo. Anna Karénina é um livro que se entranha, que nos conquista palavra a palavra até se tornar um vício e, não é de espantar, que o tenha lido em três dias tal foi o meu entusiamo a lê-lo. Tolstoy é um mestre que puxa o leitor para cada situação que apresenta, que conhecia cada problemática da sua sociedade e para quem todas as questões eram importantes. Ele dá-nos a sua época e o seu mundo em cada expressão, ensina-nos a amar ou a odiar cada qualidade ou defeito desta sociedade a entrar em ebulição, que aproveita cada momento antes do fim próximo.
Entre amores adúlteros e sinceros, vícios e costumes, evolução e regressão, o autor dá-nos tão mais do que isso. Desde as questões filosóficas às sociais, desde a política à economia, cada nuance do que foi o Império Russo é nos apresentado ao pormenor para que o leitor conheça todas as facções e tire as suas próprias conclusões.
Intensa, intemporal, apaixonante, assim é a história de Anna Karénina, que combate a sociedade por amor mas que não sobreviverá aos mais cruéis medos humanos. Nela a humanidade está presente no seu estado mais cru, onde as paixões combatem as normas, onde a vontade não se livra do dever, fazendo-nos viver com Anna as suas dores, a sua felicidade e os seus temores de uma forma tão abrangente como poucas protagonistas conseguem.
As personagens de Tolstoy são complexas, únicas e são em si mesmas reflexos de opiniões, posições e problemas da sociedade russa do final do século XIX. Cada uma delas tem um objectivo, cada uma delas representa uma facção da teia que é uma sociedade. Umas representam o imperialismo, a corte, a alta nobreza, outras os latifundiários, os militares, os pensadores. Cada degrau do que compõe este mundo está presente neste livro para criticar, ensinar ou louvar os princípios da Rússia. Nenhuma personagem é perfeita. É humana, têm defeitos como toda a gente e tanto pudemos adorá-las num momento como podemos, noutro, detestá-las. Cada uma tem as suas ideias, cada uma complementa todas as outras e, é difícil, não ficarmos assoberbados com a beleza e grandiosidade do que Tolstoy criou neste livro.
Uma narrativa única, rica em pormenores sociais e morais, onde cada caminho irá levar ao seguinte, marcam este livro e tornam-no intemporal e magnífico. Uma epopeia familiar onde ninguém é descurado e onde todos são atingidos pela violência do amor de Anna e Vronsky, Anna Karénina é um ataque aos sentidos do leitor, a sua capacidade de aprendizagem e sede de palavras fortes, densas, onde a sátira e a crítica estão patentes de forma tão crua, onde um homem enaltece e ataca com uma perícia que poucos ou nenhuns detêm.
Um prazer para um leitor que anseia por algo mais, este livro é belo, intenso e merece o epíteto de um dos melhores de todos os tempos, pois livros assim já não se escrevem, espíritos destes ainda não se levantaram para abrir os olhos às massas. Daqueles livros que marcam e ficam entranhados para sempre, Anna Karénina é um monstro da literatura que merece estar na estante de todos os leitores.

7*