Autor: Jean-Louis Fetjaine
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 277
Sinopse
Há muito, muito tempo, mesmo antes de Merlin e do rei Artur, o mundo não era mais do que uma floresta sombria de carvalhos e faias, povoado de elfos e de raças estranhas, cuja memória se perdeu nos nossos dias.
Nesses tempos antigos, os elfos eram um povo poderoso e temido pelos homens, seres cheios de graça de pele azulada, que sabiam ainda dominar as forças obscuras da Natureza.
Este livro é uma narração das suas derradeiras horas, depois do encontro do cavaleiro Uter e de Lliane, rainha dos elfos, cuja beleza fascinava todos os que dela se aproximavam. A história de uma traição e da queda de todo um mundo, há muito esquecido, de um combate desesperado e de um amor impossível.
Numa Idade Média onde o maravilhoso ladeia a violência e a crueldade, este romance fabuloso, alimentado por uma imaginação inesgotável e um profundo conhecimento do mundo medieval, estabelece uma ligação entre o universo das lendas célticas, a fantasia e o ciclo arturiano.
Opinião
Considerado um dos grandes representantes da literatura
fantástica francesa, Jean-Louis Fetjaine é licenciado em História e Filosofia,
foi jornalista e tradutor e tem, actualmente, quatro séries publicadas: A Trilogia dos Elfos, Merlin, As Crónicas dos Elfos e As
Rainhas de Púrpura.
O primeiro volume da série Merlin, O Caminho de Merlin,
venceu em 2003 o prémio Imaginales du meilleur roman de fantasy mas foi
com o seu primeiro romance, este O
Crepúsculo dos Elfos, que o seu sucesso ficou consolidado. Entre as lendas
célticas, a fantasia e o ciclo arturiano, o autor tem conseguido criar obras de
grande impacto onde as fontes históricas não são esquecidas como a história
romana ou a corte merovíngia.
Tenho procurado as obras deste autor ao longo dos anos mas
devido aos preços e aos poucos exemplares que podem ser encontrados nas
livrarias, só através de uma troca, muito recentemente, é que tive acesso a
esta sua primeira trilogia que, entre os primórdios da história do rei Artur e
influências tolkenianas, tem um lugar bastante representativo na Fantasia.
Apesar de não ter, quer a magnitude, quer a intensidade da
obra de Tolkien, é fácil perceber porque é que fãs deste se deixam levar por
esta leitura. Num livro onde se sente as influências do chamado “pai da
fantasia épica” e onde o principal tema é o mais adorado por leitores de todo o
mundo, a história de Artur, a Távola Redonda e Merlin, o resultado só pode ser
o sucesso, até porque Fetjaine tem uma visão muito própria destes temas, que de
tão repetidos ao longo de décadas, se encontra, dificilmente, algo original.
Este primeiro volume tem uma premissa prometedora e um mundo
de aventuras a aguardar os seus leitores, onde perigos estão onde menos se
espera e as intrigas podem vir do mais inesperado dos lugares. A acção decorre
antes do nascimento de Artur, antes mesmo dos seus pais se unirem, num local
onde a magia e o sangue antigo ainda não estão esquecidos. Ao olharmos para os
povos que habitam este mundo, somos levados para o imaginário de Tolkien
misturado com as lendas celtas, e esta conjugação é o que agradará mais aos
leitores de ambos os tipos.
Numa junção perfeita entre influências, lendas e história,
Fetjaine tem uma escrita mágica, antiga e poderosa, tão própria dos autores do
seu tempo, que levará os seus leitores a percorrer estas páginas com a sensação
de estarem a ler algo tão puro quanto cruel, onde os valores antigos se
misturam com magia que ultrapassa o entendimento do simples ser humano. Não é
difícil deixar-nos arrebatar pelos diálogos cuidados e descrições que nos
permitem conhecer este mundo inspirado por uma época que ainda hoje inspira os
escritores, a chamada Idade Verde ou Idade Média, a mais propensa em lendas,
imaginação e crenças no fantástico, recheada de povos que ainda hoje vivem no
nosso imaginário.
Se a caracterização dos homens vai buscar muito a essa
época, a caracterização dos restantes povos é muito influenciada por Tolkien. Entre
os elfos, anões e orcs, estes não fogem muito aos que podemos ver no Senhor dos Anéis, mesmo que aqui eles
possam mais facilmente ser cruéis, instigadores e mais afastados da raça
humana, prestes a caírem em decadência neste mundo em mudança. O que torna a
leitura mais rica será a quantidade de hierarquias e histórias dentro desses
povos, que enchem as páginas de informação para melhor entendermos a história
que o autor criou.
Aqui não temos anéis mas também existem objectos que unem
estas raças e permitem a paz e um controlo equilibrado do mundo por eles,
estando entre esses objectos, um sobejamente conhecido pelos leitores de todo o
mundo. As lendas celtas e o ciclo arturiano são utilizados como pontos de
ligação, sendo este último o ponto central da narrativa e onde está a grande
inspiração. O autor coloca a lenda do rei Artur na época mais utilizada, apesar
de errada, sendo justificada exactamente por esta época ser mais rica e
promissora para este tipo de narrativa.
Por entre cenários de desolamento e cruéis criaturas,
lugares de uma beleza divina e de uma grande serenidade, conhecemos as nossas
personagens, que não foram em nada descoradas pelo escritor. Cheias de uma
ambiguidade que enaltece o bom e o mau em cada povo, cada uma delas é
imperfeita. Uns guerreiros, outros feiticeiros, outros ambos, uns com mente
mais arguta, outros mais brutos mas puros de coração, temos o típico elenco
deste tipo de narrativa, aquele que o leitor apreciará sem dúvida.
Numa demanda para salvar a paz, este é apenas o início da
aventura de um grupo peculiar que vos fará lembrar uma grande obra da fantasia.
Para os fãs de Tolkien, para os amantes da fantasia épica, para aqueles que
percorrem a história do rei Artur em todas as suas vertentes, este é o livro
para todos eles.
6*









