segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião - O Crepúsculo dos Elfos

Título Original: Le Crépuscule des Elfes (#1 La Trilogie des Elfes)
Autor: Jean-Louis Fetjaine
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 277

Sinopse
 Há muito, muito tempo, mesmo antes de Merlin e do rei Artur, o mundo não era mais do que uma floresta sombria de carvalhos e faias, povoado de elfos e de raças estranhas, cuja memória se perdeu nos nossos dias.
Nesses tempos antigos, os elfos eram um povo poderoso e temido pelos homens, seres cheios de graça de pele azulada, que sabiam ainda dominar as forças obscuras da Natureza.
Este livro é uma narração das suas derradeiras horas, depois do encontro do cavaleiro Uter e de Lliane, rainha dos elfos, cuja beleza fascinava todos os que dela se aproximavam. A história de uma traição e da queda de todo um mundo, há muito esquecido, de um combate desesperado e de um amor impossível.
Numa Idade Média onde o maravilhoso ladeia a violência e a crueldade, este romance fabuloso, alimentado por uma imaginação inesgotável e um profundo conhecimento do mundo medieval, estabelece uma ligação entre o universo das lendas célticas, a fantasia e o ciclo arturiano.


Opinião 


Considerado um dos grandes representantes da literatura fantástica francesa, Jean-Louis Fetjaine é licenciado em História e Filosofia, foi jornalista e tradutor e tem, actualmente, quatro séries publicadas: A Trilogia dos Elfos, Merlin, As Crónicas dos Elfos e As Rainhas de Púrpura.

O primeiro volume da série Merlin, O Caminho de Merlin, venceu em 2003 o prémio Imaginales du meilleur roman de fantasy mas foi com o seu primeiro romance, este O Crepúsculo dos Elfos, que o seu sucesso ficou consolidado. Entre as lendas célticas, a fantasia e o ciclo arturiano, o autor tem conseguido criar obras de grande impacto onde as fontes históricas não são esquecidas como a história romana ou a corte merovíngia.
Tenho procurado as obras deste autor ao longo dos anos mas devido aos preços e aos poucos exemplares que podem ser encontrados nas livrarias, só através de uma troca, muito recentemente, é que tive acesso a esta sua primeira trilogia que, entre os primórdios da história do rei Artur e influências tolkenianas, tem um lugar bastante representativo na Fantasia.
Apesar de não ter, quer a magnitude, quer a intensidade da obra de Tolkien, é fácil perceber porque é que fãs deste se deixam levar por esta leitura. Num livro onde se sente as influências do chamado “pai da fantasia épica” e onde o principal tema é o mais adorado por leitores de todo o mundo, a história de Artur, a Távola Redonda e Merlin, o resultado só pode ser o sucesso, até porque Fetjaine tem uma visão muito própria destes temas, que de tão repetidos ao longo de décadas, se encontra, dificilmente, algo original.
Este primeiro volume tem uma premissa prometedora e um mundo de aventuras a aguardar os seus leitores, onde perigos estão onde menos se espera e as intrigas podem vir do mais inesperado dos lugares. A acção decorre antes do nascimento de Artur, antes mesmo dos seus pais se unirem, num local onde a magia e o sangue antigo ainda não estão esquecidos. Ao olharmos para os povos que habitam este mundo, somos levados para o imaginário de Tolkien misturado com as lendas celtas, e esta conjugação é o que agradará mais aos leitores de ambos os tipos.
Numa junção perfeita entre influências, lendas e história, Fetjaine tem uma escrita mágica, antiga e poderosa, tão própria dos autores do seu tempo, que levará os seus leitores a percorrer estas páginas com a sensação de estarem a ler algo tão puro quanto cruel, onde os valores antigos se misturam com magia que ultrapassa o entendimento do simples ser humano. Não é difícil deixar-nos arrebatar pelos diálogos cuidados e descrições que nos permitem conhecer este mundo inspirado por uma época que ainda hoje inspira os escritores, a chamada Idade Verde ou Idade Média, a mais propensa em lendas, imaginação e crenças no fantástico, recheada de povos que ainda hoje vivem no nosso imaginário.
Se a caracterização dos homens vai buscar muito a essa época, a caracterização dos restantes povos é muito influenciada por Tolkien. Entre os elfos, anões e orcs, estes não fogem muito aos que podemos ver no Senhor dos Anéis, mesmo que aqui eles possam mais facilmente ser cruéis, instigadores e mais afastados da raça humana, prestes a caírem em decadência neste mundo em mudança. O que torna a leitura mais rica será a quantidade de hierarquias e histórias dentro desses povos, que enchem as páginas de informação para melhor entendermos a história que o autor criou.
Aqui não temos anéis mas também existem objectos que unem estas raças e permitem a paz e um controlo equilibrado do mundo por eles, estando entre esses objectos, um sobejamente conhecido pelos leitores de todo o mundo. As lendas celtas e o ciclo arturiano são utilizados como pontos de ligação, sendo este último o ponto central da narrativa e onde está a grande inspiração. O autor coloca a lenda do rei Artur na época mais utilizada, apesar de errada, sendo justificada exactamente por esta época ser mais rica e promissora para este tipo de narrativa.
Por entre cenários de desolamento e cruéis criaturas, lugares de uma beleza divina e de uma grande serenidade, conhecemos as nossas personagens, que não foram em nada descoradas pelo escritor. Cheias de uma ambiguidade que enaltece o bom e o mau em cada povo, cada uma delas é imperfeita. Uns guerreiros, outros feiticeiros, outros ambos, uns com mente mais arguta, outros mais brutos mas puros de coração, temos o típico elenco deste tipo de narrativa, aquele que o leitor apreciará sem dúvida.
Numa demanda para salvar a paz, este é apenas o início da aventura de um grupo peculiar que vos fará lembrar uma grande obra da fantasia. Para os fãs de Tolkien, para os amantes da fantasia épica, para aqueles que percorrem a história do rei Artur em todas as suas vertentes, este é o livro para todos eles. 

6*

domingo, 23 de setembro de 2012

Desafios Concluídos

Este ano tinha-me proposto a dois desafios:

- O Desafio Magia&História, criado por mim e pela Kel do A Rapariga dos Livros, que consistia em lermos 6 livros sobre História e outros 6 sobre Magia, que teve grande afluência dos restantes bloggers, desde já um grande obrigada por participarem desta iniciativa, e

- O  New Author Challenge 2012, originário do site Literary Escapism, e que eu encontrei no blog Pedacinho Literário, para o qual eu me propôs ler 25 novos autores.


Que estão, a 3 meses do final do ano, CONCLUÍDOS! 

Há algum tempo que não actualizava os posts dos desafios e hoje quando a minha mentezinha lá se lembrou desse facto, fiquei esterrecida com os resultados finais. Tradução: estou muito satisfeita.


Como podem ver nos posts consegui alcançar os objectivos e, até mesmo, ultrapassá-los:

- No Desafio Magia e História, li 20 livros da temática História e 25 da temática Magia, nada mal pois não?

- No New Author Challenge 2012 consegui ler 46 novos autores.


Com estes resultados satisfatórios posso dizer que estou orgulhosa de mim própria.


E, já estou a pensar num novo desafio, ou dois, ainda para este ano... 

Opinião - A Herança

Título Original:  The Legacy
Autor: Katherine Webb
Número de Páginas: 456

 Sinopse
 Após a morte da avó, as irmãs Erica e Beth Calcott regressam a Storton Manor, a imponente mansão da família. Rodeada pela atmosfera mágica das férias de Verão da sua infância, Erica relembra o passado, particularmente o primo Henry, cujo desaparecimento daquela mesma casa dilacerou a família e marcou Beth terrivelmente. A jovem decide agora descobrir o que aconteceu a Henry, para que o passado possa ser enterrado e a irmã consiga finalmente encontrar alguma paz. Mas, quando começa a investigar, um segredo familiar ameaça sair da sombra: uma história que remonta à América na viragem do século XIX, protagonizada por uma bela herdeira das classes altas e uma terra selvagem e assombrosa. À medida que o passado e o presente convergem, Erica e Beth têm de enfrentar duas terríveis traições e uma dolorosa herança.

 Opinião


Katherine Webb cresceu por entre as paisagens de castelos em ruínas do Hampshire, não é, então de espantar que tenha partido para estudar História e que os seus livros reflictam sobre as repercussões do passado nos factos presentes, revisitando genealogias perdidas e segredos escondidos. Talvez por isso o seu primeiro romance, A Herança tenha tido um tão estrondoso sucesso, tendo vendido 75 000 exemplares em duas semanas no país de origem da autora, ganho o prémio YouWriteOnBook of the Year Award 2009 e sido publicado em vinte países.
Enquanto leitora se há coisa que eu gosto é de um livro que tenha uma longa saga familiar, que vá dos tetravôs à última geração, com segredos infinitos, aventuras imensas, desgostos e amores, enfim, tudo a que tenho direito. Talvez por isso me perca a fazer genealogias da realeza europeia e a revisitar histórias de membros da família longínquos que depois se repercutiram em gerações, que me encante ver como o destino pode modificar vidas, como o passado pode marcar infinitamente. Eu sei, é um passatempo bastante estranho mas dá bastante jeito na minha vidinha de estudante.
Através de uma escrita fluída e de um estilo que pode fazer lembrar o de Joanne Harris, Katherine apresenta-nos duas irmãs de regresso à casa onde passaram os verões na infância e onde um trágico acontecimento marcou toda a sua vida e onde estão prestes a descobrir os segredos que envolveram a vida da sua bisavó, Caroline, que no início do século XX partiu para o Oeste selvagem por amor. Com duas histórias tão díspares mas, ao mesmo tempo, tão envolventes, seria de esperar que eu me sentisse completamente embrenhada nesta leitura mas isso não aconteceu e, confesso, a história de Caroline empolgou-me muito mais que a de Beth e Erica, talvez devido aos cenários do Oeste ou ao facto desta parecer mais original que a das duas irmãs, que me fez lembrar um pouco os mistérios da autora de Chocolate mas sem a envolvência desses.
A sensação com que fiquei é que a história de Caroline estava melhor construída e desenvolvida, até porque a meio do livro, continuava a existir acção e momentos marcantes nessa parte enquanto que ao que concerne as duas irmãs, a história, muitas vezes, parecia estar parada no tempo, a espera de um impasse, nada se passava de empolgante e mesmo os acontecimentos que iam decorrendo soavam apagados quanto aos que se passavam em relação a Caroline, que roubou um bocado o “protagonismo” do livro. Talvez o facto de parecer haver parecenças com o estilo de Joanne, que é uma das minhas autoras preferidas, me tenha feito comparar em demasiado os dois estilos mas isto pode acontecer a qualquer leitor, e infelizmente a minha leitura deste livro ficou marcada por isso e não consegui apreciar a história de Beth e Erica como era devido pois soava-me demasiado a essa autora.
Outra coisa que afectou a leitura foi o facto de no início o livro ser bastante empolgante, em que tudo se passa e a narrativa corre fluída perante os nossos olhos mas a meio do livro parece que está a meio gás, que está apagada e são páginas preciosas para agarrar a atenção do leitor e que acabam por perder o ritmo. Mas, numa reviravolta surpreendente, escreve um final perfeito que acaba por salvar a história principal, mesmo sem grandes surpresas ou mistérios mas que agrada o leitor e o deixa a reflectir e o faz fechar o livro com um sorriso nos lábios.
Por fim, não posso deixar de falar nas personagens que também afectaram muito a forma como vi este livro. Infelizmente não consegui gostar de nenhuma personagem pois todas me pareciam ou sem personalidade, ou supérfluas e egoístas, falsas, tendo falhado a ligação entre personagem e leitor e que terá sido o meu grande problema com este livro mais do que qualquer outra coisa. Eu preciso de sentir as emoções do outro lado e neste livro não consegui sentir nada para realçar, tendo sido a grande excepção, Caroline, e não foi pela positiva. Apesar de eu ter gostado da sua história, odiei-a desde o primeiro segundo até ao último e terá sido por isso que sentia tanto quando lia sobre o seu passado pois os sentimentos de revolta e raiva nunca me largaram e é aqui que a autora brilha porque não criou uma personagem para ser amada ou heroína mas que marca o leitor com uma história crua e árida, que foi para mim, o ponto alto de todo o livro.
Entre pontos positivos e pontos negativos, esta não foi a leitura que esperava, longe disso, e foi das opiniões mais difíceis que tive de fazer até hoje, mas acho que se a autora tivesse criado algo mais simples teria sido um livro melhor e, para além disso, é o seu primeiro romance e não descarto voltar a lê-la numa outra ocasião, já que existem bases sólidas neste livro, mesmo que não exploradas da melhor maneira e, no geral, foi uma leitura que me fez pensar o suficiente para me custar imenso fazer a sua opinião, o que não é um mau presságio. Não descartem este livro, leiam-no e, com sorte, vão gostar mais do que pensam.

3*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Opinião - Os Leões de Al-Rassan

Título Original: The Lions of Al-Rassan
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 548

Sinopse
 Imagine uma Península Ibérica de fantasia, durante o período sangrento e apaixonante da Reconquista, onde realidade e fantasia se entrelaçam numa história poderosa e comovente.

Inspirado na História da Península Ibérica, Os Leões de Al-Rassan é uma épica e comovente história sobre amor, lealdades divididas e aquilo que acontece aos homens e mulheres quando crenças apaixonadas conspiram para refazer – ou destruir – o mundo. Lar de três culturas muito diferentes, Al-Rassan é uma terra de beleza sedutora e história violenta. A paz entre Jaddites, Asharites e Kindath é precária e frágil, mas é precisamente a sombra que separa os povos que acaba por unir três personagens extraordinárias: o orgulhoso Ammar ibn Khairan – poeta, diplomata e soldado, o corajoso Rodrigo Belmonte – famoso líder militar, e a bela e sensual Jehane bet Ishak – física brilhante. Três figuras cuja vida se irá cruzar devido a uma série de eventos marcantes que levam Al-Rassan ao limiar da guerra.


Opinião 
 Terá sido graças a influência do filho de J. R. R. Tolkien, Christopher, que Guy Gavriel Kay terá esquecido a Filosofia e o Direito para se dedicar à escrita, iniciando em 1984 uma das trilogias mais aclamadas da fantasia A Tapeçaria de Fionavar, com a qual venceu o prémio Aurora e que foi lido por gerações de amantes de literatura fantástica mesmo depois do seu grande sucesso. Foi nomeado três vezes para o World Fantasy Award e venceu o Internacional Goliardos Award pelo seu contributo à literatura fantástica. Ao inspirar-se em factos reais do passado e em períodos históricos para os seus livros, colocando a acção em locais reais onde os instrumentos da fantasia tomam lugar e controlam a narrativa, Kay mereceu o ímpeto de escritor de historical fantasy mesmo continuando a afirmar que os seus livros fogem de qualquer género.

Se eu for contar há quanto tempo este livro me tem perseguido, muito provavelmente rir-se-iam de mim. Este era um daqueles livros que eu queria mais do que tudo mas que nunca vinha para casa até eu finalmente bater com a cabeça na parede. Para uma amante de História e de Fantasia, Os Leões de Al-Rassan parecia ter todos os ingredientes para me fazer salivar por mais um parágrafo, por mais um capítulo, por mais e mais, ou seja, tenha as expectativas lá bem no alto e, graças aos deuses, elas não me defraudaram.
Este é o livro que um fã de fantasia jamais esquecerá, quer pelas personagens magníficas, quer pela narrativa capaz de um maravilhamento incontestável. Guy tem um dom com as palavras que faz com que os seus leitores se prendam à subtileza das suas histórias, apresentando-nos uma escrita crua, sensível e absorvente que nos lembrará de odes e velhas lendas com fundos de verdade. Este livro é uma homenagem aos antigos guerreiros, aos velhos povos, que sem certezas do dia seguinte, lutaram, acreditaram e marcaram uma época que mudou tudo o resto. Entre aquilo que era o passado de ontem e o futuro porque ansiavam, Kay soube transmitir através desta história de coragem como era viver entre esses dois tempos com desejo de mais e melhor, dando-nos a conhecer três pessoas que guardavam em si os anseios e temores de cada um dos seus povos, representando o melhor e o pior de cada um.
Uma história envolvente e única, digna de se saborear lentamente, ao mesmo tempo que é absorvida pela nossa mente, Os Leões de Al-Rassan é constituídos por momentos negros de crua beleza, de uma sensibilidade apenas tangente à sabedoria dos muitos anos vividos e do conhecimento apreendido, num relato onde os valores antigos como a honra, o respeito e a fidelidade eram mais caros que o amor e a amizade, onde os valores superiores eram seguidos acima de qualquer coisa, onde sem haver nação, existia um patriotismo que hoje não se conhece. Percorrer os caminhos destes reinos vastos e tão diferentes ao lado de personagens tão para lá do simples ser humano, é uma aventura que qualquer leitor não quererá perder pois aventuras inimagináveis nos esperam, mortes inesperadas, amores capazes de tudo, reis que caem e heróis que se levantam enquanto os bardos contam as suas histórias.
Por trás de uma narrativa de cortar a respiração, pude mais uma vez, constatar o talento de Kay para construir personagens verosímeis, fortes, transcendentes, que ultrapassam em tudo a nossa imaginação. É impossível escolher uma preferida entre personalidades tão vastas e tão imponentes, caracterizadas de uma forma tão rica que não conseguimos evitar admirá-las do fundo do nosso ser. Outro ponto forte deste livro é o misto de culturas que encontrámos, tão bem caracterizadas, que enchem as páginas de forma rica e opulenta e que está bem entranhada nas personagens, conseguindo o leitor entender a todas, querer conhecer cada uma de uma ponta a outra sem deixar nada por revolver. O certo e o errado perdem-se durante esta história que apela a compreensão religiosa, ao amor do homem sem olhar a deuses ou a cor da pele, pois independentemente a quem rezem, os ideais percorrem o mesmo caminho.
Depois da Tapeçaria de Fionavar, eu pensava que já tinha visto tudo o que este autor era capaz mas estava redondamente enganada. Este autor é capaz de mais, muito mais e este livro transcende tudo o que eu esperaria dele, e só fez com que o admirasse ainda mais. Se leram apenas a trilogia, leiam este. Se não conhecem o autor, primeiro leiam Fionavar e depois este, valerá a pena. Leitura obrigatória para fãs de fantasia ou de história, Os Leões de Al-Rassan é um regalo para qualquer leitor. Esperemos agora que Tigana esteja próximo.

7*


Do mesmo autor, A Tapeçaria de Fionavar:
A Árvore do Verão opinião
O Fogo Errante opinião
A Senda Sombria opinião

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Opinião - A Jornada do Assassino

Título Original: Fool's Fate (#3.1 Tawny Man)
Autor: Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 419

Sinopse
 Os poderes do Assassino tornaram-no uma lenda.
Mas quando ensinar o herdeiro a usá-los, ficará o reino mais seguro ou irremediavelmente perdido?
Depois do desafio lançado ao Príncipe Respeitador pela narcheska das Ilhas Externas, só lhe resta embarcar para o país de Eliânia em busca do dragão de Aslejval que tanto pode existir como não passar de uma lenda antiga.
Fitz, o mais famoso e temido assassino do reino, irá com ele. Mas a partida do herdeiro ao trono dos Seis Ducados para uma atribulada viagem marítima até uma terra de antepassados e inimigos não é algo que se faça de ânimo leve.
Que desafios irão ter de enfrentar os nossos heróis? As magias que ambos manejam imperfeitamente, serão uma ajuda ou um empecilho?
E o que acontecerá aos Seis Ducados se o herdeiro desaparecer
para sempre nessa terra misteriosa e distante?


Opinião 
 Eu não me apaixonei por este mundo a primeira, achava a história parada, estranha, como se nada se tivesse passado naquele primeiro livro, O Aprendiz do Assassino, era como se eu e ele não fôssemos nada compatíveis. Arrumei-o na prateleira e deixei o lá estar até que me apercebi por conversas, comentários, opiniões, que havia quem adorasse esta saga e que aguardava pelo próximo volume quase com desespero e quando lá saiam, os liam numa correria desenfreada e eu ficava a pensar no que será que eles tinham descoberto que eu não?

Como eu sou teimosa, casmurra, o que quiserem chamar, comprei o segundo volume para tirar a “prova dos nove” e tentar perceber se me tinha escapado alguma coisa e, a verdade, é que, de facto, me tinha escapado todo um mundo novo, um conjunto de personagens fascinantes e uma aventura inesquecível. Como é possível? Não sei, talvez aquela não fosse a altura certa para perceber este mundo, talvez se não tivesse dado uma segunda oportunidade, nunca teria percebido, não sei. Só sei que mais de um ano depois, Robin Hobb não me sai da mesa-de-cabeceira.
A Jornada do Assassino é o penúltimo livro do fim das aventuras de FitzCavalaria Visionário e, é nele, que atingimos o ponto alto d’ O Regresso do Assassino. Os nossos heróis partem para a aventura cheios de medos e esperanças para um mundo desconhecido que pode quebrar o futuro dos Seis Ducados se eles não forem extremamente cautelosos e se não aceitarem que nem sempre o inesperado é o mais correcto.
Cheio de respostas e ainda mais questões, este livro prima pelas emoções fortes, pelos acontecimentos inesperados, pelo clímax que antecede um fim para o qual ninguém sabe o que esperar enquanto ainda mais surpresas surgem para alterar destino de Torre de Cervo. O passado está prestes a encontrar o Bastardo e este ainda não sabe que papel terá num futuro onde todos lhe exigem uma posição que há muito devia ter sido tomada. Para os seguidores destes livros, este é o livro mais esperado, aquele onde segredos são desvendados e o caminho começa a ser desbravado, onde personagens à muito esquecidas retomam e onde o destino e a vida de Fitz começam a encontrar as respostas para uma existência perdida de todos os que amava.
A escrita de Robb é brilhante para este tipo de narrativa, lenta mas concisa onde o timing é estudado de forma alargada para agarrar os leitores em cada capítulo, cada parágrafo e cada linha, onde cada descoberta é vivenciada pelo leitor como se da sua própria vida se tratasse pois à muito que estas personagens passaram a fazer parte da nossa vida e que a sua dor e alegria são as nossas. Este é, talvez, o livro mais activo da saga, onde tudo se passa e tudo está prestes a acontecer, deixando a adrenalina passar das páginas para os leitores num fio que está prestes a rebentar. Mais uma vez, temos a prova que mais que uma contadora de histórias nata, Robin é uma criadora de personagens, uma mestra em segredos e mistérios que finalmente atingem o seu auge.
Cada personagem cresce mais e mais neste livro, tornam-se o que esperávamos ou mais ainda, no caminho que queríamos ou num completamente inesperado, viram a nossa mente do avesso e fazem-nos exclamar de surpresa. São a prova que o destino, os actos e as exigências constroem um ser humano e que este se adapta e se transcende parar ser muito mais e melhor. Cada uma delas tem um desafio, um propósito nesta aventura que está a chegar ao fim e, nenhuma, é mais do que as outras.
Entre revelações inesperadas que podem levar as lágrimas e fazer o leitor pensar nas consequências, entre surpresas gratificantes e desafios inimagináveis, acompanhámos Fitz e os seus companheiros na apreensão da coragem, da amizade, da fidelidade e do amor, dos laços familiares e dos laços que partem da partilha de sentimentos e ocasiões, na luta pela unidade, pela paz e pelo futuro.
Para mim, este livro ultrapassou todos os outros e só aqueles que acompanham esta saga compreenderão o porquê. Sofremos e rimos com estas personagens desde o início, sabemos o quanto lutam, o quanto amam e o quanto merecem, finalmente, viver em paz e somos incapazes de ficar imunes a algumas passagens deste livro, onde finalmente um rumo começa a ser desbravado, onde novos amores nascem e perdões são cedidos. Frases como “Devias ter voltado para casa”, vão quebrar-vos, outras vão fazer-vos rir, gritar de raiva ou simplesmente sorrir. Esta é a força de uma história que conhecemos desde o início, que esteja longe de ter finais felizes mas que será sempre verdadeira para com aqueles que a quiserem conhecer.
O saudosismo já me está afectar e como diz uma amiga “Podemos sempre reler!”. É verdade mas nunca mais sentiremos isto como da primeira vez. Qualquer fã de fantasia devia deixar-se embrenhar neste mundo. Eu voltei lá e não me arrependi.

7*

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Picture Puzzle #26







Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover

Puzzle #1

Pistas: título em inglês; trilogia; romance histórico; publicado em Portugal




terça-feira, 18 de setembro de 2012

Teaser Tuesday (37)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro



"Desistiu e guardou o cachimbo e a pederneira no seu alforge, antes de se aperceber de que todos os olhares estavam postos nele, como se a sua simples frase o tornasse porta-voz dos negros pensamentos do grupo inteiro. Olhares fugidios, testas franzidas, lábios fechados."
p. 176, O Crepúsculo dos Elfos, Jean-Louis Fetjaine


Rubrica original do blog Should Be Reading

domingo, 16 de setembro de 2012

Selo Versatile Blogger

Regras:

1 - Postar o selo e dizer quem me presenteou;
2 - Dizer 7 coisas sobre mim;
3 - Presentear 15 blogs com o mesmo;


Muito Obrigada a minha cara Maria Roseta do blogue O Imaginário dos Livros por este selinho *.*

Portanto querem saber 7 factos sobre mim é isso? Cá vai:

1 - Ontem descobri o que é yaoi
2 - Adoro a série Tudors
3 -  Odiei o Cinquenta Sombras de Grey
4 - Obrigo os meus amigos a ir a monumentos comigo
5 -  Vou jantar massa negra com marisco
6 - Tenho um Zangado!
7 - Quando como gelado é com tudo a que tenho direito


Agora vão vocês contar umas coisinhas pode ser?

 O Labirinto dos Livros
A Rapariga dos Livros 
Pedacinho Literário
As Histórias de Elphaba 
Encruzilhadas Literárias
...Os Devaneios da Jojo...
A Magia dos Livros
Bookeater/Booklover 
Castelo de Letras
Chá da Meia-Noite
Cuidado com o Dálmata
Illusionary Pleasure
Monster  Blues
Liliana Lavado
Silk and Magic