sexta-feira, 8 de março de 2013

Feliz Dia da Mulher!


Hoje é o nosso dia!

 *o oficial porque os outros 365 também são mas eles não precisam de saber isso...*

E por isso é aquele dia em que nos fazem as vontades, em que amorosamente nos oferecem livros, em que nos dizem que somos tão mega maravilhosas e tal e coiso...bem a verdade é que não me livrei das tarefas domésticas e sou alérgica a flores E ainda por cima estou doente mas a intenção é que conta afinal e pronto olhámos para a janela e está um mau tempo que até assusta mas não interessa porque é DIA DA MULHER e ponto final! Por isso desejo a todas as mulheres um feliz dia e que ao menos traga umas supresinhas =)

P.S. Já agora não se esqueçam de ler um livrinho de uma autora ou um com uma ou outra boa personagem feminina =)



quinta-feira, 7 de março de 2013

Opinião - Mariana

Título Original: Mariana
Autor: Susanna Kearsley
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 352

Sinopse 
 Julia Becket acredita no destino. Ela tinha apenas cinco anos quando viu Greywethers pela primeira vez, mas soube de imediato que aquela era a sua casa. Vinte e cinco anos depois, tornou-se finalmente sua proprietária. Mas Julia depressa começa a suspeitar de que existe algo de poderoso e inexplicável por detrás da sua decisão radical de abandonar Londres e começar de novo numa pequena aldeia. Os novos vizinhos são calorosos e acolhedores, muito particularmente Geoff, o aristocrático proprietário de Crofton Hall, com quem sente uma ligação imediata. Mas a vida tal como ela a conhecia acabou, e outra bem diferente está prestes a começar. Uma vida que inclui Mariana, que habitou aquela mesma casa trezentos anos antes e cujo destino ficou tragicamente por cumprir. A história de Mariana vai- se revelando a pouco e pouco, apoderando-se da sua vida como um feitiço. Ao longo dos séculos que separam as duas jovens, uma promessa de amor eterno aguarda o desfecho que o destino lhe negou. Conseguirá Julia desvendar no presente os enigmas do passado? Será que Mariana esteve sempre à sua espera?

Opinião

Nascida numa família de leitores, foi desde muito cedo que Susana se sentiu impulsionada para a escrita e, provavelmente, muito por culpa da sua mãe que estava a ler um livro de Mary Stewart na hora do seu nascimento. Escusado será dizer que esta acabou por se tornar a sua autora preferida.
Colocar palavras em papel é algo que começou a fazer desde muito cedo mas só aos sete, depois de se apaixonar pela personagem de Jo, é que começou a escrever primeiros capítulos, uma actividade que continuou a desenvolver durante a adolescência. Posteriormente, depois de estudar política e desenvolvimento internacional na faculdade, Susanna foi trabalhar para um museu e aos vinte e dois anos tornou-se curadora.

No mesmo ano com o incentivo da irmã, Susanna terminou o seu primeiro livro no fim desse Verão mas seria com o seu segundo romance, este Mariana, que a autora alcançaria a fama. Vencedor do Catherine Cookson Fiction Prize, prenda de Natal adiantada para Susanna, este livro já conta com vinte edições e dezanove anos depois de ser publicado pela primeira vez, chega a Portugal. Escritora a tempo inteiro a quase vinte anos, já escreveu nove livros tendo o seu último livro sido publicado este ano.

Em qualquer inverno todo o jardim permanece apagado, desvanecido enquanto espera que o sol primaveril renasça e com ele traga a beleza das cores e a explosão dos cheiros e que mais uma vez dê início a um círculo… Três vezes Julia viu a casa, uma casa no meio do nada, antiga e parada no tempo, uma casa que considera sua desde a primeira vez que a viu, uma casa que a levará a conhecer-se, a descobrir-se e a perceber que o passado pode não ser um passado distante e que lhe trará amizade, recordações e muitos segredos, segredos perdidos no tempo e nos corações e que podem finalmente desabrochar. Através de momentos vividos, de objectos encontrados e esperanças, Julia conhece Mariana, uma jovem que viveu a muito tempo numa era negra e destrutiva, uma jovem que amou com a perseverança e a força de um jardineiro, uma jovem que esperou e acreditou que um dia, ele ia voltar para ela.

Depois de O Segredo de Sophia, Kearsley ganhou um lugar de destaque na minha estante e no meu coração e foi com uma expectativa enorme que peguei neste novo livro, um livro que me arrebataria nas primeiras páginas, que me emocionou, me fez acreditar e perceber que mais do que uma chama ténue o amor é uma jóia que dura para lá das vidas, das memórias e do esquecimento. A escrita da autora é daquelas escritas que nos assolapa, uma escrita apaixonante e enfeitiçante que nos leva através dos tempos, que nos faz olhar os sentimentos de uma forma profunda e intensa e entende a alma humana, as épocas e a vida como mais ninguém. Da actualidade ao sécuo XVII, conhecemos duas mulheres diferentes, de meios diferentes, épocas diferentes mas que ao longo do tempo se tocam pelo prazer do toque de um livro, pelo encantamento de uma jóia, pelo amor a um homem.

Numa narrativa marcada pelo romantismo, uma narrativa sonhadora e intemporal, Mariana é uma preciosidade, um livro que enaltece o amor, as almas e as ligações humanas, um relato soberbo de duas vidas entrelaçadas, um livro que dá vida a uma casa que esperou tranquila através das vidas para voltar a respirar, voltar a viver, voltar a sentir. Ao longo destas páginas, poderão encontrar História, romance e mistério, poderão suster a respiração, sorrir com meiguice, apertar as mãos de raiva e deixar uma lágrima cair pela face. Ao lerem estas palavras, serão transportados para um lugar idílico, um lugar onde a amizade e a lealdade venceram tudo, um lugar onde o perdão terá de tomar forma, onde o amor se preserva. Aqui aprenderão que por mais que o espelho reflicta o que se quer ver, o reflexo dos corações, a verdade das almas apenas se reflecte no espelho esquecido que nunca deixa de esperar, que nunca deixa de amar.

Num enredo em que a espera e o cuidado são o maior símbolo de amor, em que as promessas se cumprem, em que o destino não pode ser iludido e o passado esquecido, em que a sensação de um beijo pode perdurar vidas, Mariana conta ainda com um elenco de personagens encantadoras, personagens cheias de emoções, personagens que quererão conhecer, entender, que quererão ver felizes. Seja no ambiente quente e ruidoso do pub local, seja na magnificência e vazio de uma casa senhorial, seja na beleza de um jardim, encontrarão as respostas para os dilemas, o significado de meias palavras, a força de um sentimento. Julia e Mariana são um símbolo, são duas mulheres que admirámos, que amámos e de que vamos sentir saudades, são a moeda mais brilhante no meio de um tesouro imenso, são duas personagens que ao longo destas páginas vão arrebatar-vos, são intemporais, são únicas.

Na obra etérea de uma escritora que escreve tão bem o passado como a actualidade e entende a alma feminina seja qual for a época encontrámos uma história doce, uma história que eleva e glorifica o que de mais puro e precioso o ser humano tem. Mais uma vez, Susanna conquistou-me e mostrou-me que seja qual for o livro que leia, seja qual for a nova história que ela me vai dar, eu irei sempre, sempre sentir-me em casa. Intemporal e encantador, Mariana é o livro das românticas, dos que acreditam em vidas passadas e em promessas cumpridas.

7*

quarta-feira, 6 de março de 2013

Picture Puzzle #32


Regras:
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover

Puzzle #1

Pistas: traduzido para português



Puzzle #2

 Pistas: traduzido para português



terça-feira, 5 de março de 2013

Opinião - A Menina na Falésia

Título Original: The Girl on the Cliff
Autor: Lucinda Riley
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 528

Sinopse
 Grania Ryan tem em Nova Iorque a vida com que sempre sonhou. Tudo é perfeito até ao dia em que o seu desejo mais íntimo é brutalmente estilhaçado. Arrasada, Grania decide voltar à Irlanda e aos braços da sua adorada família. E é aqui, à beira de uma falésia, que conhece Aurora Lisle, a menina que vai mudar profundamente a sua vida. A ligação entre ambas é imediata e profunda. Pouco a pouco, Grania descobre que as histórias das suas duas famílias estão estranha e intrinsecamente ligadas... De um agridoce romance na Londres do tempo da grande guerra a uma relação tempestuosa na Nova Iorque contemporânea; da devoção a uma criança terna e carente a memórias esquecidas de um irmão perdido, o passado e o presente das famílias Ryan e Lisle estão unidos há um século. Cem longos anos de equívocos e segredos, paixões e ódios... Apenas a intuição e a coragem de Aurora poderão quebrar o feitiço e vencer as barreiras que o passado ergueu. Assombrosa, terna e comovente, a história de Aurora é uma inspiração para todos nós. Um exemplo de como a esperança e o amor podem ultrapassar todas as perdas.

Opinião

Nasceu na Irlanda mas mudou-se para Londres para ser uma estrela. Trabalhou como actriz em filmes, televisão e teatro mas aos vinte e quatro anos Lucinda decidiu pegar nessa experiência e escrever um livro, um livro que seria o primeiro de sete sob o pseudónimo de Lucinda Edmonds contudo a sua vida pessoal colocou a veia de escritora em pausa mas a paixão pela História e o envolvimento na construção de uma casa na Tailândia fizeram-na regressar as histórias como Lucinda Riley.
Desde 2010, Lucinda escreveu três romances que têm conquistado os leitores um pouco por todo o mundo. A Menina na Falésia, primeiro romance da autora publicado em Portugal, é um bestseller internacional, faz parte da lista do New York Times e já foi traduzido para mais de dez línguas.
Tal como a História, a vida é cíclica, tudo o que aconteceu pode voltar e em cada geração a história pode repetir-se mas ciclo nenhum é igual e os finais dependem não só das linhas escritas pelo destino mas também da alma dos que os reescrevem. Gerações partilham amores, segredos e rancores, duas famílias guardam amargas recordações em cartas envelhecidas, caixas guardadas a sete chaves mas quando uma criança lhes arrebata os corações o perdão torna-se algo possível.
Ao longo de décadas, escolhas e memórias têm deixado a sua marca em duas famílias que unidas por sangue, amores e desilusões se afastaram e esperaram, temendo o passado mas mais ainda a ironia das Moiras e o passado não muito distante. Na falésia, no fim do mundo, passagem para outro mundo uma dança delicada, bela e absorvente pode mudar tudo, devolver tudo e dar o que nunca se esperou. Entre passado e presente, entre três cidades tão diferentes a história escreve-se mas o final, ah esse final, é impossível de se prever.
Lucinda escreve-nos uma história intemporal, mágica onde as ligações familiares são como uma dança de beleza única, uma dança de recuos e decisões, uma dança de tristeza e felicidade que nos arrebata, nos quebra e devolve-nos a vida e as emoções com uma força quase divina. Com uma escrita delicada mas poderosa, a autora cria uma narrativa de acasos e certezas, um enredo onde nada é como esperámos, onde tudo é possível. Como primeira obra lida da autora, A Menina na Falésia é uma vitória agridoce, uma leitura de lágrimas onde a felicidade não pode ser plena mas é humana, recheada de erros e escolhas difíceis, onde o caminho é escrito através de atalhos, de coisas escondidas e monstros reais, uma leitura em que o ser humano e a família, o amor maternal e o crescimento nos são relatados com a verdade crua mas também com soberba mestria e doçura.
Contado na forma de memórias e histórias recontadas, este livro é um relato onde duas famílias se unem e separam, onde as crianças mágicas forçam escolhas e amores indestrutíveis, onde elas são a chave, a chave que pode unir ou separar. Como um bailado de intensa espiritualidade, este livro não é um conto de fadas mas este é ambicionado pelos desejos e sonhos das personagens e, as princesas, as etéreas e inesquecíveis princesas transformam esta história da vida humana em algo mágico, algo cruel, algo maravilhoso. De geração em geração, vamos conhecer medos, anseios, escolhas e amores, vamos conhecer mulheres e homens que escreveram a sua história e dos seus descendentes umas vezes com altruísmo, outras com destruição eminente, vamos sofrer e compreender, vamos perceber que o ser humano pode ser a coisa mais forte e doce ou a mais egoísta e avassaladora.
Entre expectativas e reviravoltas nunca, em página alguma, poderão adivinhar o que vão encontrar a seguir, nunca em momento algum poderão estar preparados para a forma como afinal nós não compreendemos a mente e o coração humano mas que autora conhece tão mas tão bem. Cada capítulo é uma experiência nova e não, a felicidade nunca está garantida porque há que guerrear por entre os tumultos e os erros por ela pois ela exige uma força e uma capacidade que nem todo o ser humano consegue. Em palavras que podiam ser transmitidas numa dança, a autora apresenta-nos as fragilidades, o sombrio fundo da alma humana, o seu egoísmo mas também a luz que ilumina os nossos corações, a vontade férrea de dar e os nossos sentimentos que podem elevar-nos ou quebrar-nos.
Com personagens que marcaram a vossa memória para sempre, personagens que vos provocarão fúria mas também um doce carinho, viverão cada história desta história entrelaçada como se pudesse ser a vossa e conhecerão a doce, inteligente e etérea Aurora, não a Bela Adormecida mas a menina que será os vossos olhos, a vossa voz ao longo desta leitura, a menina que vos conquistará, a menina que é tempestade e a bonança. Aurora é uma personagem que não mais esquecerão, uma personagem que ficará gravada a fogo em nós leitores, uma personagem como poucas são criadas. Com ela entenderão a vida, os sentimentos, as escolhas, com ela iremos viver para todo o sempre.
Esta foi a minha primeira leitura desta autora e não pode ser a última pois Lucinda Riley tornou-se um nome obrigatório na estante com uma história única e soberba, uma história que vive e revive perante os nossos olhos. Uma escritora exímia, de talento incontestável Lucinda é uma autora que todos deviam ler e reler e garanto-vos que não ficarão pela primeira vez.

7*

domingo, 3 de março de 2013

Opinião - Criaturas Maravilhosas

Título Original: Beautiful Creatures (#1 Caster Chronicles)
Autor: Kami Garcia & Margaret Stohl
Editora: Gailivro
Número de Páginas: 480

Sinopse
 Lena Duchannes é diferente de qualquer pessoa que a pequena cidade sulista de Gatlin alguma vez conheceu. Ela luta para esconder o seu poder e uma maldição que assombra a família há gerações. Mas, mesmo entre os jardins demasiado crescidos, os pântanos lodosos e os cemitérios decrépitos do Sul esquecido, há um segredo que não pode ficar escondido para sempre.
Ethan Wate, que conta os meses para poder fugir de Gatlin, é assombrado por sonhos de uma bela rapariga que ele nunca conheceu. Quando Lena se muda para a mais infame plantação da cidade, Ethan é inexplicavelmente atraído por ela e sente-se determinado a descobrir a misteriosa ligação que existe entre eles.
Numa cidade onde nada acontece, um segredo poderá mudar tudo.


Opinião

Margaret Stohl, veterana na indústria de videojogos e professora assistente em duas universidades da Ivy League um dia, conheceu Kami Garcia, professora e artista que liderava grupos de livros de fantasia para crianças e adolescentes e juntas escreveram um livro em 2009, um livro que resultaria numa saga e cujo filme estreou na quinta passada em Portugal.
Criaturas Maravilhosas já foi publicado em 39 países, traduzido para 28 línguas e é um bestseller internacional e muitos não tem pejo em compará-lo à Crepúsculo. Nascido na altura em que amores impossíveis entre adolescentes passaram para o campo paranormal e fantástico e virou moda, obsessão e fascínio, este livro não escapou aos olhares dos fãs que queriam mais e dos que estavam preparados para fazer correr sangue.
O primeiro de uma saga de quatro cujo último volume foi publicado no final do ano passado, Criaturas Maravilhosas chega agora ao cinema envolto em polémica pela má escolha de casting e pela falha de coesão com o enredo do livro mas mostrando que a moda que o trouxe às prateleiras das livrarias continua a ter fãs e que o género veio para ficar.
Ethan é um rapaz do Sul Profundo, um rapaz de uma vila pequena que ainda vive a Guerra Civil e cujas gerações de várias famílias há muito que vivem juntas, fazem parte umas das outras e partilham as mesmas histórias e segredos. Desejoso de partir, Ethan sonha com outros locais, locais onde possa viver uma vida diferente da que lhe está destinada se ali continuar até que a nova miúda chega a Gatlin, uma miúda misteriosa, calada e descendente da família mais antiga e malfadada da região. Juntos, eles vão ter de vencer as hostilidades de uma comunidade pequena mas infelizmente o seu amor tem de vencer outros obstáculos relacionados com os seus antepassados, com segredos e noites de lua. Num local onde a magia e a História pararam no tempo, onde os erros nunca são esquecidos e os segredos são de todos, Ethan e Lena têm o relógio contra eles e cada tique-taque simboliza uma escolha sem vontades, um destino separados e estilhaços de mais um amor perdido nos pântanos do Sul.
Há primeira coisa que nos pensa pela cabeça quando começámos a ler este livro é qual terá sido a razão para o livro ter tido duas autoras pois não notámos uma qualidade fora do vulgar nem uma originalidade que justifique a co-autoria deste livro e será talvez por isso que durante toda a leitura a frustração e a irritação não nos largam. Não que eu o veja como mais um Crepúsculo mas porque num livro com toda uma história de certa profundidade e originalidade onde por trás de cada porta pode estar mais um segredo ele acaba por perder todo o brilho quando as autoras decidem centrar-se quase em exclusivo à parte romântica da história. Numa relação igual a tantas outras em livros deste género, o amor de Ethan e Lena peca por tentar ser mais maduro e peca por determinar, controlar e prender tudo à sua volta quando podia ser apenas um efeito, um acessório numa história de beleza antiga e amaldiçoada que acaba por não ser.
A coisa que adorei neste livro, aquilo que me fez lê-lo e querer mais e sentir-me tão frustrada foi o ambiente, aquele belo, profundo e enfeitiçante ambiente negro de bayou onde o Sul, o seu passado e cultura brilham juntamente com toda a história dos Encantadores, onde a fantasia que as autoras criaram se liga na perfeição com o ambiente que escolheram. Tudo o que depois se relaciona com a magia de Lena e a sua família é uma mais-valia, é aquilo que nos faz devorar as páginas mas infelizmente não é suficiente e o facto do resto do livro não corresponder com isto só faz com que o leitor se irrite durante a leitura e se sinta enganado pois as autoras colocaram tudo isto em segundo plano e meteram o amor meloso, chato, fraco e inverosímil de Lena e Ethan em primeiro e único plano.
A falha grande deste livro será por ao tentar encontrar a originalidade acabar por cair em mais um cliché e esse soar ainda menos credível. Vermos a história pelo lado de Ethan é aborrecido, plano, sem graça pois além de ele não soar a rapaz normal de 16 anos por ser demasiado maduro, demasiado meloso, demasiado perfeito do outro lado temos Lena e eu juro que dava tudo para conhecer aquela personagem e que se tivesse sido contado do lado dela este livro tinha sido algo de bom, muito bom. Mas Lena quase não se vê nem se nota tirando nas cenas que deviam ser românticas mas que soam tão exageradas que não parecem sê-lo e temos Ethan e mais Ethan e não, ele não é o melhor dos protagonistas. Para salvar do aborrecimento atroz que foi esta leitura e fazer frente aos clichés de meninas de claque malvadas, amigos obtusos e malucas obcecadas temos a família de Lena, ou melhor Macon e Ridley e a empegada de Ethan, Amma. Estas são as personagens que salvam o dia e nos fazem ler mais uma página para depois levarmos com o aborrecimento atroz da doçura excessiva do moço.
Este livro podia ter sido algo grande, algo tão bom e tão fantástico que quase ninguém teria um dedo a apontar mas dos alicerces de algo soberbo fez-se algo sem sal, sem piada e que mata tudo o que de bom o livro tinha. Não quero chamar-lhe decepção porque realmente surpreendeu-me em termos de ambiente e história de fundo mas o resto não permite esquecer a frustração que foi ler este livro. Deixou-me indecisa, irritada e sem saber se terei coragem de pegar no próximo pois odeio ver talento desperdiçado mas veremos, para já ainda é uma dor aqui no peito.

4*

sexta-feira, 1 de março de 2013

Aquisições *FEVEREIRO*

Lembram-se de eu ter dito que me tinha portado muito bem o mês passado? Sim? Bem em comparação com este mês, Janeiro foi um excesso total, ah pois é!
Ainda ligeiramente chateada por os correios terem esperado eu sair de casa para me trazerem o Mariana que agora só irei levantar na segunda-feira para mal dos meus pecados, venho mostrar-vos os bebés que estavam a espera da sua companhia para a foto oficial e que apesar de poucos foram sem dúvida bons.
Este mês apenas comprei as novidades que me interessavam e aproveitei os 15 Anos da FNAC para trazer um inglês cuja capa me chamou bastante a atenção. Entretanto o Kobo recebeu mais uns livrinhos (gratuitos claro!) que me fazem pensar que tenho mesmo de me dedicar mais às leituras em inglês!

Os ditos físicos:

 A Voz, Anne Bishop *Opinião*
Anoitecer, Karen Marie Moning *Opinião*
Um Beijo Inesquecível, Teresa Medeiros
Bad Angels, Rebecca Chance

O físico que se encontra sozinho e abandonado nos CTT pela sua falta de timing:

Mariana, Susanna Kearsley
 
Os ebooks:
 








 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Opinião - Milagre de Amor

Título Original: When Beauty Tamed the Beast  (#2 Fairy Tales)
Autor: Eloisa James
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 372

Sinopse
 Miss Linnet Berry Thrynne é Bela … Naturalmente, está noiva de um Monstro. Piers Yelverton, conde de Marchant, vive num castelo no País de Gales, onde, corre o boato, o seu mau humor arrasa todas as pessoas com quem se cruza. E também consta que uma lesão deixou o conde imune aos encantos de qualquer mulher. Só que Linnet não é qualquer mulher. Ela é mais do que simplesmente formosa: o seu espírito e encanto forçaram um príncipe a ajoelhar-se. E calcula que um conde se apaixonará loucamente por ela… em apenas duas semanas. No entanto, Linnet não tem ideia do perigo a que o seu coração é exposto por um homem que poderá nunca devolver-lhe o seu amor. Se ela decidir ser realmente muito perversa … que preço pagará por domar o coração selvagem desse homem?

Opinião


Ao contrário de muitas escritoras, Eloisa não se dedicou à escrita por tempo inteiro e decidiu continuar a dar aulas sobre Shakespeare conciliando na perfeição a escritora, a professora, a mãe, a mulher e a amiga. Mulher de múltiplas actividades, a autora que escreve romances de época e casou com um cavaliere italiano, desde 1999 que tem conquistado os corações românticos das suas leitoras tendo já escrito vinte e três livros, seis contos e participado em dois livros em conjunto com Julia Quinn e Connie Brockway. Até 2005, a autora manteve a sua segunda carreira em segredo mas o facto de ter aparecido pela primeira vez na lista de bestsellers do New York Times fê-la revelar o seu alter ego perante os colegas de trabalho e assumir em pleno que existem duas mulheres em si, a professora universitária e a escritora de romances.
Milagre de Amor é o segundo volume da série dedicada aos contos de fadas, retratando o conto de A Bela e o Monstro. Publicado em 2011 e já com dezasseis edições foi considerado um dos melhores livros do ano e tem conquistado tanto os leitores como autores. O trabalho de Eloisa tem recebido os maiores elogios das suas colegas de profissão Teresa Medeiros e Julia Quinn, duas das autoras mais conceituadas da actualidade.
Ela é a Bela da temporada. Aos seus pés caiem todos os bons partidos enfeitiçados pelo seu sorriso e nem um príncipe consegue resistir à beleza de Linnet mas o passado escandaloso da mãe persegue-a e nem o seu encanto e inteligência lhe valem quando as bocas maldosas lhe arruínam a reputação destruindo qualquer sonho de um bom casamento. Dona de uma herança invejável e supostamente futura mãe de um membro real, Linnet é enviada para a perdida Gales onde o mau humor do seu Monstro assombra a sua reputação de médico genial. Piers é um arrogante, nariz empinado futuro duque e médico, um homem com um passado cheio de mágoas e uma perna que torna a sua vida tão insuportável quanto ele torna a dos outros e que vive enclausurado num castelo até que o homem que o abandonou chega ao seu refúgio com uma beldade destinada a massacrá-lo, a tentá-lo e, se calhar, a quebrar a sua gélida carapaça.
Depois da desilusão que foi Paixão numa Noite de Inverno eu não estava a contar voltar a ler Eloisa James mas as boas críticas a este livro perseguiram-me dias e dias até que tive mesmo de o ler e, coisa rara, dar o braço a torcer. A escrita da autora, tão diferente e original ganha uma luz neste livro que apenas antevi no anterior, uma luz que o torna um romance único, cheio de encantos e ironias mordazes, sorrisos fatais e uma arrogância que só a beleza e a inteligência elevadas dão as pessoas, arrogância que conjuga com um humor negro, um romantismo obstinado e uma sedução entre seres iguais de almas atormentadas. Com uma perspicácia inata, Eloisa dá vida ao meu conto preferido, torna-o uma conjugação de personagens e histórias, usa as inspirações de uma forma soberba e cria um romance que deve e tem de ser devorado e, obviamente, adorado.
Numa narrativa clássica de romance de época vamos encontrar um enredo diferente, mais humorístico, fatalmente mais poderoso e sedutor de uma forma que poucas autoras conseguem, um enredo cheio de peripécias e tiradas espirituosas, onde o amor passa por compreensão e aceitação, onde uma relação cresce do respeito e da admiração antes do desejo. Piers, uma conjugação brutal de Monstro e Dr. House, é um daqueles protagonistas por quem é impossível não nos apaixonarmos assim que lemos o seu primeiro diálogo. Macambúzio, inteligente, mordaz e atormentado, ele é um misto de tentação e irritação pela qual só queremos levar a melhor. Com as suas ironias de mau gosto e aparência de miúdo birrento, Piers arrasa os nossos corações e ganha um lugar na lista de protagonistas preferidos. Já Linnet arrasa. É respondona e por trás da beleza perfeita é tão mordaz e irónica quanto ao seu noivo. Dona de uma personalidade inabalável, ela é uma protagonista digna desse nome e tanto nos faz sorrir de vitória como consegue enternecer-nos.
Ao longo de um romance onde as regras de etiqueta levam a uma situação indesejável para depois serem esquecidas, rimos e sorrimos com as personagens inesquecíveis de Eloisa como Garvan e os pais de Piers cuja relação acrescenta umas lagrimazinhas e um sorriso tolo. Em situações caricatas ou de teor mais sério ou romântico, a autora acrescenta sempre aqueles detalhes deliciosos que me fizeram não desistir dela, pequenos pormenores históricos que vão da rotina ao guarda-roupa, da educação aos saberes medicinais da altura que tiveram grande destaque neste livro e brilharam. Esta narrativa fluída, divertida e romântica está cheia de momentos deliciosos que mostram uma essência do amor poucas vezes captada e transmitida tão soberbamente.
Depois desta leitura, Eloisa ganhou um certo respeito da minha parte e fez-me mudar a opinião acerca dos seus livros apesar de duvidar que algo se compare a este romance tão adorável. Um livro que recomendo às românticas, aos pouco crédulos, aos fãs de Dr. House e aos leitores que como eu duvidavam do talento desta autora. Espero que ela tinha mais livros deste género reservados para nós e, ao mesmo, tempo espero que nada se compare a ele. 

7*