segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Opinião - À Procura de Alaska

Título Original: Looking for Alaska
Autor: John Green
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 256

Sinopse
 Na escuridão atrás de mim, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha, e, nessa noite de pouco luar, eu pouco mais podia ver além da sua silhueta, mas, mesmo no escuro, consegui ver-lhe os olhos - esmeraldas intensas. E não era só linda, era também uma brasa."
Alaska Young. Lindíssima, esperta, divertida, sensual, transtornada… e completamente fascinante. Miles Halter não podia estar mais apaixonado por ela. Mas, quando a tragédia lhe bate à porta, Miles descobre o valor e a dor de viver e amar de modo incondicional.
Nunca mais nada será o mesmo.


Opinião


Livro de estreia de John Green, À Procura de Alaska foi publicado em 2005 e tornou-se um sucesso tal que irá ser adaptado para filme por Hollywood. Primeiro dos cinco livros de Green, venceu nove prémios literários e já foi traduzido para quinze línguas. O autor tornou-se conhecido não só no mundo literário mas na internet onde tem um espaço conjunto com o irmão, Hank, onde discutem livros, a sua vida e ocorrências do dia-a-dia. Actualmente o Brotherhood 2.0 foi substituído pelo “The Vlog Brothers” um vídeo blog que faz parte da iniciativa Nerdfighters.
Conhecido por escrever livros actuais e que abrangem temas vastos da nossa vivência, neste livro Green apostou no tema da adolescência, nas amizades e asneiras dos dezasseis anos, na simplicidade e exagero de uma mente que começa a abrir-se para as possibilidades, para o infinito das sensações, para o crescimento e as responsabilidades que a idade traz. Entre as opiniões mais que positivas que este livro recebeu e as não tão positivas, eu já esperava uma narrativa simples, sem grandes desenvolvimentos e, apesar de isto se ter verificado, o livro não foi definitivamente o que estava a espera e penso que a sinopse do livro consegue ser bastante enganadora dando azo ao leitor pensar que este é mais um típico romance juvenil.
Tal como o livro está dividido em Antes e Depois, também a minha opinião dele assim ficou dividida pois a surpresa, a beleza dele está na segunda parte onde o autor entra nas questões mais filosóficas e pensativas, onde as consequências vão revelar-se inesperadas e a vida e a morte se tornam inexplicáveis apesar da mente e do coração precisarem das respostas para o não aceitável. A escrita de Green é simples, divertida e enternecedora, muitas vezes com o mesmo espírito e idade das suas personagens e consegue relembrar os leitores mais adultos das suas fases dos dezasseis, as asneiras, os primeiros amores, as amizades mais fortes e dedicadas, as primeiras experiências, o que fará com que o leitor tanto se ria das parvoíces deste grupo de jovens como pode torná-lo nostálgico, levando-o através das recordações já há muito esquecidas.
Quando iniciámos a leitura deste livro deparámo-nos, não com a narrativa espectacular que estaríamos a espera mas com um relato, um relato sobre um grupo de adolescentes que se estão a descobrir, a aprender a crescer, a fazer asneiras, a descurarem o importante porque a mente deles está noutro lado, está nos primeiros pensamentos sobre as questões que assolam toda a vida do ser humano, o amor, a amizade, a família, quem é que eles são, quem querem ser e o que poderão ser. Entre conversas filosóficas e parvas acompanhadas por umas quantas garrafas, os primeiros cigarros, estes adolescentes, tão diferentes, de mundos tão opostos, identificam-se, são companheiros, são leais e dedicados mesmo no egoísmo da idade e é isso que pode enternecer o leitor mais atento a esta leitura. Quem passou por experiências parecidas vai compreendê-los, outros vão repreendê-los, há quem mesmo possa ficar indiferente às idiotices deste grupo mas é impossível, na segunda parte do livro, não ter vontade de os proteger, de sentar com eles e falar, explicar, que um dia tudo o que tem importância para eles não vai fazer sentido, que até a dor mais profunda se esconde, que até o amor mais forte quebra.
Para mim, a maior magia do autor foi ter pego em personagens com personalidades tão frágeis quanto indefinidas, em miúdos que ainda não sabem o que querem, que mal pensam no futuro pois apenas miúdos assim podem transmitir mil sensações, desde o desprezo à protecção. Miles não é perfeito, é apenas um adolescente normal, tímido, por vezes fraco mas com sentimentos tão fortes que é difícil não sentir simpatia por ele. É o típico personagem que não é protagonista e daí o seu encanto. Ao longo da leitura vai mostrando a sua personalidade através de citações que nos fazem pensa, através de pensamentos com que até nos poderíamos identificar, vai fazer com que voltemos a ter dezasseis anos e sejamos despreocupados, rebeldes e com o mundo pela frente. Alaska, é para mim, a típica miúda que a todos fascina ou que ninguém gosta, a rapariga que ninguém irá compreender pelo simples facto de ser uma adolescente mas ao mesmo tempo já ser mais madura, mais pensativa, com uma carga emocional pesada que não pode ser salva. Inconstante, tonta e para lá deste mundo, vai irritar-nos mas também nos vai fazer sorrir.
Tudo muda na segunda parte do livro quando estes jovens caem no dramatismo e na depressão que um acontecimento fatal lhes provoca. Como todos nesta idade, eles vivem tudo como se fosse o último dia, como se nunca mais fossem sentir algo assim na vida, como se a vida tivesse de ser vivida no agora e no já porque pode acabar tão depressa quanto o teste que foi aguardado com imenso desespero e depressa acaba. É aqui que se sente o brilho da simplicidade de Green, como um livro tão normal e simples pode transmitir tanto, dar tanto e em poucas páginas exaltar, explicar e redescobrir as questões mais simples da vida. Um momento mudou toda a minha opinião do livro e ao ler estas palavras que escrevo percebo o quanto este livro afinal mexeu comigo, o quanto ele me fez recordar e o quanto o teria adorado noutra idade.  
Este livro exala o cheiro doce da baunilha misturado com o dos livros e do fumo do cigarro, sente-se o calor forte do Verão, o toque da água fria e o peso das primeiras cores, das primeiras sensações, de quando deixámos de ser crianças para começarmos a ser adultos. Não lhe vou chamar obra-prima porque não achei que o fosse mas é sem dúvida um livro especial.


4*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

sábado, 24 de novembro de 2012

Leonor de Aquitânia *Leitura não terminada*

Título Original: Le lit d'Aliénor
Autor: Mireille Calmel
Editora: Difel

Número de Páginas: 528

Sinopse
 Leonor de Aquitânia. Uma bela jovem de personalidade fogosa, ainda solteira. O seu dote, o ducado de Aquitânia, terras de extrema riqueza. Em 1137, a vida é maravilhosa no castelo de Leonor em Bordéus, luxuosamente decorado e permanentemente alegre, enquanto que o Louvre do pobre rei de França é sinistro, sujo e silencioso.

Ao lado de Leonor, surge outra sedutora figura, a de Loanna de Grimwald. Uma jovem de quinze anos, a mesma idade de Leonor, mas uma rapariga diferente de todas as outras, um misto de fada e feiticeira. Enviada pelo seu antepassado o mago Merlin, Loanna é herdeira dos segredos dos druidas e tem uma missão: tornar-se a confidente de Leonor, ser a sua sombra, e conseguir que ela case, um dia, com Henrique, o futuro rei de Inglaterra.

Um primeiro romance fascinante, onde o sobrenatural e a sensualidade se misturam com a História, recriando uma Leonor de Aquitânia desconhecida. Levados pela escrita cativante de Mireille Calmel, retemos a respiração desde o momento que precede o primeiro beijo, brandimos a espada para defender a rainha, ficamos com o coração partido quando morre o seu melhor amigo…


Razões por não ter sido terminado
Se me lembro bem, este é o segundo livro que não acabei de ler.
Desde a escrita absolutamente chata e intragável da escritora, à tradução horrenda, à mistura estranha da vida de Leonor com descendentes de Merlim, às personagens tão mal caracterizadas, ao facto do livro sobre Leonor afinal não ser sobre a Leonor, às experiências lésbicas e relações possessivo-ciumentas, este livro foi um castigo.
A partir da página 100 comecei a ler em diagonal, depois comecei a passar à frente e quando cheguei ao final do livro e percebi que não ia melhorar, fechei-o. Não estou para perder tempo com livros que para além de uma salganhada, ainda conseguem transformar um tema interessante numa grande...porcaria.

E sim, esta é a opinião oficial, não vou perder mais tempo a escrever uma linha que seja sobre isto.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Opinião - O Medo do Homem Sábio *parte 1*

Título Original: The Wise Man's Fear (#2.1 As Crónicas do Regicida)
Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 702

Sinopse
 Agora em O Medo do Homem Sábio, Dia Dois das Crónicas do Regicida, uma rivalidade crescente com um membro da nobreza força Kvothe a deixar a Universidade e a procurar a fortuna longe. À deriva, sem um tostão e sozinho, viaja par Vintas, onde, rapidamente, se vê enredado nas intrigas políticas da corte. Enquanto tenta cair nas boas graças de um poderoso Nobre, Kvothe descobre uma tentativa de assassínio, entra em confronto com um Arcanista rival e lidera um grupo de mercenários, nas terras selvagens, para tentar descobrir quem ou o quê está a eliminar os viajantes na estrada do Rei.
Ao mesmo tempo, Kvothe procura respostas, na tentativa de descobrir a verdade sobre os misteriosos Amyr, os Chandrian e a morte da sua família. Ao longo do caminho Kvothe é levado a julgamento pelos lendários mercenários Adem, é forçado a defender a honra dos Edema Ruh e viaja até ao reino de Fae. Lá encontra Felurian, a mulher fae a que nenhum homem consegue resistir, e a quem nenhum homem sobreviveu… até aparecer Kvothe.
Em O Medo do Homem Sábio, Kvothe dá os primeiros passos no caminho do herói e aprende o quão difícil a vida pode ser quando um homem se torna uma lenda viva.


Opinião
Sete anos. Sete anos das mais variadas experiências, dos estudos mais estranhos, do aprimoramento de certas artes, de novas aventuras foi o que antecedeu a entrada de Patrick na Universidade. Dois anos foi o tempo que demorou a descobrir que ainda não era aquilo que queria na vida mas sim ser professor. Ao total, foram catorze os anos da sua vida dedicados a escrita de um livro, um livro que seria um sucesso e o novo monumento da Fantasia e que acompanhou uma grande fase da sua vida, das indecisões às certezas, do desejo à realização, de um professor a escritor reconhecido.

Actualmente, O Nome do Vento tem 64 edições, já ganhou diversos prémios e os fãs aguardam ansiosamente a publicação de The Doors of Stone, a terceira e última parte da trilogia, que parece ainda vir longe. As Crónicas do Regicida é já uma das obras obrigatórias das listas de livros de fantasia a ler, acompanhando Tolkien, Martin e Robert Jordan, entre tantos outros.
Dez meses depois regressei à Universidade. Voltei a sentar-me na estalagem para continuar a ouvir a história de Kvothe, para me deixar enredar ainda mais na lenda que foi a sua vida, para desejar juntamente com Bast que o estalajadeiro deixe que a chama volte de novo a arder, para que a lenda renasça, para que o ruivo volte a tocar as suas canções. Ler este livro, é exactamente isto, é sentir que estamos lado a lado com as personagens, a partilhar as mesmas histórias, a contar as mesmas piadas, a sentir o mesmo medo pois Rothfuss não é outro senão um bardo dos tempos modernos que nos transporta através da melodia das sensações, que nos leva mais além através da sua escrita encantadora, poderosa e antiga, onde a magia, a coragem e um único homem podem fazer-nos suster a respiração e desejar que esta história nunca acabe.
Quando iniciei esta leitura tinha a sensação que não recordava muito e que me ia sentir perdida quando a começasse mas assim que li as primeiras páginas percebi que a minha mente estava apenas a espera que este regresso se desse. Ao longo da leitura, Patrick vai-nos relembrando personagens, pequenas acções e ligações do livro anterior para que o leitor não se sinta perdido mas perfeitamente coordenado com a história, o que torna esta leitura, tal como a do livro anterior, fluída, envolvente e completamente imparável. Conforme vamos acompanhando Kvothe nas suas novas aventuras, nas suas pequenas vitórias e derrotas difíceis, é fácil nos irmos apaixonando por este ruivo teimoso, de bom coração, de grande lábia e presença pois ele é um símbolo de grandes feitos, de desejos comuns, de heróis e de solitários. Esta personagem é um espelho onde um jovem normal e cheio de força de vontade e poder interior estuda, convive com os amigos, comete pequenos delitos, apaixona-se, comporta-se como um adolescente que do outro lado é um homem que é mais do que qualquer outro, que já tudo viu e venceu, que anos de experiência marcaram e só quer voltar a ser aquele rapaz.
Ao dar-nos o passado e o presente de Kvothe, o autor atraí os nossos sentimentos, puxa a nossa alma de encontro a esta personagem, por um lado tão cheia de vida, por outro já tão cansada de viver, e consegue conquistar-nos e prender-nos de uma maneira que só a ambiguidade desta personagem consegue. Capaz dos momentos mais tolos ou mais enternecedores, de ser tão ruim quanto bom, tão inteligente quanto ignóbil, Kvothe dá-nos uma história sem restrições, recheada de magia, amizade e comandada pelos fios que regem os destinos dos mais audazes. Da Universidade às estalagens e tabernas, das ruas aos recantos escondidos, de dia ou de noite, sozinho ou acompanhado, seja qual for o caminho que seguirá, seja-nos dada uma canção, uma prenda ou um abraço, o leitor será levado a percorrer caminhos nascidos das orbes dos tempos antigos, os caminhos que só as lendas e a imaginação se atreveram a pisar.
Juntem ainda um elenco de personagens tão soberbas quanto complexas, com os seus próprios segredos e demandas, cujos destinos se entrelaçam com o do protagonista mas que não deixam de ter a sua própria personalidade, o seu toque pessoal e o seu próprio destino. Também a magia da escrita de Rothfuss nos deixa ávidos, sequiosos mesmo de saber tudo o que se passa, passou ou deixou de passar na história do Regicida. Chamar bardo ao autor não é um exagero, é uma verdade natural, básica, pois existe musicalidade nas suas expressões, na forma como transforma os momentos, como entrega por inteiro os sentimentos, como consegue conquistar o público com um simples gesto.
Através de um mundo criado para se encaixar na perfeição com esta narrativa tão simples quanto poderosa, vivemos momentos de perigo, momentos de puro riso ou uma intensa fúria. Somos capazes de nos deixar adoçar e perdoar ou somos tentados a endurecer o coração. Percebemos o sentido da amizade, da espera, da ambição. Saboreamos o sabor amargo da derrota, deixamos a frustração domar-nos. Mas mais do que isso, de livre vontade, caímos nesta história, acreditámos e vivemos, somos encantados e enredados nesta narrativa que cheira a trovas e demandas heroicas.
Esta é a trilogia para aqueles que esperam por Martin, que adoram fantasia ou, simplesmente, boas histórias, boas personagens ou grandes livros. Esta é a trilogia que darão aos vossos filhos para ler quando eles acabarem Harry Potter mas ainda não tiverem idade para as Crónicas de Gelo e Fogo. Esta é a trilogia que viverá gerações e que relerá vezes sem fio.

7*

As minhas opiniões da série:
O Nome do Vento

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Opinião - A Rainha Predileta

Título Original: The Favored Queen: A Novel of Henry VIII's Third Wife
Autor: Carolly Erickson
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 272

Sinopse
 Filha de uma família nobre e ambiciosa, Jane Seymor é enviada como aia de Catarina de Aragão, a mulher de Henrique VIII. Muito dedicada à rainha, é com tristeza que Jane assiste às manipulações de Ana Bolena para se tornar rainha, que incluem o homicídio de alguém que sabia um segredo seu. Também Jane se torna vítima do ódio de Ana quando esta descobre o interesse do rei pela aia. Como Ana Bolena não lhe consegue dar filhos, o rei pede a Jane que seja a sua próxima rainha. Dividida entre o seu coração e a lealdade ao rei, Jane tem uma difícil escolha a fazer.


Opinião 
 Escritora de biografias e romances históricos, Carolly dedicou a sua escrita às grandes mulheres que marcaram a diferença, as suas épocas e a sua História. Entre as Czarinas da fria e opulenta Rússia, mulheres poderosas como Catarina a Grande ou Alexandra, a última das czarinas, a luxuosa Maria Antonieta, última rainha de França e descendente das Imperatrizes austríacas, as seis mulheres de Henrique VIII que em comum tinham o marido e a vivência nas intrigas da corte inglesa, a sua filha, Elizabeth, a mulher que subjugou um Mundo moldado às mãos dos homens e a sua rival e prima, Maria, destinada a governar toda a Europa, todas elas serviram de inspiração aos romances de sucesso de Carolly.

Vinte e cinco romances, aclamados pela crítica, bestsellers, foram a rampa para a carreira desta escritora, que tem passado meio despercebida pelo público português. Desenganem-se quem pensa que este é o seu primeiro livro publicado por cá pois os seus livros dedicados às czarinas já estão editados em português há algum tempo, pérolas a espera que os leitores lhes ponham a mão em cima.
Este livro é dedicado aos Tudors, mais propriamente a Jane Seymour, a menina bonita de Wolf Hall, a mãe do único herdeiro de Henrique VIII e a sua rainha predileta. Dama de companhia das duas rainhas que a antecederam, Jane veio continuar a tradição do rei casar com jovens inglesas de famílias não nobiliárquicas, tendo a sua família, os Seymour, subido na escala social como mais nenhuma outra família ascendeu neste reinado. A autora apresenta-nos a história da terceira rainha como se de um diário se tratasse, sendo Jane a narradora, o que nos proporciona uma visão mais pessoal e fechada dos acontecimentos. Jane é a personagem principal e é nela que se centra toda a história, sendo todas as outras personagens secundárias, com excepção daqueles que lhe foram mais ligados.
A surpresa desta narrativa foi o facto de ela começar ainda quando Jane era dama de companhia de Catarina de Aragão, o que nos permite conhecer a opinião, os amores e os ódios de Jane enquanto vê o reinado das suas antecessoras caírem e ascenderem e enquanto ela própria cresce e aprende mais sobre o mundo em que vive. Quem espera um detalhe pormenorizado da corte dos Tudor, pode, desde já esquecer essa ideia. Os detalhes históricos estão lá mas este é um relato pessoal dedicado em exclusivo à pessoa de Jane Seymour. A acção do livro decorre durante cinco ou seis anos mas ao leitor parecerá que o tempo nunca passa, que a informação é artificial, que a História foi deixada a um canto. Todos os momentos que marcaram o reinado de Henrique VIII são esquecidos na narrativa, sendo alguns deles falados superficialmente ou nem isso, deixando toda a emoção e força deste tempo de fora do livro, o que não ajuda a acção do livro que tende muitas vezes a ser parada. Esta parte deixou-me bastante desiludida pois esperava encontrar uma presença mais marcante de bastantes personagens esquecidas e de acompanhar o pensamento de Jane acerca dos grandes acontecimentos que terá vivenciado em directo e em primeira fila, o que ao não acontecer, tende a deixar a imagem que nada disso foi relevante ou que Jane nunca teve bem noção do quadro político inglês.
Enquanto retrato político e cultural, A Rainha Predileta não vos dará nada de novo, antes dar-vos-á muito pouco, enquanto quadro social, já é outra história. Se as mudanças religiosas e a política são esquecidas, a autora não se poupou às descrições das roupas e adereços, dos hábitos das rainhas ou do comportamento das suas damas de companhia, o que confere interesse a narrativa mas não brilho suficiente. Mas este livro não é, de todo, uma leitura perdida, apenas porque é uma visão muito própria de Jane Seymour. Neste livro ela não é apenas a doce jovem que conquistou o rei mas alguém humano, que pensa, que luta, que sente amor e ódio, que quebrou as convenções e que no fundo até tinha uma réstia de rebeldia e um respeito inafundável pela coroa.
O leitor poderá não pisar realmente o chão da corte mas acompanha a protagonista nas suas deambulações e pensamentos, nos seus problemas familiares e amorosos, no seu amor a uma rainha e no ódio a outra, conhecerá Jane como nunca pensou e é apenas nisso que esta leitura irá agradar aos amantes desta época. Carolly tem uma escrita agradável mas não profunda, as suas personagens são superfícies sem densidade e o seu relato demasiado conciso e diminuído. Sem ser a protagonista, apenas o seu irmão tem algum relevo mais significativo para a história e achei tanto Henrique, como Catarina e Ana muito estereotipados, sem grandes momentos ou diálogos, nada que realmente me deixasse satisfeita.
Esperava muito mais desta leitura, e se ela me agradou não foi, definitivamente, uma leitura perfeita, penso que com uma época tão rica e detalhada, a autora podia ter feito mais pois a simplicidade do livro irá espantar os leitores deste tipo de leituras, habituados ao estilo de Gregory. Penso ler outro livro da autora para tirar as teimas mas não me parece que se torne uma autora de eleição no género. 

4*

domingo, 18 de novembro de 2012

As Prendas de Aniversário e Experiência com Ebooks

Acedendo aos pedidos histéricos e longa wishlist aqui da je, os amigos e os paizinhos decidiram fazer-me uma menina feliz e ofereceram-me estas três prendinhas fantásticas.


Cinder, Melissa Meyer (oferecido pela tia mais nova)
A Culpa é das Estrelas, John Green (oferecido pelos melhores amigos do mundo com dedicatórias para recordar na posterioridade) 
 

O Kobo Touch foi oferecido pelos paizinhos com esperança que eu nem estrague livros ao trazê-los na mala, que treine o inglês e que poupe um bocadinho mais em livros.

Esta segunda prenda não vai substituir os livros físicos na minha vida, isso parece-me impossível mas irá de certeza fazer-me muita companhia no caminho para a faculdade e nas viagens longas e férias, uma vez que não sou fã de andar com os livros atrás de tanto medo que tenho de estragá-los. Vai servir também para ler livros que estão na minha wishlist mas que ainda não foram traduzidos e por isso servirá para treinar o meu enferrujado inglês e visitar o Goodreads quando não estiver em casa. Estou principalmente viciada no Sudoku e em criar prateleiras para os muitos ebooks que já tenho. Veremos como vai esta experiência correr...
Com ele veio (oferta da mãe) um primeiro livro de uma saga que quero há muito ler:





Por agora, estou entusiasmada com esta nova aventura!



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Opinião - Raptada

Título Original: Wither (#1 O Jardim Químico)
Autor: Lauren DeStefano
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 256

Sinopse
 Graças à ciência moderna, todos os recém-nascidos são bombas-relógio genéticas - os homens só vivem até aos vinte e cinco anos e as mulheres até aos vinte. Neste cenário desolador, as raparigas são raptadas e forçadas a casamentos polígamos para que a raça humana não desapareça. Levada pelos Colectores para se casar à força, Rhine Ellery, uma rapariga de dezasseis anos entra num mundo de riqueza e privilégio. Apesar do amor genuíno do marido Linden e da amizade relativa das suas irmãs-esposas, Rhine só pensa numa coisa: fugir, encontrar o irmão gémeo e voltar para casa.

Mas a liberdade não é o único problema. O excêntrico pai de Linden está decidido a encontrar um antídoto para o vírus genético que está prestes a levar-lhe o filho e usa cadáveres nas suas experiências. Com a ajuda de um criado, Gabriel, pelo qual se sente perigosamente atraída, Rhine tenta fugir no limitado tempo que lhe resta.


Opinião 
 Começou por escrever pequenas coisas nos menus infantis dos restaurantes, que guardava na mala da mãe para nunca perder as pequenas histórias que escrevi quando estava entediada. Mais tarde, uma professora entusiasmou-a a pensar numa carreira literária. Estava no quinto ano. Lauren DeStefano sabia que queria escrever, que contar histórias não era um hobbie mas algo para a vida e isso levou a tirar um curso de Escrita Criativa e a terminar o seu primeiro manuscrito completo, que depois de 140 rejeições, foi aceite numa editora e em 2011, o primeiro livro de Lauren era uma realidade.

Raptada surgiu do nada, de uma notícia vista na televisão sobre alterações genéticas, do fascínio da autora pelo pensamento da Natureza poder ser alterada e do que aí poderia advir, da imaginação de uma rapariga curiosa, até se tornar numa das distopias mais faladas do momento. Nomeado para o prémio ALA Teen’s Top Tem Award 2012, foi receptor de várias críticas positivas, incluindo da autora de Floresta de Mãos e Dentes e já foi traduzido para 26 línguas.
Esta não é uma obra-prima, nem me parece que vá causar o caos como outras séries deste género mas é um livro que os fãs das distopias vão saborear se o lerem de mente aberta e sem ânimo leve, pois esta é uma caixinha de surpresas não muito espalhafatosa, antes uma leitura que se entranha e se espalha pela nossa mente, pelo nosso coração, que nos faz reflectir e sentir em grandes medidas. Este livro tem uma escrita simples, todo ele é tal e qual o mundo que autora criou, a própria escrita dela reflecte o que é este novo mundo, do que foi ele construído, quais são os seus alicerces. Parecer-vos-á muitas vezes superficial, antagónico, cruel, e aí está a essência que torna este livro algo muito maior do que eu estava a espera. A história que irão ler, está inscrita no world building, nas personagens, nas descrições, nos próprios sentimentos que a leitura transmite, tudo isto transmite e é sinónimo daquilo que Raptada realmente é.
A ideia da vida acabar quando para nós mal começa, devido à ambição humana de se tornar perfeita, é uma ideia cruel e dolorosa e enquanto o leitor se revolta contra esta ideia, se enfurece contra um destino provindo da nossa superioridade científica, assistirá à aceitação das personagens que a sua vida é curta, que em pleno auge da beleza, rapazes e raparigas murcharão, que crianças serão criadas sozinhas, abandonadas, compradas, que a sua realidade rapidamente terminará e que cedo, muito cedo, se tornam demasiado maturas para encararem este mundo tão superficial, tão belo, tão cruel. Tudo isto é nos transmitido sem grandes arrebatamentos de fúria mas antes como algo que faz parte da realidade das personagens pois elas apenas conhecem este mundo, esta forma de vida e o nosso mundo é um sonho, histórias irreais para serem contadas à noite aos filhos. Assustará por vezes, assistir a crueza desta rotina, à forma como o ser humano é capaz de se adaptar a formas de vida antes impensáveis, como aceita o seu curto destino sem se atrever a acreditar, a ter esperança, conceito este que morreu há tanto tempo que já nem se sabe o que significa.
Através da evolução científica, a autora toca noutros temas como a poligamia, o culto, o tráfico humano, a disparidade entre classes sociais, a liberdade, unindo todos estes pontos de forma a criar uma trama credível, que dentro de um único espaço, se vai desenvolvendo a nossa volta, dando-nos novas perspectivas sobre estes temas, criadas conforme esta história se vai abrindo e alcançando-nos. Tudo nos parecerá falso, artificial, demasiado perfeito, quase como uma casa de bonecas, onde todas são lindas, exóticas e diferentes, quase como dondocas sem nada para fazer sem ser ler, conviver e ir a festas enquanto por dentro exasperam, desejam mais, querem mais.
Ninguém poderá entender este livro sem olhar para as suas personagens, estas quatro raparigas tão diferentes que partilham um destino e um marido. Cada uma delas representa uma visão, uma forma de estar e todas se complementam. São quatro raparigas em fases diferentes da idade, umas mais perto e outras mais longe da morte mas todas a olharem para essa meta como uma bomba-relógio. Por trás das faces de bonecas, escondem-se desejos, lutas, passados, entes queridos, verdades escondidas e mentiras descaradas, todas provêm de situações sociais diferentes e cada uma delas tem uma maneira de conviver com a sua nova vida. Rhyne é uma protagonista e uma narradora à altura, cheia de defeitos, sem a doçura e a sensibilidade mas uma vontade louca de ser mais, de ser feliz pelo tempo que lhe resta. Não é crédula mas no meio de toda a sua dureza, a inocência de quem sempre viveu à parte consegue conquistar-nos, pois ela é uma ponte entre dois extremos que tentará de tudo para não ruir.
Sendo um livro juvenil, também este tem um casal e uma história de amor mas esta é diferente de tudo o que leram no género, primeiro porque é algo de secundário na narrativa e por vezes chega a soar a lago forçado, o que é desculpável por ser o primeiro livro da autora, e segundo porque este é um amor diferente dos outros, inocente, doce, insuspeito, feito de pequenos gestos e atitudes, quase como um namoro à antiga mas no futuro. É um romance que nos faz torcer pelas personagens mas que não vai tirar a nossa atenção do resto do enredo nem monopolizar-nos ao longo da leitura, é mais um acessório necessário ao próximo livro.
Confesso que aguardo o próximo livro com expectativa, quero ver até onde Rhyne irá, se haverá antídoto, como é o resto deste mundo artificial, quero saber mais, pronto. Fiquei curiosa, enternecida, enfurecida. Li o livro rapidamente e senti-me satisfeita no fim da leitura e isso é sempre o que importa. Este pode não ser um livro brilhante mas é um livro que merece ser lido e apreciado, quer pelos fãs de distopias, quer pelos de ficção-científica que não se importem de ler algo mais leve, quer por qualquer um que goste de livros juvenis. 

6*

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Teaser Tuesday (40)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro



"O meu casamento é hoje. Hoje. Não posso fugir, não consegui abrir uma única janela, nem sequer consegui ver o lado de fora desta casa horrível. "
p. 37, Raptada, Lauren DeStefano

Rubrica original do blog Should Be Reading