sábado, 8 de dezembro de 2012

Opinião - Paixões Secretas

Título Original: Envy (#3 Princesas de Nova Iorque)
Autor: Anna Godbersen
Editora: Presença
Número de Páginas: 280

Sinopse
Este terceiro volume da série As Princesas de Nova Iorque tem início após o emocionante regresso de Elizabeth Holland. Manhattan espera ansiosamente que ela retome o seu lugar nos píncaros da vida social. Contudo, Elizabeth tem outros planos e recusa-se a retomar o seu lugar ao lado da irmã, Diana, começando a levantar dúvidas sobre o que se passará por detrás das portas da mansão da família Holland. Entretanto Henry e Penelope são agora o casal sobre o qual convergem todas as atenções, mas apesar do brilho do anel de diamantes no dedo de Penelope, os recém-casados pouco mais partilham além de um mútuo desprezo. Caroline Brand, a ambiciosa amiga de Penelope, é agora a rica herdeira na mira da imprensa. Na verdade, para Caroline nada está garantido, sobretudo desde que alguém anda a passar certas informações aos sequiosos jornalistas... E assim se vai desenrolando a vida das classes altas na Nova Iorque em finais do século XIX, as faustosas aparências escondendo segredos inconfessáveis, amores proibidos, inveja e traições...
Anna Godbersen faz uma admirável reconstituição da época e cativa os leitores numa trama onde os amores podem nem sempre ter um final feliz mas a que não falta a sagaz perspectiva de humor.

Opinião
Nascida em 1980, Anna esteve sempre ligada a literatura de alguma forma. Estudou Escrita Criativa e Inglês na Barnard College, fez crítica literária no website da revista Esquire onde era também assistente do Editor Literário, trabalhou também no The New York Times mas foi pelo seu sucesso como escritora que ficou conhecida. Em 2007, o seu primeiro livro, Rebeldes, foi publicado e tornou-se num bestseller rapidamente. Actualmente tem cerca de 30 edições e foi o primeiro volume de uma série que tem arrebatado os fãs de Gossip Girl e Edith Wharton, por juntar romance de época com as intrigas, rumores e segredos que giram a volta do público feminino da sociedade alta nova-iorquina.

A viver em Brooklyn com o marido, a autora tem em mãos uma nova série que se situa no final dos loucos anos 20 americanos mas a série As Princesas de Nova Iorque continuam em alta. Depois de Rebeldes ter estado quatro semanas na lista de bestsellers do The New York Times e do impacto que causou nos leitores, em 2011 os produtores de Gossip Girl anunciaram a adaptação cinematográfica da série pelas suas mãos.
Depois de um volume recheado de revelações e acontecimentos inesperados, Paixões Secretas chega-nos rodeado de glamour, intriga e decepção, onde nada pode ser dado como adquirido, onde o amor é um luxo e a confiança um erro, onde a ascensão é rápida mas a queda pode ser fatal. Numa sociedade em que os rumores podem destruir sonhos, onde o dinheiro combate a tradição, quatro jovens partilham o estrelato num palco em que a inveja corroí a beleza e a rivalidade entre elas é um jogo de sorrisos falsos, conspirações e chantagens, onde as regras só se cumprem nas aparências. Godbersen transporta-nos, mais uma vez, para a Nova Iorque do virar do século, que representa um retrato cínico e ostentoso das classes altas, numa narrativa cheia de brilho e rebeldia que fará o leitor devorar com avidez cada uma das suas páginas, ansioso por descobrir todos os segredos que se escondem por trás de espelhos dourados e debaixo dos dosséis de princesa. Esta é uma série onde as ilusões são feitas de vestidos e jóias elegantes, onde uma face angelical pode ser uma máscara para uma alma indomável e, cada palavra, cheia de segundos sentidos, revela-nos sentimentos inesperados, segredos impróprios e traições vis, que agarram a atenção do leitor e aguçam a sua curiosidade, levando-o a partilhar tristezas e desilusões, alegrias e esperanças, enquanto os vestidos roçam os chãos imaculados de mármore, as carruagens levam-nos numa fuga ao destino ou a um encontro apaixonado e as escrevaninhas escondem cartas que nenhum olhar pode ver. De bailes e jantares até a privacidade dos quartos e salas familiares, as nossas jovens são movidas por ambições diferentes e nenhuma aceitará a derrota, ignorando tudo e todos para atingirem os seus objectivos. Vitórias certas são quebradas por actos de coragem, as derrotas podem ser salvas por coração e acções impetuosas podem condenar uma reputação. Tudo depende das palavras certas, do tamanho dos sorrisos e a quem se dá a mão porque confiar na pessoa errada é dar-lhe trunfos para a própria condenação.
Cada uma das nossas protagonistas é uma jóia de valor incalculável e cada uma delas tem fraquezas, desejos, vontade própria e uma mente arguta que as leva a lançar os dados e a apostarem tudo o que têm num tabuleiro de aparências, mentiras e falsas amizades. Sonhadoras, lutadoras e ambiciosas, movidas por amor ou poder, liberdade ou estatuto, elas cruzar-se-ão em encontros emocionantes, conspirarão envoltas em sedas e veludos e vão surpreender sempre com a sua desenvoltura, espírito sobrevivente e ideais. As acções das nossas protagonistas são recheadas de emoção e, planedas ou impulsivas, terão consequências que podem alterar o destino de cada uma. Num cenário de riqueza, luxo e falsidade, cada gesto é medido, cada passo em falso pode custar mais do que se está disposto a pagar.
O seguidor da série poderá ficar admirado com as mudanças ocorridas neste volume e no quanto as personagens cresceram e aprenderam. Cada momento terá um clímax surpreendente, levando as personagens por caminhos inesperados e desenvolvimentos que arrebatarão a atenção do leitor. A escrita de Anna é fluída, cheia de vida e ironia, jovem e arisca, conquistando adolescentes ou mulheres sonhadoras e levando-nos a todas para um cenário de brilho e luxo. Uma série nitidamente feminina, As Princesas de Nova Iorque prime pela argucidade e inteligência das suas personagens femininas mas não deixa de ter em atenção os jovens que fazem os corações das nossas Misses bater, imprimindo em cada um deles o espírito de uma época de abusos, vícios e normas.
Cada vez gosto mais desta série e é com um sabor agridoce que me apercebo que só falta mais um para Elizabeth, Penelope ou Diana ficarem a conhecer o que o destino lhes destinou. Rezo para que o livro chegue rápido mas ao mesmo tempo sei que queria mais tempo nesta sociedade. É um dilema que todo o leitor sente quando está satisfeito com o que lê.
Na idade da inocência, nenhum deles é inocente, nenhum está seguro das maledicências e amar é um crime contra as convenções. Numa série de luxo, Godbersen é uma aposta para os que gostam de romances de época numa vertente mais juvenil mas que não deixa de ter qualidade e que conquista ainda mais o leitor com cada livro. Prestes a chegar ao fim, a publicação do último volume ainda está no segredo dos deuses mas os fãs aguardam com expectativa, aquele que será um dos finais mais emocionantes de sempre.

6*

As minhas opiniões da série:
Rumores

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

From Pages to a Movie *Anna Karenina*


Depois de cinco longos meses de espera, uma leitura absolutamente soberba e quase a dar-me um colapso, treco, o que lhe quiserem chamar, eis que finalmente Anna Karenina fez a sua estreia nas salas de cinema.
Há uma semana que já tinha tudo combinado para ver o filme no dia de estreia, a sessão estava escolhida desde que saíram os horários e ontem passei todo o dia numa ansiedade crescente que só se acalmou quando a sala escureceu. Quando isso aconteceu, a dor nos pés, a dor no ombro, o cansaço, tudo desapareceu num instante e os meus olhos só se desviaram da tela no intervalo para me assegurar que o bestie estava a gostar do filme e não me ia matar por depois de um dia intenso de faculdade o ter arrastado para ali. A sorte é que ele estava a gostar mas, de certeza, eu devia extrapolar felicidade por todos os poros.

O filme não começou como estava a espera, mas a originalidade da criação de Wright arrebatou-me na questão de segundos em que percebi que não ia ser um filme como os outros. A sequência das imagens, a música russa de fundo tão absolutamente maravilhosa, o facto de terem sido seleccionadas as minhas cenas preferidas do livro, o guarda-roupa tão belo, aqueles cenários que me fizeram os olhos brilhar, poderiam me ter provocado mais um colapso se não estivesse tão feliz pregada a cadeira e atenta ao ecrã.
Em cada cena, o realizador conseguiu extrapolar a beleza e a profundidade dos sentimentos das personagens de Tolstoi, da forma como ele via a sua sociedade, das ironias que ele colocou a vista no seu livro...nada do espírito e da emoção de Anna Karenina foi esquecido. O elenco de luxo surpreendeu-me por ser exactamente aquilo que eu esperaria das personagens, e apesar de ter sido a única coisa que não foi uma surpresa, foi sem dúvida um dos pontos altos do filme pela fidelidade ao livro. Keira, mais uma vez, é assombrosa e estou a fazer figas para que seja desta que venha o Óscar (espero muitas nomeações para além desta já agora), Johnson foi uma revelação surpreendente e cada vez mais gosto do desgramado do Matthew Macfadyen, cada papel representado por ele é algo bem feito, muito bem feito. Apesar de não ser fã do Law ele surpreendeu-me pela positiva e foi extremamente fiel à personagem. Quanto ao resto do elenco, a minha Michelle aparece pouco mas bem como sempre e não foi a única representante de Downtown  Abbey no filme! O mais conhecido por vós como Bill Weasley, merece vénia, ovação e uma salva de palmas daquelas até ficarmos com as mãos dormentes, foi tão bom, tão bom que eu até lhe perdoei ter casado com a tonta da Fleur. Não conhecia a Alicia mas ficou de parabéns pela sua Kitty mais que convincente. 
O engraçado é que houve uma actriz que eu conhecia mas não sabia de onde e andei a puxar pela cabeça e não é que a Dolly é o Peter Pan no À Procura da Terra do Nunca?? Ah e a Helena Ravenclaw! Mistério resolvido.


Depois de todas as emoções, dores no coração e duas horas e qualquer coisa, eu lá saí da sala do cinema tão feliz que só me apetecia voltar para trás e ver tudo outra vez. 

Para quem estiver curioso não só como o filme, deixo-vos a minha opinião do livro para vos tentar mais um bocadinho

Anna Karénina

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Opinião - Tabu

Título Original: Taboo (#2.5 Albright Sisters)
Autor: Jess Michaels
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 240

Sinopse
 Ao perderem-se no êxtase erótico que volta a renascer entre eles, Nathan Manning, conde de Blackhearth e Cassandra Willows, a mais famosa costureira de Londres e criadora de "brinquedos" sexuais, estão a tentar a sorte - ficando vulneráveis a um passado que ainda ameaça destruir as suas vidas e a sua paixão; à mercê de segredos sombrios e tácitos que são chocantemente, perigosamente… tabu.

«Jess Michaels superou-se novamente! Este livro vai atrair os leitores desde a primeira página e não os largará até à sua conclusão maravilhosa. É uma leitura obrigatória para os fãs de romance histórico sensual.»
Romantic Times

«Tabu é uma peça de ficção estelar… Jenna Petersen, escrevendo sob qualquer nome, continuará a ser uma das minhas autoras preferidas por muitos anos.»
Rakehell


Opinião 
 Quando começou a escrever em 1999, incentivada pelo marido que só queria que ela fosse feliz, Jess Michaels estava longe de imaginar que um dia, depois de muitas lágrimas e rejeições, seria reconhecida como a Estrela do Romance Sensual. Autora de trinta e sete livros, a autora escreve em vários géneros de literatura, usando um pseudónimo para cada um. Jess Michaels é um dos seus três pseudónimos, Jenna Petersen é usado nos seus romances históricos e Jesse Petersen nos seus livros de fantasia urbana, enquanto este aparece nos seus romances sensuais, pelos quais já ganhou vários prémios e sendo muitos deles bestsellers. Para além de escrever, a autora cria joalharia e é conhecida pelo seu site para aspirantes a escritoras, o Passionate Pen.

Finalista na categoria de Melhor Romance Sensual nos Australian Romance Readers Awards, Tabu é o primeiro livro da autora publicado por cá e faz parte de uma série, apesar de se poder ler isoladamente, visto não ter qualquer relação com as protagonistas dos outros livros. Chamado de «peça de ficção estelar», este livro é, realmente, «demasiado quente para se largar».
Este não é um género que prolifere na minha estante, muito culpa das más experiências anteriores e por ansiar sempre que este tipo de livros consiga ser mais do que o mesmo, pois geralmente não passam de longas descrições sexuais sem outro tipo de conteúdo ou história, pra os quais não tenho muita paciência. Mas, surpresa, surpresa, Tabu é um livro erótico em toda a acepção da palavra e tem uma história, com cabeça, tronco e membros e ainda consegue ter um bocado de originalidade no género, o que é quase um milagre.
Escrito de uma forma bela, crua e sensual, que consegue transmitir sensações através das páginas, capaz de provocar um sorriso maroto e umas quantas faces coradas ou, até alguns afrontamentos, sem deixar de ter qualidade, Tabu é arrojado e único, um livro que desperta os sentidos e acelera o coração numa miríade de descrições que vão chocar e tentar qualquer leitor que tenha coragem de pegar neste livro. Não escondendo aquilo que é, um romance histórico erótico, não deixa também de ser um hino à luxúria, ao amor, a paixão e ao desejo, onde as emoções que duas pessoas podem causar uma a outra são exploradas de uma forma humana e poderosa, onde não há dúvidas que o tempo, as mentiras e os segredos não conseguem abalar os grandes amores.
Grande parte deste livro centra-se na relação sexual dos protagonistas, na forma como a atracção mexe com eles, como a tentação pode quebrar as vontades mais férreas e como a marca de uma alma gémea pode ficar impressa num toque, num beijo, num suspiro. Recheadas de erotismo, estas cenas mais fortes, onde não faltam apetrechos, vão desde a brutalidade a doçura, do desejo obsessivo ao amor mais doce e, se no início, parece que a narrativa não vai evoluir, a autora surpreende-nos ao ceder em pequenos momentos, ao alterar, pouco a pouco, os sentimentos dos protagonistas e a concentrar-se mais na parte romântica da sua relação, o que altera toda a nossa visão do livro e apimenta ainda mais o nosso interesse por ele.
Ponto-chave deste livro são, sem dúvida, os protagonistas. Atormentados, apaixonados e irreverentes, são duas almas fortes, há muito zangadas e perdidas, onde o espírito de vingança impera e a busca pelo perdão e pelo amor está a demasiado tempo enterrada. Cassandra é uma força da natureza, alguém que conquistou tudo, menos o que sempre desejara, e que por portas travessas, realiza fantasias e foge de todos os bons costumes. Já Nathan, é um sobrevivente que busca uma vingança e fará de tudo para a ter. Juntos são um par explosivo, ansioso e extremamente apaixonados, que vão guerrilhar até ao fim pela rendição do outro.
Um livro que se revelou melhor do que estava a espera, Tabu é um ataque as regras, irreverente e cheio de detalhes deliciosos, que vão fazer o leitor vibrar e suspirar na mesma medida. Capaz de passar das palavras brutais ao gesto mais carinhoso, este livro representa a linha ténue entre o amor e o ódio, entre a omissão e a mentira e a vingança e a obsessão.
Para as aventureiras, para as românticas, para quem está farto do género, para quem adora, para quem não gostou ou experimentou, este é o livro que todas deviam ler, nem que seja para comprovarem que Jess é mesmo a estrela do romance sensual.


6*

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Entrevista no Tertúlias

Meninos e meninas,

O Chaise Longue deu a primeira entrevista! E o mínimo que posso fazer é compartilhá-la com todos aqueles que me seguem e me aturam. Muito obrigada por estarem aí todos os dias, a ler as minhas palavras!

Podem consultá-la no blogue Tertúlias à Lareira , ao qual devo um grande agradecimento, primeiro por a Marina se ter interessado no meu blogue o suficiente para me fazer o convite e depois pelas suas perguntas pertinentes. Muito obrigada pela tua atenção Marina e pelo excelente texto.

Estão curiosos? Querem saber, por exemplo, porquê o nome Chaise Longue?

Então espreitem!

Entrevista




sábado, 1 de dezembro de 2012

Opinião - Shadowfell

Título Original: Shadowfell (#1 Shadowfell)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 384

Sinopse
 Na terra de Alban, onde o jugo tirânico de Keldec reduziu o mundo a cinzas e terror, a esperança tem um nome que só os mais corajosos se atrevem a murmurar: Shadowfell. Diz a lenda que aí se refugia uma força rebelde que lutará para libertar o povo das trevas e da opressão.

E é para lá que se dirige Neryn, uma jovem de dezasseis anos que detém um perigoso Dom Iluminado: o poder de comunicar com os Boa Gente e com as criaturas que vivem nas profundezas do Outro Mundo. Será Neryn forçada a fazer esta perigosa viagem sozinha? Ou deverá antes confiar na ajuda de um misterioso desconhecido cujos verdadeiros desígnios permanecem por esclarecer?

Perseguida por um império decidido a esmagá-la e sem saber em quem pode confiar, Neryn acabará por descobrir que a sua viagem é um teste e a chave para a salvação do reino de Alban pode estar nas suas próprias mãos.


Opinião 
 Esta é a senhora da Fantasia, isso é um facto que poucos se atrevem a discutir pois desde que publicou a sua primeira trilogia e, a mais famosa, Sevenwaters, Juliet tornou-se um marco neste género e uma das autoras mais amadas mundialmente pelas suas histórias cheias de mitos, folclore e História, onde a magia se une aos contos para dar ao leitor uma experiência que ninguém conseguirá igualar e que todos irão recordar.

Licenciada em Música e Línguas, a autora neozelandesa nunca esqueceu as suas raízes e a cultura gaélica-céltica sempre fez parte da sua vida e é o maior componente das suas histórias, a verdadeira raiz da sua imaginação e, por isso, ler um livro seu é como ouvir um bardo a cantar uma cantiga antiga sobre heróis lendários, poderes ancestrais e manhas do destino, onde o três e o sete são números mágicos, onde as histórias para adormecer crianças vivem lado a lado com os homens e o Bem pode sempre vencer o Mal. Depois de algum tempo em que apenas escreveu sobre o mundo de Svenwaters, a autora surpreendeu os fãs e, este ano, publicou Shadowfell, o início de uma nova trilogia que promete, mais uma vez, conquistar os leitores e trazer a magia aos nossos corações.
No negrume de um mundo em queda, onde as palavras são pensadas e os actos podem levar à morte, onde ser diferente é um desafio ao poder e todos nos podem renegar, Neryn está destinada a lutar sozinha, a percorrer caminhos abandonados e a mostrar que a coragem e a inocência podem reverter a sua vida e o destino de todos. Como sempre, abrir um livro de Marillier é entrar num novo mundo, cheio de encanto, magia e lendas, que se apodera de nós e nos aconchega como um conto que nos recordará as noites da nossa infância, quando cada história era uma lição e cada final feliz era merecido. As palavras da autora enfeitiçam-nos, embalam-nos qual canção antiga de quem já ninguém se lembra da origem. Tão diferente mas, ao mesmo tempo, tão igual às histórias com que Juliet nos conquistou, Shadowfell é um voltar a casa, uma lufada de ar fresco e uma leitura tão bem-vinda quanto o regresso de um amigo chegado.
Através da musicalidade da sua escrita, do seu dom para contar histórias, Juliet leva-nos pela floresta, por entre lendas e fantasia, e mostra-nos criaturas que só vivem nos nossos sonhos, relembra-nos a essência do Bem e do Mal e mostra-nos que a linha entre ambos é tão ténue quanto a bruma, numa demanda onde a bondade, a partilha e a ânsia andam de mãos dadas em busca de um futuro melhor. Longe da imponência de Sevenwaters, este livro tem uma luz própria, uma simplicidade intrínseca que faz dele algo de maravilhoso e belo, onde o poder da amizade e da confiança podem afastar as sombras e construir a esperança de forma sólida e frutífera. Na corrida pela sobrevivência, valores são postos a prova, criaturas lendárias ganham vida, inimigos podem ser amigos e, cada momento, pode decidir qual o caminho e se a profecia será ou não cumprida. Entre provas de coragem, a solidariedade pode fazer a diferença e, mesmo na adversidade, quando existe uma centelha de generosidade, o equilíbrio pode ser testado e alterado.
Acompanhar Neryn pode ser uma viagem solitária mas nunca, em momento algum, eu consegui obrigar-me a pousar este livro, pois cada revelação, cada prova, era um momento de cortar a respiração, cada impasse era capaz de fazer o meu coração bater mais depressa, os meus olhos arregalaram-se de espanto do início ao fim deste livro pois ele contém uma beleza e doçura de que só Juliet é capaz. Numa dualidade singular, o ambiente desta narrativa tanto pode ser charmosa como cruel, o dia pode significar um frio de gelar os ossos e a noite pode vir como um abraço de apoio. A natureza pode ser maldosa mas também pode simbolizar protecção e mesmo em momentos de felicidade as sombras nunca estão longe. Sente-se em cada expressão tanto uma mão carinhosa a ajudar Neryn como o bafo intrépido da maldade a persegui-la. Tudo é intenso, um chamamento para algo maior, algo que irá mudar o destino de tudo e todos.
As personagens marillianas nunca perdem a sua profundidade, podem ser tão claras qual um lago límpido como tão distorcidas quanto as sombras de uma gruta profunda. Neryn é uma protagonista bem ao estilo da autora, um símbolo de bondade, coragem e força, tão humana e insegura como qualquer jovem de quinze anos. Quanto ao Flint, o meu ponto preferido deste livro, ele é profundo, dedicado e misterioso e traz com ele muitos dos momentos mais impressionantes, conquistando-me desde o início. Já os Boa Gente são incríveis, inesperados e tão mágicos que qualquer momento com eles está cheio de significados, duplos sentidos e muitos mistérios. Cada personagem é um motivo para gostar deste livro, e cada uma delas é uma surpresa, capazes dos maiores actos de benevolência como da mais total entrega ou disciplina, cheios de truques e enganos, transparentes, verdadeiros e totalmente irresistíveis.
Um dos livros mais desejados do ano, Shadowfell é a leitura obrigatória para marillianos e amantes da fantasia. Encantou-me, prendeu-me e conquistou-me com cada palavra, tornando-se uma das melhores leituras do ano. É o livro que vão devorar, que vai enternecer-vos e do qual vão esperar a continuação como se a vossa vida dependesse disso. Leiam-no, não esperem por amanhã.

7*

Aquisições do Mês *NOVEMBRO*

Este foi outro mês cheio de emoções! Desde o meu aniversário ao lançamento de mais um livro de Juliet Marillier e muitos mimos do pessoal e, até ganhei dois passatempos, eu que não ganho nada há sabe-se lá quanto tempo, posso dizer que foi não só um mês de muitas leituras e movimento aqui pelo blogue como houve algumas aquisições muito especiais.
Para além disso, aproveitei promoções, que está a chegar o Natal e as livrarias tornam-se mais simpáticas e já aqui estão algumas prendas de Natal adiantadas, sim, sim! Obrigada avôzinho e avózinha do meu coração!
Apresento-vos sem mais delongas, eles:

 

Promoção Porto Editora:
Divergente, Veronica Roth *Opinião*
Incarceron, Catherine Fisher
 

Passatempos:
Magia e Sedução, Alice Hoffman
(muito obrigada ao Portugal Creative)
Predestinados, Josephine Angelini
  (muito obrigada à Joana do Histórias de Elphaba)


Prendas de Natal adiantadas:
Lauren Kate
Paixão
Êxtase
(Lembrar-se-ão que fiquei desapontada com o Tormento mas raios eu quero saber como isto acaba! e tenho dito!)
 

Ainda Prenda de Natal:
Halo, Alexandra Adornetto
(sim sim eu comprei porque alguém gostou =p)
 

Shadowfell, Juliet Marillier
(Por fim mas nunca em último *.* Será a primeira opinião de Dezembro, estejam atentos!)

Quanto às prendas de anos, podem vê-las neste post:
As Prendas de Aniversário e Experiência com Ebooks

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Opinião - Transformar-se em Maria Antonieta

Título Original: Becoming Marie Antoinette (#1 Maria Antonieta)
Autor: Juliet Grey
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 351

Sinopse
 Criada pela formidável imperatriz da Áustria, com numerosos irmãos e irmãs, Maria Antónia, aos dez anos, já sabia que a sua existência idílica seria, um dia, sacrificada às ambições políticas da mãe, mas nunca lhe passou pela cabeça que a sua imolação fosse tão prematura. Antes de passar dos piqueniques em Viena, na companhia das irmãs, para o brilho, o fascínio e as bisbilhotices de Versalhes, Antónia tem de mudar por completo para ser aceite como Delfina de França e mulher do estranho adolescente que um dia será Luís XVI. Mas possui ela o engenho e influência necessários para se tornar rainha.

Opinião
 Apaixonada pela história das famílias reais europeias, Juliet Grey pesquisou tudo o que havia para pesquisar sobre as uniões, as intrigas e os segredos dos reis e rainhas que durante séculos, em salas fechadas ou salões de baile, decidiram o destino de vários povos e nações por actos de dedicação ou puro egoísmo mas, houve uma rainha que suscitou na escritora uma admiração que a levaria a escrever um livro sobre a sua vida. Desde princesa mimada a rainha guilhotinada, do Império mais poderoso da Europa para um reino em decadência, símbolo do poder antigo e vítima do novo espírito revolucionário, Maria Antonieta foi filha, esposa e mãe nas duas casas reais que dividiram o mundo antigo com o seu poder, os Habsburgo e os Bourbon.

Por mais que tenha descortinado a vida desta mulher em livros, filmes e aulas, tenha visto e revisto cada pormenor da sua época e da sua vida, não consigo deixar de me sentir fascinada com esta personalidade que, para o bem ou para o mal, se imortalizou na sua morte como um símbolo de um novo mundo, de um novo pensamento e de uma nova abordagem. Escandalosa, doce e apaixonada, Maria Antonieta foi recordada para a posterioridade como a causa de uma decadência que há muito corrompia a França, como culpada pelos crimes de opulência que toda uma corte cometia, como a austríaca cheia de moral e ironia que não conseguiu fazer com que um rei fraco se tornasse digno do seu trono. De menina a mulher, de arquiduquesa a delfina e, por fim, rainha, esta é a história da difamada e famosa Maria Antonieta, esposa de Luís XVI.
Através de uma escrita divertida, detalhada e cheia de brilho, Grey apresenta-nos uma menina de dez anos que será responsável pela união das duas casas reais mais poderosas da Europa, desde que é prometida ao Delfim de França até se tornar rainha. Da rigidez da corte imperial austríaca até à ostensividade da corte francesa, a autora leva-nos numa viagem decadente, brilhante e, muitas vezes, opressiva pela vida desta mulher que subjugada pela imponência da mãe e assustada com o seu destino delicado, viveu sempre com a certeza que não era perfeita, que tinha demasiados defeitos mas que teria de se superar para demonstrar a todos que era capaz de realizar os planos de dois monarcas e os desejos de duas nações.
Por entre pormenores da infância de Maria Antonieta, vamos conhecendo a sua família, a sua cultura e educação e quem era antes de se tornar rainha. Sem esquecer todos os que fizeram parte da criação e aperfeiçoamento da futura delfina, a autora delicia-nos com o rigor com que nos descreve a corte de Maria Teresa e a própria pessoa desta mulher que com mão de ferro governou um Império, teve dezasseis filhos, viveu múltiplas guerras e casou por amor, as personalidades dos irmãos mais chegados a Antonieta, as  nuances por trás de cada tratado, cada exigência e desafio que significava ser princesa. Na rigidez e moralidade desta corte, conhecemos as diabruras da arquiduquesa, os seus medos e anseios, vemo-la tornar-se uma jovem desafiante, doce e encantadora que teme o seu destino, espera honrar a mãe com todo o seu ser e caí no esplendor daqueles que rodeiam o seu futuro marido.
O contraste entre ambas as cortes vai surpreender os leitores e a autora consegue transmitir de uma forma brilhante, as diferenças existentes na pessoa de Maria Antonieta, que longe do controlo da família, vai tentar aprender a viver numa nova corte que, longe da simplicidade do seu berço, a vai ofuscar e tentar de todas as formas. Intriguista, sumptuosa e luxuosa, a corte de Luís XV vai ser o maior desafio da delfina e cada queda dada por uma jovem inexperiente, insegura e longe do lar que sempre conheceu, vai ensiná-la que por baixo do brilho existe decadência, por trás de um sorriso existe uma mentira e que em cada canto uma reputação pode ser destruída por uma palavra.
Assistir ao crescimento desta jovem vai ser pautado por muitos momentos de diversão, de pena e admiração, desde casa até Versalhes, Maria Antonieta conquista-nos com a sua ingenuidade, com as suas tiradas irónicas e jovens, pela forma como desafia as convenções mas não deixa de saber o que se espera dela. Caracterizada de uma forma soberba pela autora, ela cresce perante os nossos olhos, estrebucha e adapta-se, passa de menina tonta a mulher supérflua, ri-se nas adversidades e nunca desiste até mostrar que é muito mais do que todos pensam.
Cada personagem histórica é nos dada pela autora de uma forma humana, única e refrescante, longe do pedestal em que a História os colocou. Degradantes, venenosos, tontos, invejosos, toda a corte francesa nos vai deixar perplexos, irritar-nos e divertir-nos por entre momentos de uma simplicidade e detalhe que vão agarrar o leitor. Desde o inseguro Luís Augusto à berrante Du Barry, passando pela rígida Maria Teresa até ao conquistador Luís XV, Juliet dá-nos a História pela sua perspectiva, ridiculariza-os, humaniza-os, torna-os mais compreensíveis aos nossos olhos, descreve-nos a beleza e decadência de Versalhes, os rituais intermináveis, as intrigas e segredos, os vestidos e penteados, o dia-a-dia da corte mais invejada e admirada da Europa, numa visão que está longe da seriedade dos temas sérios mas que não deixa de ser realista.
O primeiro livro de uma nova trilogia, Transformar-se em Maria Antonieta é um livro cheio de brilho, com muita ostentação, um espelho da época e da mulher, que vai levar até os que não gostam de História a pegar neste livro e devorá-lo.


6*