terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Opinião - União

Título Original: Matched (#1 Matched)
Autor: Ally Condie
Editora: Edições Gailivro
Número de Páginas: 296

Sinopse
 Cassia sempre confiou nas escolhas dos Funcionários. É um pequeno preço a pagar por uma vida longa, um emprego perfeito, um companheiro ideal. Quando o seu melhor amigo aparece no ecrã da União, Cassia tem a certeza absoluta de que ele é o certo… até ao momento em que vê um outro rosto aparecer no ecrã, por breves instantes, antes de este ficar negro. Agora Cassia vê-se confrontada com escolhas impossíveis: entre Xander e Ky, entre a única vida que conhece e um caminho que nunca ninguém ousou seguir - entre a perfeição e a paixão.


Opinião 
No Outono de 2008, Ally e o marido tiveram uma conversa sobre o casamento e ele colocou a seguinte questão «E se alguém escrevesse o algoritmo perfeito para juntar as pessoas e o governo o usasse para decidir com quem casarás?». Esta pergunta nunca mais saiu da cabeça de Ally e depois de ter vigiado um baile de finalistas na escola onde dava aulas e ter pensado nas suas próprias experiências como apaixonar-se e ser mãe, a professora de Inglês decidiu dar vida às suas ideias e nove meses depois, União estava escrito e pronto para conquistar os leitores e a crítica. Primeiro livro de uma trilogia distópica venceu vários prémios como o YALSA’s 2011 Teens’ Top Ten e o Publisher’s Weekly’s Best Children’s Books of 2010.
Três anos depois, Ally é apenas escritora mas continua a actualizar a licença de professora não vá precisar e vive com o marido e os três filhos em Salt Lake City e continua a gostar de ler, comer, correr e ouvir o marido tocar guitarra. Apesar de apenas o primeiro livro estar publicado em Portugal, a trilogia já está completa depois do lançamento de Reached em Novembro passado.
De manhã à noite, eles decidem o que fazes, o que vestes, o que comes, quem és. Sabes quando te vais apaixonar e morrer. Não há percalços, expectativas ou surpresas, tudo está perfeitamente organizado. Mas e, se um dia, o teu olhar se desviasse do caminho certo, na direcção oposta? E se a dada altura, quisesses mais, desejasses mais, conhecesses mais? Numa Sociedade perfeita, sem doenças, fome, pobreza ou fealdade, Funcionários proporcionam-te escolhas, as suas escolhas, escolhas acertadas que te permitirão ter uma vida longa e feliz, com uma família e um emprego perfeitos. Escolhas que te fazem ser saudável, que desenvolvem a tua mente, que te fazem ser um ser humano excepcional. Aqui, tu não pensas, tu não falas e não escolhes e esse é o preço a pagar pela tua vida de sonho.
Num mundo onde palavras como destino não existem, Cassia anseia pelo dia em que saberá quem é a sua União mas o dia mais esperado da sua vida vai quebrar tudo em que acredita, tudo o que sempre pensou querer e terá que encetar uma corrida contra o tempo se quiser aproveitar todos os momentos de liberdade roubados. Cassia é uma protagonista inesperada, uma adolescente que apesar de criada em determinados moldes, acaba por não combater os sentimentos novos que a invadem e se muitas vezes pensa pela cabeça, é no seu coração que estão todas as respostas. Leal à família e aos amigos, depressa percebe que não é a única que guarda segredos e que nesta Sociedade os sentimentos de rebelião há muito que são feitos em pequenos gestos. Determinada, inteligente e doce, é uma protagonista perfeita que se vai salientar de muitas das protagonistas deste género. Ao contrário do que seria de pensar, União não tem um verdadeiro triângulo amoroso, apesar de Cassia estar unida à Xander mas não parar de pensar em Ky, mas não é por isso que ambos deixam de sobressair durante a leitura. Tão diferentes quanto parecidos, ambos os rapazes nos marcam, no entanto, a minha preferência vai para a Ky por todos os momentos marcantes que proporcionou ao longo do livro.
Através de uma escrita simples e envolvente, Ally vai nos conquistando conforme virámos as páginas, com momentos de grande carga emocional onde tudo pode acontecer, com pequenos gestos, com pequenos poemas. Toda a narrativa deste livro é tão lírica e bela que consegue impregnar-se em nós de tal forma que não o conseguimos largar sem saber o que irá passar-se a seguir. Revoltámo-nos com as imposições impostas, apaixonámo-nos pelas declarações e gestos, assustámo-nos e admiramo-nos com esta sociedade futurista onde as estatísticas é que decidem todos os nossos passos, que destruíram todo o que sobrou do passado excepto o que achavam certo para as pessoas saberem. Este é um sistema opressivo e totalitário futurístico que nos vai dar que pensar, onde o mais pequeno gesto, um gesto de amor e revolta, pode já ter sido adivinhado pelas patentes superiores, onde toda uma linda história de luta entre paixão e perfeição pode tornar-se o fim de todos os que os rodeiam.
Se este mundo não é o que parece, também as suas personagens não o são. Onde pensámos ver aceitação e bom comportamento, pode haver segredos, histórias escondidas e actos perigosos e cada personagem vai-nos surpreender por isso mesmo, porque debaixo da perfeição há muito mais do que os Funcionários desejam. Até os locais e objectos deste mundo podem ser mais do que aparentam, podem esconder memórias e lembranças, podem esconder um toque, uma palavra, um olhar, podem ser o único sítio seguro no meio da aparente paz.
Uma surpresa agradável, um livro inesperado foi o que União se revelou, deixando-me com pena de não o ter lido mais cedo e de não existir a continuação já a mão para eu saber o que se segue. Um livro que se destaca no meio das restantes distopias por a violência ainda estar tão embrenhada nos recônditos da Sociedade, um livro que é muito mais do que aparenta e que rapidamente vos vai conquistar.


4*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Opinião - A Rainha Corvo

Título Original: The Raven Queen
Autor: Jules Watson
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 568

Sinopse
 Depois de A Lenda do Cisne, Jules Watson traz-nos a continuação desta história deslumbrante de encantamento e desejo, baseada numa das mais incríveis lendas celtas, trazendo à luz a vida de Maeve, a Rainha Corvo.

Maeve nasceu para ser um joguete que o seu pai poderia usar como bem entendesse de forma a manter as suas terras em segurança. Forçada a casar-se, os seus desejos nunca foram respeitados. Mas o espírito livre de Maeve não irá suportar muito mais as maquinações do seu novo marido, Conor, o astucioso rei de Ulster. Quando a morte do seu pai deixa a sua terra natal à mercê de senhores gananciosos e das forças de Conor, Maeve apercebe-se de que precisa de usar o seu próprio poder de modo a travá-los.

Com perícia e inteligência, Maeve prova que é igual a qualquer outro guerreiro no campo de batalha e, para combater a perigosa magia dos mais antigos deuses, procura ajuda junto a Ruán, um druida errante, cuja paixão inesperada e estranha ligação ao mundo dos espíritos revelam a Maeve a verdade sobre si mesma, colocando-a em guerra com o seu dever e o seu destino.


Opinião
Nascida na Austrália e filha de pais ingleses, Jules Watson há muito que é fascinada por lendas Celtas e não foi difícil convencer o marido, escocês por nascimento, que precisava de viver no meio das brumas e terras altas da Escócia, cercada por magia e mitos senão morreria. Quando não está a escrever novos livros sobre histórias passadas e terras místicas, gosta de se sentar frente à lareira enquanto a chuva caí lá fora ou de ir ao pub local ouvir o marido tocar música típica escocesa.
O seu amor pelos Celtas influenciou não só a escrita como outras decisões da sua vida como a licenciatura em arqueologia, cujos conhecimentos usa para tornar os seus livros mais verosímeis. É, também, licenciada em Relações Públicas e já teve muitos trabalhos diferentes antes de se dedicar escrita, desde escritora freelancer à arqueóloga passando pelo trabalho nas minas e à consultora de relações públicas. Apesar de ter apenas dois livros traduzidos em Portugal, que apesar de independentes se relacionam com o mesmo ciclo mitológico celta, o ciclo de Ulster, a autora tem mais uma trilogia passada na Escócia do tempo da invasão romana, a trilogia Dalriada.

Situada no mesmo espaço de tempo que A Lenda do Cisne, a história da rainha Maeve partilha com esta a mesma beleza, o mesmo encanto e a mesma magia que apenas as lendas místicas são capazes de transmitir. Num tempo longínquo em que os mitos ganham vida, em que os filhos dos deuses caminhavam entre os homens e os druidas e os sidhé ainda tinham algo a dizer sobre o desenrolar da vida, uma mulher vai sobressair de entre a ira e a força bruta dos homens para unir o que a ambição do homem separa, para ser a personificação da Deusa, da Mãe e da Mulher entre o seu povo e o salvar e proteger da loucura trazida pela luxúria, pelo ódio e a inveja. Num relato, onde a astúcia, a coragem e o poder antigo ganham vida, guerreiros batalham pela justiça e pela glória, druidas concedem a vontade das estrelas e amores mortais nascem das brumas.

Com Deirdre, Maeve partilha um homem que lhes trouxe apenas infelicidade, dor e medo mas é aí que acabam as parecenças com a protagonista de A Lenda do Cisne. Usada como joguete nas mãos dos homens, incluindo o próprio pai, depressa aquela que foi rainha três vezes percebe que nunca será mais do que uma moeda de troca destinada a perder tudo o que ama e a ser subjugada à brutalidade, a menos que se insurja e lute por um lugar entre aqueles que tanto a fizeram sofrer. De donzela usada a guerreira lasciva, Maeve é capaz de tudo para não ver o seu povo submetido à vontade de um louco que a magoou mil vezes, mesmo que tenha de matar, mesmo que tenha de desistir dos anseios do seu coração, mesmo que tenha de se tornar a rainha fria e mortal que nunca quis ser. Por baixo da crueldade e astúcia do seu semblante, a Rainha Corvo esconde segredos obscuros, dores demasiado dolorosas, perdas que a marcaram tão fundo quanto o gume de uma espada e um amor que não aceita a ter ser tarde demais.

Tanto rainha guerreira renascida das lendas como mulher e mãe mortal, Maeve vai comandar toda esta narrativa com a mesma presença com que comanda os seus exércitos e nela teremos um vislumbre de todas as mulheres pois ela é a Mãe e a Deusa, ela personifica a feminilidade e a fertilidade em toda a sua força e garra. Nesta personagem, Jules consegue incorporar tudo o que significava ser mulher nesta época, desde o papel quase raro de mulher de armas ao de amante e mãe. Tanto doce como fria, tanto lasciva como controlada, Maeve é tudo isso, é tudo o que significa ser mulher.

Numa narrativa brilhante, onde mitos celtas, história e ficção se misturam com primor, a escrita de Jules é poderosa, evocativa de antiguidade, de sangue e misticismo. É de uma forma apaixonante que a autora dá vida a heróis de espadas, druidas, reis e rainhas, dando às suas personagens tanto divindade como humanidade, umas vezes tão perto de nós e outras tão inalcançáveis. Cheios de honra, lealdade e vontades próprias, cada um segue o caminho que acha mais correcto e cada um vai lutar até ao último suspiro por aquilo em que acredita. No decorrer desta leitura, muitas são as emoções que nos assaltam, desde à raiva ao medo, do orgulho à admiração, enquanto o desenrolar da vida típica de um povo nos é mostrado nestas páginas. Pormenores das crenças e religião celtas, da vida diária e da guerra, enriquecem este relato que dá vida a um dos mitos mais conhecidos deste povo, permitindo que vejamos para lá dos heróis que foram enaltecidos como escolhidos dos deuses. Entre batalhas sangrentas que evocam a coragem de tempos passados, uniões místicas cheias de profundidade e as demonstrações de poder dos reis, A Rainha Corvo é um hino à cultura mas principalmente, à essência do povo celta.

Forte em momentos marcantes e recheado de misticismo, este livro tem o dom de nos transportar para lá do passado e fazer-nos sentir o cheiro do mar misturado com os dos campos, faz-nos ver céus tão azuis como tumultuosos e ouvir os cânticos tanto de guerra como de amor que uma vez ressoaram pelas planícies de outros tempos. Uma obra digna da história que conta, A Rainha Corvo deve ser lido pelos que adoram lendas, pelos que se fascinam pelos Celtas e admiram aqueles que pelas mãos criaram o berço do nosso mundo.

6*

domingo, 13 de janeiro de 2013

Opinião - Os Dragões do Assassino

Título Original: Fool's Fate (#3.2 Tawny Man)
Autor: Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 440

Sinopse
 Os Dragões do Assassino termina uma das séries de fantasia mais épicas de sempre. Por uma vez, todos parecem estar unidos num único objetivo: chegar ao dragão Fogojelo, sepultado sob o glaciar de Aslevjal. Uns pretendem libertá-lo, outros querem matá-lo. O que será que vai acontecer? No meio está o Príncipe Respeitador, preso pela vontade de paz a um casamento que depende da morte do dragão, mas ligado pela Manha a quem quer devolver ao mundo aquela grande vida. O dragão de Vilamonte, poderá ter uma palavra a dizer? E o Bobo, que profetizara que morreria naquela ilha; morrerá? No centro do turbilhão, como sempre, encontra-se Fitz, sempre o fulcro, sempre o Catalisador, sempre o agente da mudança. Que surpresas, que reviravoltas no fluxo do tempo poderá ele ainda causar?

Opinião 

Aprendiz do Assassino viu nascer o sol em 1995 e seria o início de uma história que conquistaria tanto fãs como os escritores de fantasia e que teria terminado em 1997 com tudo em aberto se a autora Robin Hobb não tivesse tido pena dos fãs e se calhar, a mesma insatisfação e fome por regressar aos Seis Ducados, e não tivesse escrito uma segunda trilogia, uma continuação e, finalmente, um verdadeiro fim para a saga que a enalteceu como uma das escritoras mais consagradas da fantasia épica. Quase vinte anos depois e mais de um milhão de cópias vendidas, Fitz e companhia continuam a conquistar leitores por todo o mundo e as suas histórias continuam a povoar o imaginário de quem as acompanhou.

A aventura começou há mais de quinze anos, ou melhor, na minha mesa-de-cabeceira começou quase há dois mas parece que ainda ontem começou, que ainda ontem estava a ver aquele menino ser entregue a todo um mundo novo, cheio de perigos e amizades inesperadas, com o destino de uma lenda pela frente e, agora, o meu coração já pode descansar em paz e as saudades começaram a atormentar com o virar da última página pois, a aventura acabou. Terminar uma saga que nos é querida é o mesmo que dizer adeus a amigos chegados, é quase como sermos expulsos de um meio que é nosso. Por isso, fechar o último livro, traz sempre uma sensação agridoce, de mútua felicidade e tristeza.

O destino está outra vez entre a honra e o amor, ente um povo e um homem, entre o passado e o futuro mas agora as perdas podem ser demasiado grandes e tanto um caminho como o outro acarretam escolhas demasiado pesadas para serem suportadas. A realização de um desafio pode trazer a união ou a discórdia e neste momento todos estão tão unidos quanto separados porque as suas próprias escolhas, a sua própria vida, anseios e desejos podem ir contra o que deve ser feito e o problema é que um parece ter a resposta certa e essa resposta pode alterar tudo e fazer perder tudo. Último livro de O Regresso do Assassino, este é o livro das respostas, o livro em que o passado regressa, em que o perdão é pedido, onde revelações podem mudar a vida de todos e mais uma vez Fitz está no meio do rodopio que é a sua vida e os Seis Ducados continuam a depender dele. Será que desta vez ele será capaz de escolher e perceber que não se pode ficar pelo tudo ou nada?

Mais uma vez Hobb quase que nos mata de tanta emoção porque cada virar de página, cada parágrafo, podem trazer mais uma revelação, mais um regresso, mais um segredo desvendado. Os sentimentos fluem através das palavras e os leitores sentem cada dor, cada alegria como se fosse sua de cada vez que um reencontro acontece, de cada vez que mais uma vez algo se perde. Numa narrativa que prima pela acção, em que o clímax se estende por páginas, este é o final que todos esperávamos e que irá mudar a nossa visão desta história para sempre. A escrita da autora é bela e atormentadora, concisa e delicada mas cheia de uma força que nos vai agarrar e fazer tremer, que facilmente nos levará às lágrimas mas que também nos colocará um sorriso tolo na cara. Depois do final de A Saga do Assassino ter deixado demasiadas pontas soltas, demasiada tristeza e saudade, este é o final porque todos os fãs aguardaram, o final certo, o final perfeito, o final que fará sentido finalmente.

As nossas personagens preferidas ultrapassam-se, quebram-se e renascem perante os erros do passado e a luz do futuro. Agora podem emendar o que foi feito, podem ter esperança, podem caminhar de cara levantada e assumirem quem são porque no desespero e na dor, é preciso sermos fiéis a nós próprios e aos nossos e colocarmos a coragem e a nossa força de vontade acima do jogo de palavras, das lembranças do passado e do medo do destino que nos aguarda. Entre o amor e amizade, entre a família e as obrigações, escolhas serão feitas, profecias serão cumpridas e o Catalisador perceberá finalmente o que mudou, o que pode mudar e que a sua própria existência alterou todo o destino de um reino. A lealdade profunda, a união de duas almas terão de desistir para dar lugar a um novo mundo mas nem tudo tem de estar escrito e nem tudo pode ser visto porque um pode mudar tudo e afinal nada pode ser igual ao que devia ter sido.

Nem só as palavras podem alterar tudo e será necessário o poder dos actos para remendar, para se aceitar e poder, finalmente, viver a vida que sempre foi sua. Num corrupio de acontecimentos fortes em sentimentos, lendas vão ganhar vida, esquecimentos serão perdoados e o destino dos Seis Ducados será reescrito pela coragem, pelo poder e pelo amor dos Visionário.

Ao longo desta leitura chorei, emocionei-me, perdi-me e alegrei-me, revivi momentos e ganhei outros para relembrar. Esta foi uma das leituras mais emotivas que já tive e um dos melhores finais que alguma vez li. Aos fãs, só posso dizer que valeu a pena a espera, que me faltam as palavras para descrever como foi terminar esta saga. Para trás, deixa as saudades, citações incríveis e alguns dos melhores momentos da fantasia. Não vos dou spoilers mas dou-vos pistas e espero que o leiam e o adorem como eu adorei. Finalmente, temos um fim e este fim é perfeito em todas as medidas.


7*

As minhas opiniões da restante série:
A Saga do Assassino
O Regresso do Assassino 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

[Divulgação] Na Cama com um Highlander

Sonhas com as terras altas e os homens misteriosos que vêm das brumas para atiçar os teus sonhos?

Então TENS de ler este livro!
Podes encontrá-lo a partir de 18 na tua livraria mais próxima mas até lá podes ler as primeiras páginas aqui

Sinopse
Ewan, o mais velho dos irmãos McCabe, é um guerreiro decidido a destruir o seu inimigo. Agora que o momento é ideal para a guerra, os seus homens estão preparados e Ewan quer reaver aquilo que lhe pertence - até que uma tentação de olhos azuis e cabelo negro se atravessa no seu caminho. Mairin pode muito bem ser a salvação para o clã de Ewan, mas, para um homem que sonha com vingança, as questões do coração são um território desconhecido a conquistar.
Mairin é filha ilegítima do rei e é senhora de propriedades valiosas que a obrigaram a esconder-se e a desconfiar do amor. Os seus piores receios acabam por acontecer quando é salva do perigo mas depois obrigada a casar com o seu salvador, Ewan McCabe, um homem carismático que está habituado a mandar. Mas a atração que sente pelo seu novo marido fá-la desejar o seu toque; o seu corpo ganha vida com a mestria sensual dele. E à medida que a guerra se aproxima, as forças, o espírito e a paixão de Mairin obrigam Ewan a derrotar os seus próprios fantasmas e a entregar-se a um amor que significa mais do que a vingança e a terra. 


A autora:
 Maya Banks, autora best-seller do New York Times que escreve romances eróticos e de suspense, conquistou as leitoras com a sua escaldante série de romances históricos escoceses.

 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Picture Puzzle #29

Regras:
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover

Puzzle #1

Pistas: título em inglês; último livro de uma trilogia; único não editado em Portugal



Puzzle #2

 Pistas: título em português


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Opinião - North and South

Título Original: North and South
Autor: Elizabeth Gaskell
Editora: HarperCollins
Número de Páginas: 565

Sinopse
 ‘But the cloud never comes in that quarter of the horizon from which we watch for it.’

When Margaret Hale is uprooted from Hampshire and moves to the industrial town of Milton in the North of England, her whole world changes. As her sympathy for the town’s mill workers grows, her sense of social injustice piques and she passionately fights their corner. However, just as she disputes the mill owner, John Thornton’s treatment of his workers, she cannot deny her growing attraction to him. Highlighting the changing landscape of nineteenth-century Britain and championing the role of women in Victorian society, Gaskell brilliantly captures the lives of ordinary people through one of her strongest female characters in literature.


Opinião
Autora da primeira biografia de Charlotte Brönte, sua amiga íntima e apreciadora do seu trabalho, Elizabeth Gaskell recebia em sua casa várias visitas distintas do plano intelectual inglês, incluindo Charles Dickens, com quem colaborou em dois contos góticos e a motivou a continuar a escrever. Mais do que isso, é uma das figuras mais importantes do movimento literário vitoriano, sendo os seus seis livros, escritos entre 1848 e 1865, um marco da literatura inglesa, retratos fiéis de uma época e dos estratos sociais da Inglaterra do século XIX, em plena Revolução Industrial, o que faz deles objectos de estudo para historiadores.

Escrito entre 1854 e 1855, North and South foi o quarto livro escrito e publicado da autora e é a sua obra mais conhecida, tendo ganho ainda mais notoriedade com a série produzida pela BBC em 2004, com o mesmo nome e que contou com Richard Armitage como John Thornton e Daniela Denby-Ashe como Margaret Hale. Como todos os livros de Mrs. Gaskell, é um retrato fiel de uma sociedade nos seus vários pontos de vista e da mudança que a industrialização provocou na Inglaterra. É, mais do que isso, uma das histórias de amor mais profundas e amadas da Literatura e não se encontra traduzido para a nossa língua.

Um amor dividido pela tradição e pela mudança, pelo verde brilhante e o fumo cinzento, capaz de ultrapassar quaisquer barreiras, assim podia ser resumido North and South mas ele é muito mais que uma história de amores e desencontros, muito mais que uma guerra de vontades e declarações apaixonadas, é a história de um país, de um povo, de uma época, contada pelos olhos de quem a viu e conseguiu entender os dois lados da batalha. Retrato fiel da Industrialização inglesa, dos seus problemas e novos conceitos, da forma como transformou não só toda uma sociedade, como todo um país para se estender à restante Europa, este livro apresenta o título adequado pois toda a sua estrutura se desenvolve a partir das diferenças entre o Norte e o Sul inglês, entre as fábricas e os campos, entre os senhores que construíram a sua fortuna através de um trabalho árduo e de um estatuto social baixo e aqueles que se consideravam cavalheiros, burgueses com estatuto e que nunca sujaram as mãos.

Com uma escrita exímia, plena de força e subtilezas, Gaskell dá-nos algo vivo, um quadro que tanto pode estar repleto de cores como vazio delas mas que não deixa de ter beleza e poder em qualquer uma das vertentes. Numa narrativa pontada por momentos de grande emoção, discursos ora inflamados como filosóficos, a autora apresenta-nos duas visões, duas formas de pensar e estar, duas personalidades distintas que defenderão sempre o seu lado sem nunca querer compreender o outro. Sem nunca esquecer todos os que fazem parte deste mundo, todos os lados e pontos de vista, Elizabeth dá-nos os patrões, os operários, os burgueses ricos ou menos ricos, os oficiais, os trabalhadores liberais, numa dança perfeita entre tradição e mudança, entre antigo e novo, entre cavalheiros e os que não são, entre intelectuais e trabalhadores.

Em termos sociais, económicos e culturais, temos uma obra gigante, cheia de camadas, onde diálogos e descrições são feitos para nos fazer pensar, onde cada momento nos leva ao seguinte e que no seu todo consegue apresentar uma perspectiva perfeita deste mundo em dualidade. A representar essa dualidade temos John, um patrão industrial com um coração de pedra e muito pouco emocional mas que procura ser mais do que aparenta e Margaret, a filha de um vigário com dúvidas espirituais, criada entre o campo e a casa da tia e com ideias muito próprias. Estes dois formam um dos casais mais maravilhosos e mais profundos da literatura clássica, pois entre discussões sobre os seus modos de vida diferentes, declarações apaixonadas, desentendidos e fugas, eles vão criar uma relação que vai crescendo sem ninguém dar conta, tão profunda quanto a temática do livro e tão bela quanto a mais romântica história de amor. Diferentes mas com personalidades fortes, eles são o casal perfeito e representam na perfeição a dicotomia de North and South.

Para além de uma narrativa plena em acontecimentos, este livro está cheio de personagens ricas em personalidades e feitios, em que cada uma representa uma ideia ou um estatuto ou mesmo as várias facetas de um estrato social. Repletas de profundidade, cheias de carisma e ideias, são elas que dão vida à história e que tornam este livro mais do que um retrato fiel desta época, mais do que uma narrativa sobre uma sociedade. Desde os Hale, aos Thornton e aos Higgins, todos eles têm algo a demonstrar neste livro e todos eles são partes importantes desta narrativa, representando cada um deles um dos lados desta história, conquistando-nos com as suas razões e amores, fazendo-nos entender os seus interesses e ideais, prendendo-nos às suas palavras e acções.

Mais do que mais um clássico, mais do que mais uma história de amor, a obra de Mrs. Gaskell é algo que nos apanha e afunda nas suas subtilezas e profundidade, é uma obra que nos faz pensar e deleitar, um clássico que merece o estatuto que lhe é devido. Uma obra a traduzir para a nossa língua e que merecia ser lida por todos, North and South é uma obra-prima literária e um dos romances mais estonteantes que se pode ler. Uma leitura que aconselho a todos e que gostava que todos pudessem ler.

7*

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Liliana Lavado publicada em Portugal!






Caso para dizer... FINALMENTE!

Hoje, um dia tão especial, é o primeiro aniversário dos Leitores-Beta da Liliana e hoje recebemos a nossa prenda, a prenda dela...

Inverno de Sombras vai ser publicado em Portugal! É verdade! A sério!!

Com lançamento previsto para Abril de 2013, sim está quase, o meu livro preferido da Liliana vai ser publicado pela editora Marcador.

Estás de parabéns e bem mereces =) Obrigada por me teres deixado fazer parte disto!

 Aos curiosos que não conhecem, deixo-vos a opinião do Chaise sobre este livro aqui