segunda-feira, 10 de junho de 2013

Opinião - O Tempo entre Nós

Título Original: Time Between Us
Autor: Tamara Ireland Stone
Editora: ASA
Número de Páginas: 320

Sinopse
 Anna e Bennett nunca deveriam ter-se conhecido. Porque haveria isso de acontecer? Anna é uma jovem de 16 anos em 1995, ferozmente determinada a assegurar uma bolsa de estudo de desporto, para poder sair da sua cidade pacata e enfadonha e finalmente viajar pelo mundo. Bennett tem 17 anos em 2012, vive em São Francisco e tenta controlar a sua capacidade de viajar pelo tempo - um dom incrível mas também uma maldição imprevisível, que constantemente ameaça separá-lo das pessoas que ama. Quando um pequeno erro de cálculo coloca em perigo a sua irmã Brooke, Bennett dá por si a três mil e duzentos quilómetros e dezassete anos de distância - no mundo de Anna. Enquanto procura por Brooke, Bennett é atraído de modo estranho e inevitável para Anna, mas, por mais desesperado que Bennett esteja para ficar com Anna, a sua incontrolável situação irá inevitavelmente mandá-lo de volta ao lugar a que pertence - e Anna ficará sozinha, presa no tempo que os separa.

Opinião

  Quando andava no secundário, Tamara queria ser jornalista e até se andou a treinar no jornal da escola mas quando chegou à faculdade aconselharam-na a seguir Relações Públicas e foi o que ela fez e a verdade é que adorava o trabalho que conseguiu depois de se licenciar, um trabalho que juntava duas das suas paixões, a escrita e os muitos novos aparelhos tecnológicos. Durante oito anos, antes de formar a sua própria firma, trabalhou em várias empresas grandes, viajou muito, trabalhou com Steve Jobs e depois teve de se dedicar a começar do zero mas nunca se esqueceu da sua paixão pela escrita e das pequenas histórias que escrevia no seu bloco, até participou em aulas de escrita mas casou-se, teve um bebé, e outro e o seu negócio cresceu e o tempo livre foi-se.


  Então, um dia, o seu marido perguntou-lhe se ela pudesse ter um algum super poder, qual ela escolheria e, sim, ela escolheu viajar no tempo mas não uma coisa muito longa, nem para o passado nem para o futuro, apenas algo que lhe permitisse voltar atrás cinco minutos e impedir-se de meter os pés pelas mãos. E assim nasceu O Tempo entre Nós.


  Publicado em Outubro passado, está traduzido para seis línguas e será traduzido para mais nove. Chega às nossas estantes pela ASA que já tem os direitos para publicar o segundo livro, Time After Time.


  Dizem que cada um de nós tem uma alma gémea, que todos estamos destinados a encontrar a pessoa certa mas temos sempre medo de nunca a encontrar, que ela viva do outro lado do mundo, que já tenha outra pessoa ou que tenha medo de amar mas o que acontece quando a encontrámos, quando nos apaixonámos e descobrimos que essa pessoa vem do futuro? E se estivermos destinados a perder a nossa alma gémea para o futuro incerto sem jamais a alcançarmos, sem jamais a esquecermos?

Anna tem sonhos como qualquer jovem da sua idade. Sonhos de aventuras, de locais desconhecidos, de arrojo e adrenalina mas apaixonar-se por alguém do futuro não fazia parte dos planos. Ao lado de Bennett, ela vai viver o sonho mas terá de aprender que tudo tem uma razão de ser, que mudar um gesto ou palavra pode esfumar a mais pequena réstia de futuro e que o relógio nunca pára.


  Tamara encanta-nos com esta sua primeira história, uma história de doçuras e primeiros amores, uma história sobre a fatalidade do tempo e do destino que nos permite acreditar na força dos sentimentos e no poder de duas almas que se encaixam na perfeição. Através de uma escrita fluída, simples e doce, a autora aconchega os nossos corações, mantendo-os quentes, permitindo-os bater como se fosse a primeira vez, deixando-nos sonhar com a expectativa de um final feliz. Sem grandes desenlaces mas pautado por muitos momentos ternos, este é um livro para saborear, um livro que nos deixa sorrir, que nos aperta o coração e que nos relembra que o amor não tem de ser feito de grandes dilemas, não tem de nascer de problemas, que pode simplesmente ser feito de gestos, palavras, de momentos, que pode ser efémero e durar a eternidade de um suspiro e mesmo assim ser um grande amor.


  Esta é uma narrativa sobre primeiros amores, sobre a imprevisibilidade da vida, sobre apreciar cada momento como se fosse o último, uma narrativa que não precisa de exageros nem grandes dilemas para ser um livro bonito e enternecedor. Um livro para os românticos, deve ser lido para ser apreciado pela sua simplicidade, para nos deixarmos encantar pela pureza e magnitude de um primeiro amor destinado ao fracasso mas que não se deixa enfraquecer, antes se vai fortalecendo pela inevitabilidade do fim próximo. Ensina-nos que não temos de nos deixar assolapar pelo peso do futuro, antes devemos apreciar as coisas boas que nos aparecem.


  Ao longo da leitura existe algum mistério envolto na capacidade de Bennett e esse mistério precisava de ser melhor explicado para haver uma satisfação plena. Viajar no tempo neste caso permite conhecer as raízes de Bennett, mudar algo de superficial acabado de dizer ou um acontecimento que se pode revelar trágico. O facto de não ser algo de grande magnitude mas um desejo que todos nós partilhámos, afinal quem não gostava de retirar algumas coisas que disse ou desfazer um mal-entendido, acaba por encaixar bem nesta história, exactamente por ser algo simples, algo que não traz grandes problemas nem exige demais da personagem.


  Quanto à relação romântica, gostei muito do facto de ambos aparentarem maturidade e de apesar do tempo deles se estar a esgotar, eles levarem o seu amor com calma, aprendendo coisas um do outro, apreciando os momentos que podem passar juntos sem estarem sempre a bater na tecla da inevitabilidade da separação ou perderem tempo a tentar descobrir como vão fazer as coisas durar. Eles pura e simplesmente vivem e isso é uma grande lição que todos podemos retirar. São as coisas pequenas mas boas da vida que aqui são homenageadas e que muitas vezes damos como certas ou são esquecidas.


  Perante um grupo de personagens que apesar de pequeno é bastante interessante, vivemos muitos momentos caricatos típicos de amizades longas e famílias unidas, em ambientes que nos são familiares, numa rotina que podia ser a de qualquer um de nós. Anna é uma jovem cheia de força interior, uma lutadora e sonhadora, alguém que não perde tempo a queixar-se mas a aprender e não há como não a apreciar. Já Bennett é o típico rapaz querido, maduro, perfeitamente consciente das suas responsabilidades e do tamanho do seu poder, sendo extremamente cuidadoso. Personagem a salientar é a melhor amiga de Anna, Emma, uma desvairada amorosa que nos proporciona muitos risos e momentos embaraçosos a que ninguém resiste.


  O Tempo entre Nós é uma verdadeira história de amor, uma história que nos deixa apreciar a beleza de amar pela primeira vez e que nos relembra que o romantismo não é feito de grandes e enormes mas de pequenos e sinceros gestos. Tamara estreia-se de uma forma enternecedora e pura, deixando-nos a todos com um sorriso sonhador nos lábios.

 
6*

Podem encontrar aqui

domingo, 9 de junho de 2013

Opinião - A Filha do Conspirador

Título Original: Kingmaker's Daughter (#4 A Guerra dos Primos)
Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 496

Sinopse
 "Perdi o meu pai numa batalha, a minha irmã às mãos de uma espia de Isabel Woodville, o meu cunhado às mãos do seu carrasco e o meu sobrinho às mãos de um seu envenenador, e agora o meu filho foi vítima da sua maldição…"

A apaixonante e trágica história de Ana Neville e da sua irmã Isabel, filhas do Conde de Warwick, o nobre mais poderoso da Inglaterra durante a Guerra dos Primos. Na falta de um filho e herdeiro, Warwick usa cruelmente as duas jovens como peões, mas elas desempenham os seus papéis de forma previdente e poderosa.

No cenário da corte de Eduardo IV e da sua bela rainha Isabel Woodville, Ana é uma criança encantadora que cresce no seio da família de Ricardo, Duque de Iorque, transformando-se numa jovem cada vez mais corajosa e desesperada quando é atacada pelos inimigos do seu pai, quando o cerco em seu redor se aperta e quando não tem ninguém a quem possa recorrer, a quem possa confiar a sua vida.

Opinião


  Nasceu no Quénia mas actualmente vive numa quinta no Yorkshire, abandonando os leões, as zebras e as girafas por cavalos, patos e galinhas. Estudou na Universidade de Sussex antes de trabalhar na rádio da BBC e, mais tarde, havia de se doutorar em Literatura do século XVIII na Universidade de Edimburgo. Já deu aulas em quatro universidades, escreve críticas para várias revistas e jornais e regularmente é locutora na rádio e televisão. Para além da escrita, dedica-se ainda à caridade, tendo fundado há vinte anos a associação Gardens for the Gambia.

  A série Tudor é a sua série mais conhecida mas recentemente dedicou-se a escrever romances sobre os protagonistas da Guerra das Rosas. A série vai já com quatro livros e o quinto irá ser publicado para o mês que vem lá fora e a série televisiva produzida pela BBC irá para o ar no próximo dia 16, contando com dez episódios.

  A Filha do Conspirador é o quarto livro da série e tal como A Rainha Vermelha e A Rainha Branca, a acção volta a passar-se durante a guerra civil, retratando a vida de Anne Neville, mulher de Ricardo III, cunhada de Isabel Woodville e filha do Fazedor de Reis, o conde de Warwick.

  Num tabuleiro de xadrez arriscam-se os peões, protege-se o rei e a rainha é a melhor arma. Mas, se é fácil arriscar um peão e perdê-lo, a verdade é que sem ele, o jogo nem pode começar. Numa época de divisões, traições e batalhas, muitos são aqueles que são esquecidos, muitos são aqueles que sem a menor importância podem virar tudo do avesso. Ligada aos homens mais importantes do seu tempo, a herdeira mais rica de Inglaterra e uma das mais importantes da realeza, uma rainha esquecida, Anne Neville foi o peão numa troca de favores, alianças e ambições e conheceu a roda da fortuna pela qual todas as rainhas do seu tempo passaram. Um joguete às mãos dos outros, uma jogadora de mote próprio, do lado certo e por vezes do lado errado da contenda, ela foi uma das esquecidas mas esta na hora de a relembrarmos.

  Por mais altos e baixos que a minha relação com os livros de Philippa tenha, a série de A Guerra dos Primos não é só a sua melhor obra como a minha preferida do género. Como sempre, Philippa mostra não só o seu enorme talento para dar vida aos factos através de uma escrita forte, arrojada e intensa como consegue humanizar e recriar personagens históricas de uma maneira que muito poucos conseguem, deixando-nos amar e odiar, apoiar e torcer. Numa narrativa que marca por um ponto de vista por onde muito se pode especular, a autora consegue transmitir-nos uma veracidade e coerência que muitos com mais informação estão longe de conseguir e isto é só uma das provas de como Philippa é capaz de criar uma excelente história. Apesar de eu continuar a achar que a autora se deixa levar muitas vezes pela sua preferência pessoal quanto a personagens, neste caso resultou muitíssimo bem, conseguindo romancear a vida da protagonista respeitando muitos dos factos e as perspectivas que já nos apresentou desta época.

  A Guerra das Rosas é um dos meus temas preferidos da História inglesa e meu Deus, Philippa escreve-a como ninguém. Mesmo sendo o terceiro livro dela que leio sobre os mesmos factos, há sempre algo novo a descobrir, novas perspectivas a ver, personagens a adorar e a melhor compreender. Durante uma leitura marcada por factos, datas e muitos pormenores, tal como já estão habituados os leitores regulares, há sempre uma voracidade, uma vontade enorme de ler e não mais parar. A História aqui nunca é aborrecida, é palpável, vívida, cheia de emoções e intrigas, verdades e mentiras. 

  Representando o lado contrário ao que encontrámos em A Rainha Branca, este livro é magnífico porque apesar de ter uma pequena perdição por Isabel Woodville, não consegui deixar de compreender, sentir compaixão e até torcer por Anne. A verdade tem muitos lados e este livro é a prova como nada é apenas preto e branco. Conhecendo a história de Warwick mais a pormenor, há momentos que ficam melhor explicados, há razões que mudam tudo e quase, quase se tem vontade de trocar de lado e torcer por outro veredicto. É desta forma que esta história nos marca, é isto que melhor define uma série que a cada livro apenas mostra ainda mais qualidade.

  Mais uma vez, as personagens são marcantes, descem do seu pedestal de reis, rainhas, loucos e heróis e aproximam-se de nós pelos seus medos, sonhos e ambições. Anne foi uma surpresa do início ao fim, uma personagem que suscita uma curiosidade inerente ao seu papel de quase desconhecida e ao mesmo tempo quase não parece ter importância até que lemos a sua história. De convicções fortes mas de uma fragilidade imensa, sonhadora e temerosa mas ao mesmo tempo forte e hábil, Anne conquista-nos e surpreende em cada momento, satisfazendo-nos, relembrando-nos que ela existiu, ela viveu. Conhecer um outro lado de personagens mais conhecidas foi um ponto que não só apraz como traz à personagem mais humanidade, mais camadas e camadas como só o ser humano pode ter.

  A Filha do Conspirador foi uma surpresa bem-vinda, um livro que marca e ensina muito mais do que História e que abriu ainda mais o apetite para aquele que é o livro que venho a aguardar loucamente que saía, a história da Princesa Branca, Isabel York, a mãe de Henrique VIII e que parece-me vai suplantar todas as expectativas. 

4* segundo a classificação do Goodreads
 
As minhas opiniões da série

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Opinião - Reached

Título Original: Reached (#3 Matched)
Editora: Dutton Children's Books
Autor: Ally Condie
Número de Páginas: 384

Sinopse
 Cassia's journey began with an error, a momentary glitch in the otherwise perfect facade of the Society. After crossing canyons to break free, she waits, silk and paper smuggled against her skin, ready for the final chapter.
The wait is over.
One young woman has raged against those who threaten to keep away what matters most--family, love, choice. Her quiet revolution is about to explode into full-scale rebellion.
With exquisite prose, the emotionally gripping conclusion to the international-bestselling Matched trilogy returns Cassia, Ky, and Xander to the Society to save the one thing they have been denied for so long, the power to choose.

Opinião

  Em 2008 a aventura começou. Depois de uma pergunta pertinente do marido sobre o casamento, Ally começou a criar uma história na sua cabeça, uma história que nove meses depois tomou forma e União, o seu primeiro livro, seria publicado em 2010. Professora, mãe e esposa, Ally colocou as suas experiências na história a que deu vida e esta tornou-se uma trilogia distópica que dois anos depois de se ter iniciado, terminou com Reached.


  Actualmente a trabalhar no seu novo projecto, que apenas será publicado no final do ano que vem, a escritora que continua a actualizar a licença de professora poderá ver a sua primeira obra no cinema pelas mãos do estúdio da Disney estando o realizador já escolhido. David Slade, o mesmo que realizou a terceira parte de Twilight.


  Reached, o fim da trilogia, foi publicado em Novembro último e já foi traduzido para sete países. Apenas o primeiro livro da trilogia, União, está traduzido em terras lusas mas o segundo livro poderá ser traduzido quando houver mais novidades do filme.


  As dúvidas cresceram, a herança deixou um caminho em aberto, as decisões foram tomadas e agora as vozes levantam-se mas uma revolta pacífica nem sempre resulta pelo melhor e a expectativa de um novo mundo pode custar-te os que mais amas. Cassia, Ky e Xander estão no centro do tornado mas em lados opostos, cada um tem um papel a cumprir mas o que são, o que sentem pode interferir com o que desejam. Os alicerces da perfeição foram abalados mas para se chegar à conclusão ainda há um longo caminho a percorrer, decisões difíceis a tomar, sonhos a serem quebrados e novas forças devem emergir para que tudo não se perca nas falhas que não podiam existir. Longe da segurança que conheceram, longe do dia que uniu os seus destinos, os três jovens têm um papel a desempenhar nas mudanças porque ansiaram mas ainda não sabem qual o preço a pagar.


  Mais uma vez, a escrita lírica, simples e emotiva de Ally invade-nos assim que começámos a ler. Depois de Crossed ter terminado com muitas questões no ar, eis que as respostas se começam a desvendar mas, até ao fim, ainda há sacrifícios a fazer, provações a passar e muita dor e ansiedade para nos parar o coração. De livro a livro, sem nunca mudar de tom, Ally tem surpreendido pela forma como tem desenvolvido a história e, garanto-vos, ninguém poderia imaginar o rumo que a história de Cassia iria tomar. Aquela que começou como uma história de pequenos gestos de amor e luta, tornou-se uma jornada em busca de algo melhor e vem culminar finalmente com a revolta, uma revolta que pelo espírito desta trilogia só podia ser pacífica mas que psicologicamente irá mexer com todos os intervenientes e mudar muito mais do que seria esperado. 


  Segredos desfazem-se capítulo a capítulo. Questões levantadas vão sendo respondidas mas até ao fim nunca sabemos o que vai acontecer realmente. É a expectativa, a ansiedade e a provação que desenham esta história. É a perda, a luta, a crença e o amor que riscam os contornos da recta final. E há uma desilusão patente que vai crescendo conforme as personagens se apercebem que sofreram por algo que não era o que idealizavam, que usa armas do mesmo tipo que a Sociedade onde cresceram, que para se fazerem de heróis acabam por colocar em risco tudo e todos. Ao longo desta narrativa, alicerces caem sem barulho e verdades desfazem-se com o crescimento de novas formas de vida até que o futuro parece desaparecer no horizonte e é a partir daqui que a adrenalina cresce, que o fim se vai tornando incerto e começa a aproximar-se.


  Um fim agridoce, um fim em aberto, um fim em que se sobrevive e se conquista, em que a esperança começa a tomar forma. A queda é sempre rápida mas a reconstrução de um mundo de opiniões, de desejos é lenta e tem de ser feita passo a passo. Existe uma calma, uma pacificidade ao longo do livro que não combina com o espírito de revolta mas que nesta história faz todo o sentido pois ela não nos fala de guerras, não nos dá um inimigo mas sim um sonho, uma crença de que se pode mudar, um herói idealizado e a força de vontade, a capacidade de amor daqueles que acreditam. Aqui o que se pretende é que se perceba que podemos ser o que quisermos, que podemos ter inúmeros talentos e todos são de valor, que podemos amar quem quisermos e fazê-lo mais do que uma vez, que cada um tem as suas ideias e crenças e que somos nós que nos formámos a nós próprios.


  Cassia cresce neste livro e vemo-la tomar decisões difíceis, a fazer escolhas, a mostrar que amadureceu e que sabe o que realmente quer e deseja. Ky é o mesmo, não há nada que o mude e pela sua coerência e força é sem dúvida a grande personagem deste livro. Já Xander, bem confesso, que ele me conseguiu surpreender mas continua a ser uma personagem por quem não nutro muito carinho. Ao longo do livro conhecemos outras personagens, aprendemos a respeitar algumas e sofremos com muitas delas.


  Reached é um fim que é mais, que é menos, que surpreende mas que deixa um sabor agridoce na boca. Não é um grande fim mas é um fim que nos deixa divagar e com um sorriso nos lábios. Tenho pena que a trilogia tenha perdido alguma força depois do primeiro livro mas tenho mais pena que tenha chegado ao fim. Espero que brevemente União tenha companhia nas livrarias portuguesas.

6*
 
As minhas opiniões da série

terça-feira, 4 de junho de 2013

Opinião - Predestinados

Título Original: Starcrossed (#1 Starcrossed)
Autor: Josephine Angelini
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 368

Sinopse
 Como se desafia o destino? Uma maldição que nem os deuses conseguem vencer.
Helena Hamilton tem dezasseis anos e passou a vida inteira a tentar esconder o facto de ser muito diferente, o que não é tarefa fácil numa ilha tão pequena e resguardada como Nantucket. E está a tornar-se ainda mais difícil. Pesadelos com a travessia desesperada de um deserto fazem com que acorde desidratada e com os lençóis estragados de sujidade e pó. Na escola, é assombrada com alucinações de três mulheres a chorarem lágrimas de sangue... e, quando se cruza pela primeira vez com Lucas Delos, não percebe que estão destinados a desempenhar os papéis principais numa tragédia que as Parcas insistem em repetir ao longo da história.
À medida que Helena vai desvendando os segredos da sua ascendência, compreende que alguns mitos são mais do que simples lendas. Mas mesmo os poderes de semideuses poderão não ser suficientes para desafiar as forças que compelem Lucas e Helena a juntar-se... e que, ao mesmo tempo, tentam separá-los.

Opinião

  Quando a mulher de um agricultor no Massachusetts ficou grávida pela oitava vez, teve a certeza que ia ter um rapaz, tanta certeza que até escolheu o nome para o mais novo rebento da família, Joseph. Só que quando a criança nasceu era uma menina, mais uma para juntar às outras seis que já tinha lá em casa. Como o nome já estava escolhido e era um bom nome, a senhora decidiu que bastava acrescentar um –ine ao nome do seu bebé, e Josephine passou a ser o nome da mais nova dos Angelini.

  Assim Josephine cresceu rodeada de mulheres mas não umas mulheres quaisquer. As suas irmãs mais velhas eram autênticas amazonas, altas de sorrisos gigantes e um temperamento feroz e Josie, bem, era a mais nova, a mais baixa e tinha a mania que era esperta, uma combinação de trazer problemas. Mais tarde foi estudar artes cénicas para Nova Iorque com especialização em clássicos e hoje vive em Los Angeles com o marido que escreve guiões mas atenção, ela ainda sabe conduzir um tractor.

  Predestinados é o seu primeiro livro e o início de uma trilogia inspirada nos mitos gregos. Publicado em 2011, já foi traduzido para mais de dezasseis países e o último volume da trilogia saiu este ano. Sonhos Esquecidos, o volume seguinte, já está nas nossas livrarias desde o mês passado.

  Dez mil barcos um dia zarparam por um rosto. Durante dez anos, sangue foi derramado, filhos foram perdidos, heróis foram feitos e os deuses caminharam, guerrearam lado a lado com os escolhidos numa guerra que destruiu um povo, numa guerra por um acto insano de amor. Depois disto os filhos de Zeus não mais voltaram, uma jura foi feita e, de novo, o amor está prestes a quebrá-la. 

   Ela sabe que é diferente. Ela sabe que consegue fazer o que mais ninguém consegue. Ela só não sabe porquê até ao dia em que ele chega para lhe abalar o mundo, atiçar a sede de sangue e mostrar-lhe que o amor é o melhor meio para começar uma guerra. Dona de uma herança amaldiçoada, reencarnação da mais bela das belas, Helena está prestes a descobrir que há jogos demasiado perigosos, há leis que são demasiado sagradas e que quando a Sibila fala tudo vai voltar outra vez.

  Os mitos são lições contadas através dos tempos, formas de mostrar as consequências de actos insanos, maneira de glorificar os heróis e Predestinados mostra-nos o que acontece quando não se ouve, quando não se percebe que todas as histórias têm um fundo de verdade e que todo o mito se fez de tragédia, glória e homens. Josephine faz mais do que reavivar o mito, ela conjuga numa aventura de amores trágicos, laços de sangue incorruptíveis e maldições divinas, retalhos daqueles que foram personagens um dia amadas, um dia odiadas e dá-nos uma história moderna onde os ideais clássicos brilham com fulgor, uma narrativa irreverente onde a tragédia e o destino revestem o caminho dos escolhidos, um conto onde, mais uma vez, amor e maldição andam de mãos dadas. 

  Com uma escrita fulgurante, audaz, cheia de adrenalina, segredos e um toque divino, a autora apaixona-nos, prende-nos a cada palavra, obriga-nos a ler sem parar até a um fim que nos faz querer mais nesse preciso instante. Num enredo inteligente, intenso e romântico, as nossas emoções são testadas a cada reviravolta do destino ou da profecia, deixando-nos sem fôlego, quebrando-nos o raciocínio e tentando-nos a cada momento. Mais do que uma história de amores trágicos, este livro é uma batalha entre promessas e sentimentos, entre o que foi e o que será, um teste ao destino e aos escolhidos. 

  Heróis reencarnados, belas poderosas e casas inimigas com dons divinos são os ingredientes principais desta trama que, confesso, nunca pensei que fosse superar tanto as minhas expectativas. Um dos toques especiais da autora e que me agradou imenso, foi ter utilizado personagens que não representam só a Guerra de Tróia mas também outros mitos como o de Teseu, os Argonautas, Pandora ou Édipo, representando cada personagem um pouco daquela em que foram inspirados mas nunca copiando, cada personagem é uma reinvenção moderna que muito apraz. Já as Casas foi outro delírio para mim pois pelo menos as representadas aqui vão buscar reminiscências aos ciclos da mitologia grega e cada deus tem alguma ligação directa a essas mesmas casas. Isto mostra não só que a autora estudou o assunto como teve o cuidado de manter o que pode fiel as histórias originais sem nunca perder a sua capacidade de originalidade e imaginação.

  Cada personagem é, aliás, um mimo. Jovens do nosso tempo reencarnam de forma irreverente e moderna de heróis passados, nunca esquecendo os defeitos e qualidades porque esses mesmos heróis foram relembrados mas não deixam de ter características próprias, ou seja, reencarnações sim mas com personalidades próprias. Quanto ao romance da história, Helena e Lucas conseguem arrebatar-nos de uma maneira que outra Helena e um Páris não conseguem. Condenados a cometer o mesmo erro, eles mostram que não só de amor é feito as vidas e lutarão de todas as maneiras possíveis para evitar uma tragédia que há muito matam demasiados e destruiu de forma irreparável. 

  Tenho de referir outras personagens como a melhor amiga de Helena, Claire um verdadeiro desastre irresistível que me arrancou muitas gargalhadas e Heitor, que para quem adora a personagem de Ilíada é absolutamente irresistível. Outras personagens fantásticas formam um elenco que muito tem de divino e que espero que tenham o prazer de descobrir.

  Predestinados fez-me render à mitologia moderna e trouxe um novo vício cá para casa. De momento um dos meus livros preferidos do género é com anseio que olho para a sua continuação ali na estante e sei que não resistirei muito mais e espero que nenhum de vocês resista a esta trilogia fantástica que a Planeta nos traz.

 7*