domingo, 22 de setembro de 2013

Opinião - Agnes Grey

Título Original: Agnes Grey
Autor: Anne Brontë
Editora: Book.it
Número de Páginas: 286


Sinopse
 Agnes Grey é um retrato gritante do isolamento, estagnação intelectual e apatia emocional que rodeava muitas das governantas de meados do século XIX.

Uma novela em tom muito intimista, escrita a partir da experiência da própria autora, afirmou-se como um marco da literatura que lida com a evolução social e moral da sociedade inglesa.



Opinião

  É a mais nova das irmãs que tomaram de assalto a literatura inglesa do século XIX. É a menos romântica e a mais irónica das irmãs. E a mais esquecida. Anne Brontë nasceu em 1820 e viveu na paróquia de Haworth até ir trabalhar como preceptora aos 19 anos. A sua carreira literária, que inclui um livro de poemas em conjunto com as irmãs e dois romances, começou após o seu regresso a casa. Criança precoce, Anne era especialmente chegada a Emily, sendo ambas inseparáveis quase como gémeas, talvez daí que pareça quase um acaso do destino, Anne ter morrido cinco meses depois da irmã favorita cuja morte a havia afectado imenso. As suas últimas últimas palavras, “Tem coragem” foram para Charlotte, prestes a perder a terceira irmã no espaço de um ano.

  Agnes Grey foi publicado em 1847 e foi o primeiro romance de Anne. Baseado na sua experiência como preceptora, é considerado um retrato fiel das condições desta carreira mas não teve o mesmo sucesso imenso que o seu outro romance, The Tenant of Wildfell Hall.

  Depois de Emily se tornar uma das minhas autoras preferidas, depois de Charlotte me arrasar com Jane Eyre, chegou a hora de conhecer Anne, ou melhor, ler algo seu. O talento com as palavras era um dom de família, que as três irmãs Brontë partilhavam, isso é uma certeza que qualquer leitor que as conheça pode constatar. Tal como as suas irmãs, Anne tem uma escrita eloquente e cuidada, um jeito natural para demonstrar nas palavras o que ficou por dizer mas, ao contrário de Emily e Charlotte, Anne não é uma romântica mas sim alguém pragmático, com um sentido moral alto e que compreendia que apenas a experiência nos pode dar certos conhecimentos. Tem, aliás, um tom mordaz e irónico que não associámos às suas irmãs mas também Agnes Grey não é o estilo de livro que se possa comparar a O Monte dos Vendavais ou Jane Eyre pois estes são dois romances e o livro de Anne é um retrato auto-biográfico logo tem uma vertente realista que os livros das suas irmãs não partilham.

  Na forma de um diário, esta narrativa concerne a rotina de uma jovem preceptora que, tendo vivido protegida no seio da família na província, vai ter de aprender a conviver com uma sociedade que não está disposta a entender ou adaptar-se. Relato de uma profissão bastante usual no século XIX, Agnes Grey apresenta as vicissitudes e as alegrias dela bem como a forma como eram vistas as mulheres que educavam as meninas de estatuto mais elevado e é, exactamente por isso, que este livro é um clássico. Apesar de ser uma leitura que não me agradou tanto como as das outras irmãs Brontë, tanto pelo tom como pelo estilo de escrita pois não sou grande fã de diários, a verdade é que este livro é uma obra de extrema importância pois apresenta-nos detalhes de uma profissão que, apesar da sua importância, obrigava a que aquelas que a exerciam fossem tratadas não só como se tivessem um estatuto baixo como, muitas vezes, o seu papel era relegado pelas vontades e caprichos de pais e crianças. 

  Através da experiência de Agnes, apercebemo-nos de muitos pormenores interessantes sobre a educação inglesa de finais do século XIX. A forma como os pais largavam os filhos na mão de outrem mas procuravam exercer a mesma autoridade retirando as das preceptoras que deviam ensinar mas manter os mimos, a forma como as próprias crianças e jovens eram induzidos a pensarem-se superiores àquelas que os ensinavam e criavam, como as questões pessoais destas pessoas deviam desaparecer face às questões fúteis daqueles que as empregavam, são alguns exemplos apresentados pela voz de Agnes das experiências porque grande parte destas preceptoras passaram naquela época e que este livro retrata de uma forma realista e verídica e, se algumas vezes o livro chega a ser aborrecido, a verdade é que apesar de Agnes Grey ter uma parte romântica é nestas experiências que estão a grande importância deste livro que apresentou à sociedade inglesa a forma falsa e desinteressada como as suas crianças eram educadas, como as preceptoras acabavam por se verem isoladas numa casa cheia e como a intelectualidade desta sociedade ainda se encontrava bastante estagnada.

  Tal como a escrita, também as personagens de Anne são realistas, tendo muito senso-comum e moral que praticam conforme a sua educação e meio social. Penso que Agnes acaba por ir buscar muitas das características da autora apesar de me parecer muito diferente da personagem de Shirley que Charlotte baseou na sua irmã Anne mas isso será reflexo da forma como nós nos vemos de maneira diferente da que os outros nos vêem, tendo sido bastante interessante comparar ambas as personagens.

  Agnes Grey é assim um relato biográfico não só das experiências de uma autora como também de uma profissão. Uma obra de extrema importância que deve ser lida por todos os que se interessem pelo tema ou simplesmente pela sociedade inglesa desta época.

5*

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Opinião - A Chama de Sevenwaters

Título Original: Flame of Sevenwaters (#6 Sevenwaters)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 424

Sinopse
 Dez anos depois do terrível incêndio que quase lhe custou a vida, Maeve, filha de Lorde Sean de Sevenwaters, regressa a casa. Traz nas mãos disformes as marcas desse acidente e dentro de si a coragem férrea de Liadan e Bran, os pais adoptivos, e um dom muito especial para lidar com os animais mais difíceis. Embora as cicatrizes se tenham fechado, Maeve ainda teme as sombras do passado — e o regresso a casa não se faz sem dificuldades. Até porque Sevenwaters está à beira do caos.



Opinião

  Abrir pela primeira vez A Filha da Floresta é uma experiência que deixa marcas, uma experiência que muda a nossa concepção de fantasia, uma experiência que não mais poderá ser esquecida ou comparada a outras. Sevenwaters é um mundo especial. É um mundo que nos acolhe, que nos apaixona, que nos faz recordar com carinho a primeira vez que percorremos os seus caminhos, que nos deixa saudades atrozes, cujo regresso é sempre feito com nostalgia e amor. 

  Juliet Marillier deu-nos este mundo. Fez-nos adorar as suas personagens, viver cada história como se fosse a nossa, sonhar para lá do inimaginável. E provocou-nos a maior dor que um leitor pode ter, a despedida. Não uma, mas duas vezes. Despedir-me de Sevewaters uma vez foi suficientemente doloroso mas despedir-me outra vez partiu-me o coração. Quero pensar que este também não é um adeus definitivo mas talvez um até já, mesmo que longínquo.

  A Chama de Sevenwaters é o último volume da fantástica saga Sevenwaters. Terceiro volume fora da trilogia original, este livro foi publicado o ano passado e ainda só foi traduzido para português e holandês. 

  Depois de dois volumes onde o feitiço de Sevenwaters transpareceu, num mais forte do que noutro, heis um volume onde o antigo feitiço desta floresta encantada transbordou, cheio de toda a magia e encanto, de toda a glória que fez tantos apaixonarem-se por ela. A Chama de Sevenwaters restitui o verdadeiro espírito de Sevenwaters, numa demanda cheia de sacrifícios, testes, actos de coragem e destino, tudo aquilo que tornou a saga mais famosa de Juliet Marillier num sucesso literário, conseguindo, dos três livros escritos posteriormente, ser o mais fiel e o que mais restituirá sorrisos aos fãs da saga. 

  Mantendo o estilo de escrita com que nos conquistou, aquele dom de bardo que poucos têm, Juliet conta-nos uma história que bem podia ser um conto de fadas, uma história de amor e coragem, de beleza interior e sacrifício, que nos prende da primeira à última linha. Escrito com mestria e encanto, este livro recorda as histórias antigas, contadas de geração em geração à volta de uma fogueira pois, tal como essas histórias, esta tem muitas lições a dar e está repleta de magia, obscuridade e laços feitos pelo destino. Repleta de esperança e temores, esta narrativa é uma demanda pelo fim do Mal, na qual os heróis estão onde menos se esperam, os sacrifícios são necessários e o perigo pode estar no sorriso mais afável. Como em qualquer livro de Marillier, os nossos protagonistas são postos à prova, devendo ultrapassar os seus medos mais profundos e inseguranças, demonstrando que na alma mais simples ou atormentada pode encontrar-se algo único. Os sentimentos, como sempre, transcendem-se através de expressões e gestos, de uniões de amor, sangue ou ódio, provocando no leitor uma tempestade de sensações, prendendo-nos a cada momento da nossa leitura.

  Maeve é uma protagonista inesperada. Frágil, desiludida, racional, forte de carisma e carácter, ela é a filha que Liadan e Bran não tiveram. Nela encontrámos pedaços destas duas personagens, bem como dos seus pais, Sean e Aisling, e um traço muito próprio que nos faz, não só adorá-la como admirá-la. Tal como ela, toda a história é inesperada, feita de reviravoltas e acasos, de encontros destinados, de amores que, por mais inesperados, se formam da confiança, do carinho e do companheirismo. Uma história que encaixa na perfeição com Maeve, alguém que dedica amor aos mais fracos, que faz da fragilidade força, que é leal até ao âmago e corajosa mesmo não sabendo. A sua própria história de amor é uma surpresa, um pedaço que nos fará chorar e suspirar, que tornam este conto em algo poderoso e mágico.

  Finbar, a outra grande personagem desta história faz-me lembrar alguém e isso fez-me sorrir de saudade quase durante toda a leitura. Demasiado sério, às vezes inocente, ele sabe que nada será fácil mas em momento algum é capaz de desistir ou trair os desígnios. Mas, no fundo, a história não se faria sem outra personagem, a do meu querido Ciáran, que neste livro tem um papel crucial. Foi com muita saudade, carinho e desgosto que acompanhei esta sua aventura e, mais do que nunca, lamentei tudo o que lhe aconteceu e recordei, com uma grande dor no peito, cada perda e infortúnio. Ele é, sem dúvida, para mim, a grande personagem deste livro e uma das maiores desta saga.

  A Chama de Sevenwaters é uma despedida agridoce, um adeus que não sei se é para sempre mas que me doeu tanto como o primeiro. Mais uma vez, Juliet partiu-me o coração mas deixou outras tantas recordações maravilhosas.

7*
 
As minhas opiniões da série

Tens andado a procura destes livros?

  Leste A Cidade dos Ossos mas não encontras os dois volumes seguintes em lado nenhum? Bem agora já os podes encontrar na livraria mais próxima de ti a partir de hoje porque a 2ª edição de  A Cidade de Cinzas e A Cidade de Vidro já está disponível!

  Agora podes, finalmente, terminar a trilogia original de Os Caçadores de Sombras e deixar-te levar pelo mundo que ganhou uma legião de fãs por todo o mundo. Garanto-te, não te irás arrepender!






quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Passatempo *Scarlet*

  Com o apoio da Planeta Manuscrito, temos para sortear um exemplar de Scarlet de Marissa Meyer, o segundo volume das Crónicas Lunares, uma das minhas séries preferidas. Continuação de Cinder, este livro vai buscar um dos contos de fadas mais famosos, o Capuchinho Vermelho.

  Para se habilitarem a ganhar  este exemplar, têm de ser obrigatoriamente seguidores do blogue, responderem acertadamente às questões colocadas abaixo e devem ter em atenção as regras de participação.



As respostas a estas questões estão aqui 




Regras de participação:

1. Passatempo válido até 23h59 do dia 3 de Outubro de 2013.

2. Só é possível uma participação por pessoa e e-mail.

3. Só serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.

4. O vencedor será sorteado aleatoriamente, será posteriormente contactado por e-mail e o resultado será anunciado aqui no blogue.

5. Todas as participações com questões erradas e/ou que não obedeçam às regras serão automaticamente anuladas.

6. A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio no correio de exemplares enviados pela própria e/ou pela editora.


Boa sorte a todos!!!


Nomeia a Pilha! [2] *TAG*

  Depois de ter feito a primeira pilha, andei a discutir com a Mafi que queria fazer mais uma porque eu gostei tanto desta TAG que só me apetece fazer pilhas! Aliás, segundo a Mafi, eu gostei ainda mais desta TAG do que elas...

  A primeira ideia era o meu nome todo, todinho mas há escassez de certas letras e eu fiquei triste e cabisbaixa e pensei pronto já não faço mais nenhuma mas hoje, num daqueles momentos em que olhámos para as nossas estantes a adorá-las lembrei-me que.... Podia fazer uma pilha com o nome do blogue! E consegui! Depois de ter passado horas a pensar porque raios não tinha um único título com O heis que o descobri mesmo ao meu lado e fiz a pilha Chaise Longue. Aqui está ela:







Cidade dos Ossos, A Cassandra Clare
Helena de Tróia, Margaret George
Avatar de Kushiel, Jacqueline Carey
Inverno de Sombras, Liliana C. Lavado
Sangue Maligno, Kristen Painter
Eterna Saudade, Lia Habel

Livro Negro, O Hilary Mantel
Odisseia, Homero
Noiva Romanov, A Robert Alexander
Grande Amor da Minha Vida, O Paulina Simmons
Uma Casa de Família, Natasha Solomons
Erro da Rainha, O Diane Haeger

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Opinião - Dalila

Título Original: Delilah
Autor: Eleanor de Jong
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 280

Sinopse
 Na antiga Terra Santa, israelitas e filisteus estão envolvidos num amargo conflito. Sansão - um adversário poderoso e invencível - foi elevado a símbolo do heroísmo israelita e os vigorosos filisteus estão desesperados para descobrir o segredo do seu poder.
Dalila - desejável, bela, sedutora, determinada e temerária - está cansada da vida aborrecida de donzela recatada. Ambiciosa, quer mais da vida e é atraída por uma proposta irrecusável: descobrir onde reside o poder de Sansão. Decide arriscar, pois o jogo da sedução é algo que a alicia. Mas este não é um jogo fácil como ganhar ou perder. Enredada na perigosa missão que teceu, Dalila faz uma descoberta impressionante, algo que nunca teria imaginado: amar e ser amada! Mas uma sequência de acontecimentos foi posta em movimento e só um milagre poderá mudar o curso da História… Dalila descobre o segredo da força de Sansão, mas pagará um preço muito elevado: a morte de quem ama.
Deixe-se seduzir por um romance tão encantador quanto a própria Dalila. Perfeito para os admiradores de biografias históricas.

Opinião

  Filha de académicos, Eleanor cresceu entre a Europa e os Estados Unidos. Estudou História e Política e neste momento vive com o companheiro em Londres. Dalila, o seu primeiro romance, foi publicado em 2011 e está traduzido em três línguas. Para além deste, Eleanor escreveu Jezebel, ainda não traduzido no nosso país.

  Em pequena de todas as histórias do Antigo Testamento a que mais me impressionou e ficou marcada na minha memória foi a história de Sansão e Dalila. Já naquela altura o facto de Sansão ter sido quebrado devido à confiança e ao amor que dedicou a Dalila que o entregou sem qualquer piedade mexeu comigo e, por qualquer razão, nunca me pareceu ser suficiente o que a história contava. Durante anos, quando pensava nesta história, pensava nas motivações de Dalila, no que ela sentiu, se ela se arrependeu. Quando ouvi falar neste livro, tive a certeza que tinha de o ler pois mesmo sendo um romance, parecia que ele poderia ter as respostas para as dezenas de perguntas que eu guardava.

  Dalila é um romance intenso, uma ode aos tempos antigos, à fé e ao amor. Com uma escrita cuidada, vivaz e sedutora, Eleanor devolve a vida e a cor a uma das histórias mais infames alguma vez contadas dando voz e sentimentos àqueles que a protagonizaram. Numa versão mais romanceada, a autora mantém a estrutura original do conto acrescentando-lhe, o que para mim sempre lhe faltou, a alma e o ser do Homem, as suas motivações e os seus temores. Este livro é uma versão mais humana, mais colorida, talvez mais romântica mas não mais bonita. As lições a aprender com esta história continuam a ser as mesmas, o fim fatal mantém-se, a traição de Dalila não é desculpada. Mas, ao menos, deixa aqueles que como eu sempre pensaram que tinha de haver mais com a sensação que finalmente podemos acreditar no perdão e no arrependimento. 

  Através de descrições belissimamente detalhadas, podemos imaginar com todos os pormenores os caminhos que Dalila percorre. Desde às roupas aos tons das cores, dos cheiros e sons do mercado, da taberna ou de uma casa mais rica, das vinhas ao deserto, tudo é descrito com tanta cor, com tal detalhe que é impossível não nos sentirmos deslumbrados coma vívida imaginação da autora. Para além do ambiente, também rituais de ambas as culturas, israelita e filisteia, desde o matrimónio às orações ou aos festivais, foram eximiamente descritos, permitindo-nos visualizar duas culturas no seu todo e conhecer as semelhanças e diferenças. O conflito que dá azo à tragédia, entre israelitas e filisteus é, aliás, apresentado com o máximo cuidado e se no início nos é dado mais o ponto de vista dos filisteus, ao longo do livro vamos conhecendo as motivações dos israelitas. A autora teve aliás o cuidado de não tornar nenhum dos povos vítimas ou opressores, apresentando tanto defeitos com qualidades bem com as razões de cada um para não se entenderem. Para além disso, vários temas são tocados, desde a cultura vinícola a que a família de Dalila se dedica, a religião de cada um dos povos, às formas de tentativas de reconciliação, ao modo de vida israelita e como conviviam em sociedade, dando-nos uma imagem clara da vida diária na Terra Santa.

  Sem Dalila esta história não poderia ser a mesma e a Dalila deste livro é uma criatura que fascina, que encanta, que parece aquilo que é, uma personagem marcante e sedutora. Existe nesta Dalila tanto de sensualidade como de inocência, tanto de fiel como de traidora, tanto de arrogante como penitente. Ela nunca é apenas uma espiã. É ambiciosa sim mas também aprende a ouvir, a amar, a mudar aquilo em acredita. Existe uma dicotomia nela que nos faz acreditar no seu arrependimento, que nos faz, mesmo nos seus piores momentos, a compreendê-la. Esta Dalila é humana, simplesmente. Já Sansão é sempre uma personagem algo distante. Primeiro assustador e bruto, depois apaixonado e sempre complacente mas sempre com a aura de alguém que não é como o mais comum dos homens. A forma como a autora conseguiu imprimir esta aura heroica, quase divina em Sansão, é impressionante, como se nos quisesse mostrar que por mais que tenha suavizado Dalila ela vai ser sempre a pecadora e ele o escolhido.

  De resto, as restantes personagens foram caracterizadas de forma marcante, tendo cada uma delas um papel a desempenhar na narrativa. Com elas aprendemos que o ser humano tem sempre uma motivação. Seja o poder, a luxúria ou a fé, cada decisão é governada por um sentimento que comanda todos os outros. 

  Dalila é um livro que nos fascina, que nos arrebata. É um relato impressionante de quão cego pode ser o amor e quais os vis caminhos da ambição que podem levar à perdição ou ao arrependimento. É um romance para os que adoram esta história, para os que não a conhecem ou para quem não se contenta apenas com a história original. 

6*

Picture Puzzle #42


Regras:
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover

Puzzle #1

Pistas: traduzido para português; romance



Puzzle #2
 Pistas: traduzido para português; YA terror/suspense


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Opinião - Irresistível

Título Original: An Irresistible Bachelor (An Unforgettable Lady #2)
Autor: Jessica Bird
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 344


Sinopse
 A conservadora de arte Callie Burke não está contente com a sua lucrativa nova missão. Restaurar uma obra-prima adquirida pelo implacável magnata Jack Walker devia ter sido o projeto de uma vida. Mas o problema não é o quadro - é que o sensual proprietário é uma obra de arte perfeita de seu próprio direito. A atração é recíproca, mas Callie sabe que misturar negócios e prazer é má idéia - e não apenas porque ela não pertence àquele mundo de privilégios: ela tem um segredo a esconder... um segredo que deve permanecer enterrado. No entanto, depois de se mudar para a mansão de Jack para fazer o trabalho, a centelha inegável entre ambos transforma- se numa paixão que tudo consome... e o passado oculto dela ameaça destruir qualquer possível futuro para eles. Ao dar nova vida ao quadro, Callie sabe que o seu tempo com Jack é limitado... a menos que o amor possa de alguma forma encontrar uma forma de transformar um solteirão inveterado no marido dos sonhos dela.


Opinião 

  Jessica Bird começou a escrever em criança, guardando os seus pensamentos em diários bem como as suas próprias histórias. Quando foi para a faculdade, tinha caixas e caixas de livros Harlequin e Silhouettes que estavam catalogados para o caso da mãe desaparecer com algum. Jessica terminou o seu primeiro manuscrito no Verão antes do seu ano de caloira na Smith College onde se gradou em História e História de Arte. Mais tarde, tirou Direito e foi enquanto advogada em Boston que completou dois romances. Depois de ter casado em 2001, a mãe e o marido insistiram para que enviasse algo para um agente e, um ano depois, o seu primeiro romance era publicado.


  Para além de escrever romances contemporâneos, Jessica escreve romances paranormais com o pseudónimo de J.R. Ward, o nome porque é mais conhecida graças à sua série A Irmandade da Adaga Negra. Como Jessica Bird já publicou nove romances, dois independentes e três séries.


  Irresistível é o segundo volume da série An Unforgettable Lady cujo primeiro volume, Diz-me Quem És, já está publicado em Portugal pela Quinta Essência. Publicado em 2004, está traduzido para quatro línguas.


  Depois de conhecer o trabalho desta autora através de A Irmandade da Adaga Negra foi com alguma curiosidade e receio que avancei para este romance de Jessica Bird. Tudo aquilo que gosto da escrita de Jessica está presente. A sensualidade, o humor e o romantismo estão bem patentes numa escrita fluída que nos agarra a atenção e tornam este livro uma leitura voraz, também muito devido ao ritmo rápido dos desenvolvimentos e apesar de não ter a complexidade que a série de J.R. Ward contém e ser uma história muito mais simples confesso que prefiro este registo ao paranormal. Porquê? Não existe a tendência para o exagero que os últimos livros da Adaga Negra têm nem uma confusão de histórias e elementos. É limpo, simples e evidencia o que de melhor a autora tem, recordando-me do porquê de ter gostado dos primeiros três livros da A Irmandade da Adaga Negra


  Todo este tipo de romance tem a típica estrutura de homem conhece mulher, apaixonam-se, discutem e são felizes para sempre. A verdade é que a típica história resulta e neste caso não é excepção. Irresistível não é um romance perfeito mas também não é um livro cheio de falhas. Tem um enredo irresistível, verdade seja dita, e é sem dúvida uma leitura fluída e agradável para uma tarde ociosa. Interessante e com personagens carismáticas, este livro é puro romance e foge da sensualidade crua a que fiquei habituada dos outros livros da autora, o que não é mau de todo pois este tipo de história vive muito das suas personagens, já que a história é bastante simples, e convém o desenvolvimento da história nos parecer coadjacente com o comportamento das personagens, o que neste caso acontece. O enredo beneficia pelas profissões interessantes do casal, pela forma como se conhecem e pelas personagens que os rodeiam, criando uma história coesa e agradável onde quase todos os elementos se equilibram.


  Callie e Jack tiveram dois percursos românticos completamente opostos mas nenhum acredita que um dia viverá o verdadeiro amor apesar de ambos ansiarem por isso no seu fundo e quando se conhecem rapidamente passam da negação para o amor total. Isto pode parecer demasiado apressado mas a relação de ambos e as suas personalidades acabam por justificar isso e a leitura acaba por ter um ritmo acertado e a relação amorosa tem a química certa para que o livro seja o que se espera, uma verdadeira história de amor.


  Através de um pequeno núcleo de personagens, a autora cria o ambiente certo e alguns momentos bastante caricatos que apenas ajudam a tornar a leitura ainda mais aprazível. Callie é uma jovem de força e coragem que nos conquista desde o início e que não tende a deixar submeter-se e Jack é um verdadeiro gentleman. Juntos são o casal perfeito para esta história. Ambos têm passados familiares complicados que trazem alguma intensidade à trama e que justificam os seus comportamentos e medos. Depois, desde a mãe de Jack ao cozinheiro, cada um traz um toque especial a esta história.


  Irresistível acaba por ser um excelente romance para qualquer momento. Romântico, sensual e doce na medida certa, o livro de Jessica Bird é sem dúvida irresistível.

5*