Título Original: Heir to Sevenwaters (#4 Sevenwaters)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 477
Sinopse
Os chefes de clã de
Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta,
um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas
que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo
coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois
reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em
que Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se
transforma.
Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar as fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão o novo herdeiro de Sevenwaters, Clodagh é incumbida de cuidar da criança durante a convalescença da mãe.
A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso príncipe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes...
Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar as fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão o novo herdeiro de Sevenwaters, Clodagh é incumbida de cuidar da criança durante a convalescença da mãe.
A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso príncipe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes...
Opinião
Nasceu com o nome Juliet Scott mas é como Juliet Marillier
que é conhecida por todo o mundo, sendo uma das autoras mais queridas da
fantasia mundialmente. A mulher que se formou em Música e Artes em linguagens, que
trabalhou no governo australiano durante treze anos e foi cantora de ópera,
estreou-se na escrita em 1999, numa trilogia onde o folclore, a história, as relações
humanas e as demandas pessoais são os grandes temas, temas que ainda hoje
marcam os seus livros. A Filha da
Floresta iniciou um caminho de sucesso e desde 2003 que Juliet se dedica em
exclusivo à sua escrita.
Sevenwaters é a
sua trilogia mais querida e, para muitos a sua obra-prima. A adoração que
provocou em leitores por todo o mundo levou a que os seus editores lhe
suplicassem por uma continuação e assim surgiram os três livros que continuaria
as aventuras na floresta de Sevewaters. A
Chama de Sevenwaters é o livro que fecha esta nova trilogia e chega às
nossas livrarias no final de Junho.
O Herdeiro de
Sevenwaters é o quarto volume da série, foi publicado em 2008 e foi
finalista de dois prémios. Traduzido para seis línguas, tem dividido os
leitores, aqueles que adoram Sevenwaters de todas as formas e aqueles que o
acharam inferior aos restantes.
Numa floresta resguardada, a magia, as criaturas, ainda
vivem, apesar de escondidos, apesar de esquecidos pelo resto do mundo. Em
Sevewaters, as histórias ainda são ouvidas e as lendas vivem no passado de uma
família que tem protegido os Tuatha de
Dannan, que sofreu nas suas armadilhas, que foi resguardada pelos seus
intricados códigos. Parece longe o tempo em que caminharam pelos caminhos
tortuosos que o seu sangue lhes concedeu mas nunca se sabe quando a magia e as
histórias podem voltar. Clodagh é uma rapariga simples, uma filha dedicada, que
cresceu a acreditar nas lições que a sua família transmitiu de geração em
geração e, agora, será ela que será posta à prova, será a sua força e
dedicação, o seu amor e crença, que a poderão salvar das artimanhas daqueles
que apenas vivem na imaginação do seu povo mas que continuam a observar a sua
família.
Contar histórias é uma arte, um talento a que muitos podem
ambicionar, alguns alcançar mas muito poucos nascem com um verdadeiro dom,
muito poucos sabem usar a sua voz nas palavras, colocar a alma e o coração numa
história. Juliet é um desses acasos, um daqueles nomes que simbolizam adoração,
respeito, empolgação, expectativa. Um daqueles nomes que fazem milhares ou mais
de leitores vibrarem, chorarem, sorrirem. Não há como lhe negar a mestria das
palavras, o jeito doce e forte com que nos arrebate página a página, a forma
como nos marca irremediavelmente. Por este mundo fora, em tantas estantes
existem livros seus, de capas diferentes, línguas tão estranhas umas às outras,
mas todos eles, marcados pela idade ou a cheirar a novos, são guardados com
carinho, guardam histórias que jamais serão esquecidas.
Regressar é um misto de sensações. Medo pelo que vamos
encontrar, alegria por voltarmos àquele que é o nosso lar e, por isso, é com
ansiedade que abrimos as primeiras páginas desta história, é com expectativa e
um coração galopante que começamos a desvendar palavras mas quando reconhecemos
as cores, os cheiros, os sentimentos de Sevenwaters, tudo isto se desvanece e o
que foi regressa tão vívido, tão belo como nos lembrámos. Numa história onde a
dedicação está acima do poder, onde o amor continua a ser o estandarte que as
mulheres desta família carregam, encontrámos a magia, malvada e sensível, vemos
os contos contados à lareira ganharem forma, percebemos que a família é um
berço forte se cuidado e preservado. Nesta demanda é o amor, a crença e a
aceitação que escrevem em cores delicadas mais uma ramagem, é a coragem e a
perseverança que a sustentam enquanto, mais uma vez, nos encantámos, nos
perdemos numa floresta da qual ainda não conhecemos todos os segredos mas de
que somos velhos amigos.
Clodagh tem um jeito próprio, uma doçura, um cuidado que
muitas vezes é pouco valorizado apesar de sustentar as bases de algo maior. É
através dela que regressámos, é por ela que torcemos em cada aventura, cada
provação, é com ela que celebrámos as pequenas vitórias. Nesta protagonista
pode não haver magia mas existe algo muito maior. Amor doseado com
responsabilidade e cuidado, alimentado de dedicação e apoio. Clodagh é um
pilar, alguém que ninguém vê mas sem a qual ninguém vive e, para mim, é por
isso que ela é especial. Ao longo de uma demanda perigosa, ela é testada e
atacada, prova as suas convicções, muda o seu coração mas nunca perde a
objectividade, nunca esquece o que a leva para lá do território conhecido. Em descrições
muito nossas conhecidas, entre povos que amámos e odiámos e outros a que somos
apresentados, vemos mais uma história ganhar fulgor, o fulgor cintilante e único
desta história.
Com as outras personagens encontrámos outro tanto tipo de emoções,
aprendemos lições importantes, jubilámos com elas como sempre o fizemos ou como
passaremos a fazê-lo. Entre personagens conhecidas e novas, muitas surpresas surgiram
ao longo desta leitura e muito carinho foi alimentado por elas. Através das
suas paixões, medos, da sua coragem ou paciência, aprendemos a conhecer as
linhas ténues que as formam, a ver o passado, o presente e o futuro que as
esperam. É como voltar para os braços de uma família que perdoa e ama sempre, é
mesmo como voltar ao lar.
Ao regressar ao seu mundo mais querido, Juliet correu um
risco, que muitos diriam desnecessário. Talvez, mas como digo sempre, esta
senhora não sabe escrever senão histórias arrebatadoras, preciosas e esta foi
mais uma delas. O Herdeiro de Sevenwaters
é um regresso querido e acarinhado, é um Bem-vindo que nos aconchega e que nos deixa não com um penoso Adeus mas com um prometedor Até Breve. Mais uma vez, Juliet
mostra-nos que o seu dom não esmorece, nunca.
6*




