terça-feira, 18 de junho de 2013

Opinião - O Herdeiro de Sevenwaters

Título Original: Heir to Sevenwaters (#4 Sevenwaters)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 477

Sinopse
Os chefes de clã de Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta, um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em que Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se transforma.

Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar as fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão o novo herdeiro de Sevenwaters, Clodagh é incumbida de cuidar da criança durante a convalescença da mãe.

A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso príncipe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes...

Opinião

  Nasceu com o nome Juliet Scott mas é como Juliet Marillier que é conhecida por todo o mundo, sendo uma das autoras mais queridas da fantasia mundialmente. A mulher que se formou em Música e Artes em linguagens, que trabalhou no governo australiano durante treze anos e foi cantora de ópera, estreou-se na escrita em 1999, numa trilogia onde o folclore, a história, as relações humanas e as demandas pessoais são os grandes temas, temas que ainda hoje marcam os seus livros. A Filha da Floresta iniciou um caminho de sucesso e desde 2003 que Juliet se dedica em exclusivo à sua escrita.
Sevenwaters é a sua trilogia mais querida e, para muitos a sua obra-prima. A adoração que provocou em leitores por todo o mundo levou a que os seus editores lhe suplicassem por uma continuação e assim surgiram os três livros que continuaria as aventuras na floresta de Sevewaters. A Chama de Sevenwaters é o livro que fecha esta nova trilogia e chega às nossas livrarias no final de Junho.

  O Herdeiro de Sevenwaters é o quarto volume da série, foi publicado em 2008 e foi finalista de dois prémios. Traduzido para seis línguas, tem dividido os leitores, aqueles que adoram Sevenwaters de todas as formas e aqueles que o acharam inferior aos restantes.

  Numa floresta resguardada, a magia, as criaturas, ainda vivem, apesar de escondidos, apesar de esquecidos pelo resto do mundo. Em Sevewaters, as histórias ainda são ouvidas e as lendas vivem no passado de uma família que tem protegido os Tuatha de Dannan, que sofreu nas suas armadilhas, que foi resguardada pelos seus intricados códigos. Parece longe o tempo em que caminharam pelos caminhos tortuosos que o seu sangue lhes concedeu mas nunca se sabe quando a magia e as histórias podem voltar. Clodagh é uma rapariga simples, uma filha dedicada, que cresceu a acreditar nas lições que a sua família transmitiu de geração em geração e, agora, será ela que será posta à prova, será a sua força e dedicação, o seu amor e crença, que a poderão salvar das artimanhas daqueles que apenas vivem na imaginação do seu povo mas que continuam a observar a sua família.

  Contar histórias é uma arte, um talento a que muitos podem ambicionar, alguns alcançar mas muito poucos nascem com um verdadeiro dom, muito poucos sabem usar a sua voz nas palavras, colocar a alma e o coração numa história. Juliet é um desses acasos, um daqueles nomes que simbolizam adoração, respeito, empolgação, expectativa. Um daqueles nomes que fazem milhares ou mais de leitores vibrarem, chorarem, sorrirem. Não há como lhe negar a mestria das palavras, o jeito doce e forte com que nos arrebate página a página, a forma como nos marca irremediavelmente. Por este mundo fora, em tantas estantes existem livros seus, de capas diferentes, línguas tão estranhas umas às outras, mas todos eles, marcados pela idade ou a cheirar a novos, são guardados com carinho, guardam histórias que jamais serão esquecidas.

  Regressar é um misto de sensações. Medo pelo que vamos encontrar, alegria por voltarmos àquele que é o nosso lar e, por isso, é com ansiedade que abrimos as primeiras páginas desta história, é com expectativa e um coração galopante que começamos a desvendar palavras mas quando reconhecemos as cores, os cheiros, os sentimentos de Sevenwaters, tudo isto se desvanece e o que foi regressa tão vívido, tão belo como nos lembrámos. Numa história onde a dedicação está acima do poder, onde o amor continua a ser o estandarte que as mulheres desta família carregam, encontrámos a magia, malvada e sensível, vemos os contos contados à lareira ganharem forma, percebemos que a família é um berço forte se cuidado e preservado. Nesta demanda é o amor, a crença e a aceitação que escrevem em cores delicadas mais uma ramagem, é a coragem e a perseverança que a sustentam enquanto, mais uma vez, nos encantámos, nos perdemos numa floresta da qual ainda não conhecemos todos os segredos mas de que somos velhos amigos.

  Clodagh tem um jeito próprio, uma doçura, um cuidado que muitas vezes é pouco valorizado apesar de sustentar as bases de algo maior. É através dela que regressámos, é por ela que torcemos em cada aventura, cada provação, é com ela que celebrámos as pequenas vitórias. Nesta protagonista pode não haver magia mas existe algo muito maior. Amor doseado com responsabilidade e cuidado, alimentado de dedicação e apoio. Clodagh é um pilar, alguém que ninguém vê mas sem a qual ninguém vive e, para mim, é por isso que ela é especial. Ao longo de uma demanda perigosa, ela é testada e atacada, prova as suas convicções, muda o seu coração mas nunca perde a objectividade, nunca esquece o que a leva para lá do território conhecido. Em descrições muito nossas conhecidas, entre povos que amámos e odiámos e outros a que somos apresentados, vemos mais uma história ganhar fulgor, o fulgor cintilante e único desta história.

  Com as outras personagens encontrámos outro tanto tipo de emoções, aprendemos lições importantes, jubilámos com elas como sempre o fizemos ou como passaremos a fazê-lo. Entre personagens conhecidas e novas, muitas surpresas surgiram ao longo desta leitura e muito carinho foi alimentado por elas. Através das suas paixões, medos, da sua coragem ou paciência, aprendemos a conhecer as linhas ténues que as formam, a ver o passado, o presente e o futuro que as esperam. É como voltar para os braços de uma família que perdoa e ama sempre, é mesmo como voltar ao lar.

  Ao regressar ao seu mundo mais querido, Juliet correu um risco, que muitos diriam desnecessário. Talvez, mas como digo sempre, esta senhora não sabe escrever senão histórias arrebatadoras, preciosas e esta foi mais uma delas. O Herdeiro de Sevenwaters é um regresso querido e acarinhado, é um Bem-vindo que nos aconchega e que nos deixa não com um penoso Adeus mas com um prometedor Até Breve. Mais uma vez, Juliet mostra-nos que o seu dom não esmorece, nunca.

6*

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Opinião - Emoções Proibidas

Título Original: Everything Forbidden (#1 Albright Sisters)
Autor: Jess Michaels
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 256

Sinopse
 Durante vários verões Miranda Albright viu - horrorizada, mas vergonhosamente excitada - o seu perverso vizinho Ethan Hamon, o notório conde de Rothschild, «entreter» uma sucessão de amantes nos terrenos da sua propriedade. Agora que o pai dela morreu, deixando para trás uma montanha de dívidas, Miranda deve fazer o impensável. Ethan prometeu apoiar as suas irmãs mais novas, financeira e socialmente, por um preço escandalosamente caro: Miranda deve oferecer-se completamente ao conde durante três meses, sem remorsos e sem restrições. Noventa dias e noites de sensualidade desenfreada esperam-na nos braços de um galã que vê a sua submissão como nada mais do que um grande jogo erótico. Porém, nem Miranda nem Ethan percebem que fogo arde por detrás de um rubor inocente. E assim que a paixão dela é desencadeada pelos lábios e pelo toque de Ethan, é a aluna que vai ensinar ao professor os caminhos do prazer proibido... e do amor.

Opinião


  Ela escreve fantasia urbana e romances históricos sem o picante, ela é Jess Michaels, designer de jóias, criadora do Passionate Pen, tia extremosa, nerd convicta, esposa apaixonada e uma dona de gatos com muita paciência. E, sim, ela é a Estrela do Romance Sensual porque sim, ela também escreve romances com picante e muito. Autora bestseller e premiada, coisa que em 1999 quando o marido a incentivou a escrever nem lhe devia passar pela cabeça, já escreveu quarenta romances e contos, nada mau para quem começou com um conto com uma maldição sexy em túmulos egípcios.

  A principal razão para Jess escrever romances sensuais é que ela aprecia as “partes boas” do romance histórico, daí que quando se dedicou à escrita não tenha esquecido o erótico e sensual, género no qual tem três séries de época. Para os outros géneros, a autora usa um dos seus dois pseudónimos mas é no histórico erótico que é mais conhecida.

  Emoções Proibidas é o primeiro volume de uma trilogia cujo terceiro livro já está publicado pela Quinta Essência como A Força do Desejo. Vencedor de dois prémios para melhor histórico erótico e nomeado para outros três, foi traduzido apenas para a nossa língua e para a italiana. Tabu também faz parte da série mas pode ser lido independentemente.

  Num mundo de regras e etiquetas, há pecados que são sussurrados acompanhados por sorrisos corados, partilhados entre olhares expectantes, segredos que as meninas de bem não devem ouvir e nunca imaginar mas a tentação e o acaso não têm regras, apenas obedecem às vontades e quando a linha é transposta há todo um mundo novo para descobrir, um mundo de emoções proibidas que se irão revelar perigosas e viciantes. Miranda foi enfeitiçada num bosque onde os prazeres são livres e ousados, deixou-se tentar pela paixão de um homem e sonhou com o toque proibido de verões escaldantes mas agora, Ethan pode ser uma realidade, só que é preciso pagar um preço, um preço que Miranda não vai resistir entregar, um preço que ambos pagarão bem caro. 

  Quando se trata deste tipo de romance, sendo um género do qual não leio muito, há um nome que para mim é obrigatório ter na minha estante, e esse nome é Jess Michaels. Pois ela escreve mais do que um enredo pecaminoso, mais do que uma narrativa sedutora e crua, ela escreve com paixão, com desejo latente em cada palavra e mostra que o romantismo também é feito de ousadia e arrojo. Sem ser vulgar mas sempre sedutora, Jess ataca os nossos sentidos, tenta-nos com descrições que enchem uma sala de tensão e que fazem corar qualquer um sem esquecer que também precisámos de gestos românticos, de suspiros sonhadores, de acreditar no amor. Numa história sobre desejos proibidos e amores ardentes, a autora volta a dar-nos uma leitura bela e sensual, uma leitura romanticamente pecaminosa que fará acelerar os corações.

  Esta é uma história que nos fala sobre rendermo-nos. Rendermo-nos aos nossos desejos, rendermo-nos ao amor proibido, rendermo-nos à felicidade sem ligarmos às convenções e às regras. Mas para o fazermos, é preciso coragem e convicção, é preciso vermos para lá das aparências, é preciso acreditarmos que cada momento de pecado irá valer a pena e, que o amor nasce dos mais inesperados lugares, nasce de todo o tipo de emoções e sensações, que o amor também tem um lado arrojado. Como é típico neste tipo de livros, a relação dos protagonistas começa por ser uma troca de favores por necessidade mas, desta vez, não estámos a falar de um casal que anda às turras mas de uma jovem que depois de anos a sonhar com o vizinho do lado acaba por finalmente viver o sonho. Apesar disso, este é um livro que se disfruta página a página e cuja leitura vai passar a correr tal é viciante. 

  Miranda é uma jovem em apuros, uma filha responsável, uma irmã mais velha protectora mas esconde paixões por trás da faceta recatada. Através dela, aprendemos que a tentação pode levar ao carinho e que sermos sinceras com os nossos desejos é meio caminho para pudermos ser felizes. Ethan é um homem atormentado, um homem de desejos ousados que vai ver em Miranda um desafio e juntos vão lançar fagulhas nestas páginas em que vamos torcer para que ambos se redimam e se rendam. As irmãs de Miranda são um mistério que me parece ainda nos vão dar muitas surpresas, principalmente Penélope. Personagens bem construídas, atormentadas, com sonhos ousados e uma ferocidade de quem sabe o que quer, elas vão nos subjugando ao longo desta leitura que apesar de simples, sem grandes pormenores ou desenvolvimento, acaba por se tornar uma tentação e durante umas horas permite-nos desfrutar de uma história rápida mas com pés e cabeça.

  Emoções Proibidas é uma leitura relâmpago, um hino à luxúria, aos amores intensos, à ousadia dos sentimentos. É uma história que nos faz vibrar, que nos escalda e, mesmo assim, nos faz sonhar. Mais uma vez, Jess não desilude e apresenta-nos o melhor que o romance histórico erótico tem para oferecer. 

6*
 
As minhas opiniões da série 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Opinião - Êxtase

Título Original: Rapture (#4 Anjo Caído)
Autor: Lauren Kate
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 304

Sinopse
 O céu está negro com asas…
Como areia caindo numa ampulheta o tempo está a fugir para Luce e Daniel. Para deter Lúcifer de apagar o passado, têm de descobrir o sítio onde os anjos caíram. Forças negras estão atrás deles e Daniel não sabe se é capaz de levar a cabo a missão. Juntos enfrentarão uma batalha épica que acabará com corpos sem vida… e pó de anjos. Grandes sacrifícios serão feitos. Corações irão ser destroçados.

Mas de repente Luce sabe o que vai acontecer. Para ela significa ficar com outra pessoa que não Daniel. A maldição com que nasceu estará sempre com ela e o amor está fora de questão. A escolha que faz neste momento é a única que de facto interessa.

Na luta por Luce quem vencerá?
Êxtase é a espantosa conclusão da série Anjo Caído.
O céu não pode esperar mais!

Opinião


  A autora que cresceu em Dallas, foi para a escola em Atlanta e começou a escrever em Nova Iorque, tem um cão, foi mãe, quer aprender a fazer surf e espera um dia trabalhar num restaurante mas por agora, é a autora de uma das séries juvenis fantásticas de maior sucesso do momento e já está a trabalhar numa nova série cujo primeiro livro será publicado em Outubro e cujo título é Teardrop. No espaço de um mês, Lauren publicou dois livros, um passou despercebido e é desconhecido da maior parte dos leitores, o outro confirmou-se como um sucesso, tornou-a uma autora bestseller e garantiu-lhe a comparação a Stephenie Meyer pela forma como os seus livros conquistaram leitores. 

  Anjo Caído, que será adaptado ao cinema pela Disney com realização de Scott Hicks, o realizador de Lucky One e No Reservations, chegou pela primeira vez às livrarias em 2009 e a ele seguiram-se mais três livros. O filme é esperado para 2014 mas ainda não há nenhuma confirmação de casting. Êxtase é o último volume da saga, foi publicado em 2012 e tal como os seus antecessores já foi traduzido para trinta línguas. 

  Eles reencontraram-se em quatrocentas vidas. O seu amor não tem idade, não tem tempo, não desiste nunca. Eles apaixonaram-se sempre ao primeiro olhar, tantas vezes, em tantas épocas mas um beijo, algo separava-os até a vida que se seguisse. Uma maldição nascida de uma escolha, uma escolha entre Céu e Inferno, uma escolha nunca feita, uma decisão irredutível tornou-os amantes condenados, eternamente separados, cruelmente apartados mas desta vez, algo está diferente, desta vez a maldição pode ser quebrada mas para isso é preciso responder com as verdades, para isso, é preciso Lucinda olhar bem fundo para dentro de si própria. O único problema é que quando o tempo acabar tudo pode recomeçar outra vez e seis mil anos de morte e paixão repetir-se-ão mais uma vez.

  Quando li Anjo Caído fiquei agradada, surpreendida até e foi com relativo entusiasmo que aguardei por Tormento mas depois deste livro a minha fé nesta série tem vindo a descer cada vez mais e, por isso, quando peguei em Êxtase foi com a ideia de fechar um ciclo e, talvez, tivesse alguma esperança de que o final me relembrasse o porquê de ter gostado tanto do primeiro volume da série mas não foi esse o caso. Lauren é a grande desilusão da minha longa relação com os livros, isso vê-se pelo facto de apesar de não ter gostado dos dois livros anteriores eu continuar a insistir, algo que não costumo fazer e que tenho repetido até a exaustão com esta saga e, por esta experiência, não voltará a acontecer com mais nenhuma. Ainda hoje não sei dizer o que se passou, não sei o que aconteceu do primeiro para o segundo livro, só sei que cada vez que pego num livro desta saga me vou desiludindo cada vez mais e este último para além disso, custou-me imenso a ler, algo que apesar de tudo nunca me tinha acontecido com os anteriores.

  A ideia original era boa, caramba era, e este maldito fim teria sido excelente se tivesse havido coerência, um plano organizado e não este emaranhado de acontecimentos que não fazem qualquer sentido porque não se encaixam, nada parece encaixar e neste livro parece que tudo piorou. Para além da lamechice chata habitual, desta vez não havia sentido em nada. Nem nos diálogos, nem nas acções, nem na forma como o enredo foi desenvolvido. Tirando o fim, que foi realmente uma reviravolta daquelas e quase me fez chorar só de pensar no quão bom isto poderia ter sido, todo o livro foi tão mal engendrado que a única conclusão que posso tirar é que a autora não fazia a mínima ideia de como ia acabar a saga, aliás, parece-me que não planeou nada da saga. O resultado foi uma narrativa pouco interessante em que nada faz sentido porque todos os pormenores apareceram agora e se calhar se fôssemos descobrindo coisas ao longo da saga isto não teria parecido tão apressado e teria feito mais sentido.

  Quanto ao grande segredo pelo qual esperámos quatro longos livros teria valido tanto a pena, tanto que só me apetece chorar e tudo porque só o descobrimos mesmo no fim, de uma forma mal explicada, apressada que podia ter sido completamente diferente se não existissem dois livros anteriores que não serviram para nada e se noventa por cento deste livro tivesse tido alguma utilidade. Personagens que aparecem e desaparecem e que apenas servem como apêndices ou utensílios, elementos que aparecem do nada e nunca são explicados a juntar com pensamentos lamechas em momentos críticos tornaram esta leitura uma dor de cabeça que ainda não me largou.

  Como se isto não fosse mau o suficiente, num enredo de suposta crise, perigos e alguma pressa, em toda a santa cena eu tinha de levar com Lucezeca e Danizinho aos beijinhos, e ai que me quero agarrar a ele, e ai que te amo tanto, e ai que os nossos amigos estão a morrer mas os teus peitorais e as tuas asas são tão lindas. Por favor, alguém mate esta gente, por favor. Só por aqui dá para perceber quem se tornou o casal mais irritante e repelente após o que não deve ser nomeado. Não há nada neles, são personagens vazias, chatas, lamechas que não têm nada. Quanto às restantes, tirando o Cam, esqueçam lá isso.

  Portanto, pelo tom desta opinião, os meus leitores habituais devem estar assustados e eu peço desculpa por isso mas quem lê sabe que há livros que pura e simplesmente nos tiram do sério.

1*
 
As minhas opiniões da série

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Opinião - O Tempo entre Nós

Título Original: Time Between Us
Autor: Tamara Ireland Stone
Editora: ASA
Número de Páginas: 320

Sinopse
 Anna e Bennett nunca deveriam ter-se conhecido. Porque haveria isso de acontecer? Anna é uma jovem de 16 anos em 1995, ferozmente determinada a assegurar uma bolsa de estudo de desporto, para poder sair da sua cidade pacata e enfadonha e finalmente viajar pelo mundo. Bennett tem 17 anos em 2012, vive em São Francisco e tenta controlar a sua capacidade de viajar pelo tempo - um dom incrível mas também uma maldição imprevisível, que constantemente ameaça separá-lo das pessoas que ama. Quando um pequeno erro de cálculo coloca em perigo a sua irmã Brooke, Bennett dá por si a três mil e duzentos quilómetros e dezassete anos de distância - no mundo de Anna. Enquanto procura por Brooke, Bennett é atraído de modo estranho e inevitável para Anna, mas, por mais desesperado que Bennett esteja para ficar com Anna, a sua incontrolável situação irá inevitavelmente mandá-lo de volta ao lugar a que pertence - e Anna ficará sozinha, presa no tempo que os separa.

Opinião

  Quando andava no secundário, Tamara queria ser jornalista e até se andou a treinar no jornal da escola mas quando chegou à faculdade aconselharam-na a seguir Relações Públicas e foi o que ela fez e a verdade é que adorava o trabalho que conseguiu depois de se licenciar, um trabalho que juntava duas das suas paixões, a escrita e os muitos novos aparelhos tecnológicos. Durante oito anos, antes de formar a sua própria firma, trabalhou em várias empresas grandes, viajou muito, trabalhou com Steve Jobs e depois teve de se dedicar a começar do zero mas nunca se esqueceu da sua paixão pela escrita e das pequenas histórias que escrevia no seu bloco, até participou em aulas de escrita mas casou-se, teve um bebé, e outro e o seu negócio cresceu e o tempo livre foi-se.


  Então, um dia, o seu marido perguntou-lhe se ela pudesse ter um algum super poder, qual ela escolheria e, sim, ela escolheu viajar no tempo mas não uma coisa muito longa, nem para o passado nem para o futuro, apenas algo que lhe permitisse voltar atrás cinco minutos e impedir-se de meter os pés pelas mãos. E assim nasceu O Tempo entre Nós.


  Publicado em Outubro passado, está traduzido para seis línguas e será traduzido para mais nove. Chega às nossas estantes pela ASA que já tem os direitos para publicar o segundo livro, Time After Time.


  Dizem que cada um de nós tem uma alma gémea, que todos estamos destinados a encontrar a pessoa certa mas temos sempre medo de nunca a encontrar, que ela viva do outro lado do mundo, que já tenha outra pessoa ou que tenha medo de amar mas o que acontece quando a encontrámos, quando nos apaixonámos e descobrimos que essa pessoa vem do futuro? E se estivermos destinados a perder a nossa alma gémea para o futuro incerto sem jamais a alcançarmos, sem jamais a esquecermos?

Anna tem sonhos como qualquer jovem da sua idade. Sonhos de aventuras, de locais desconhecidos, de arrojo e adrenalina mas apaixonar-se por alguém do futuro não fazia parte dos planos. Ao lado de Bennett, ela vai viver o sonho mas terá de aprender que tudo tem uma razão de ser, que mudar um gesto ou palavra pode esfumar a mais pequena réstia de futuro e que o relógio nunca pára.


  Tamara encanta-nos com esta sua primeira história, uma história de doçuras e primeiros amores, uma história sobre a fatalidade do tempo e do destino que nos permite acreditar na força dos sentimentos e no poder de duas almas que se encaixam na perfeição. Através de uma escrita fluída, simples e doce, a autora aconchega os nossos corações, mantendo-os quentes, permitindo-os bater como se fosse a primeira vez, deixando-nos sonhar com a expectativa de um final feliz. Sem grandes desenlaces mas pautado por muitos momentos ternos, este é um livro para saborear, um livro que nos deixa sorrir, que nos aperta o coração e que nos relembra que o amor não tem de ser feito de grandes dilemas, não tem de nascer de problemas, que pode simplesmente ser feito de gestos, palavras, de momentos, que pode ser efémero e durar a eternidade de um suspiro e mesmo assim ser um grande amor.


  Esta é uma narrativa sobre primeiros amores, sobre a imprevisibilidade da vida, sobre apreciar cada momento como se fosse o último, uma narrativa que não precisa de exageros nem grandes dilemas para ser um livro bonito e enternecedor. Um livro para os românticos, deve ser lido para ser apreciado pela sua simplicidade, para nos deixarmos encantar pela pureza e magnitude de um primeiro amor destinado ao fracasso mas que não se deixa enfraquecer, antes se vai fortalecendo pela inevitabilidade do fim próximo. Ensina-nos que não temos de nos deixar assolapar pelo peso do futuro, antes devemos apreciar as coisas boas que nos aparecem.


  Ao longo da leitura existe algum mistério envolto na capacidade de Bennett e esse mistério precisava de ser melhor explicado para haver uma satisfação plena. Viajar no tempo neste caso permite conhecer as raízes de Bennett, mudar algo de superficial acabado de dizer ou um acontecimento que se pode revelar trágico. O facto de não ser algo de grande magnitude mas um desejo que todos nós partilhámos, afinal quem não gostava de retirar algumas coisas que disse ou desfazer um mal-entendido, acaba por encaixar bem nesta história, exactamente por ser algo simples, algo que não traz grandes problemas nem exige demais da personagem.


  Quanto à relação romântica, gostei muito do facto de ambos aparentarem maturidade e de apesar do tempo deles se estar a esgotar, eles levarem o seu amor com calma, aprendendo coisas um do outro, apreciando os momentos que podem passar juntos sem estarem sempre a bater na tecla da inevitabilidade da separação ou perderem tempo a tentar descobrir como vão fazer as coisas durar. Eles pura e simplesmente vivem e isso é uma grande lição que todos podemos retirar. São as coisas pequenas mas boas da vida que aqui são homenageadas e que muitas vezes damos como certas ou são esquecidas.


  Perante um grupo de personagens que apesar de pequeno é bastante interessante, vivemos muitos momentos caricatos típicos de amizades longas e famílias unidas, em ambientes que nos são familiares, numa rotina que podia ser a de qualquer um de nós. Anna é uma jovem cheia de força interior, uma lutadora e sonhadora, alguém que não perde tempo a queixar-se mas a aprender e não há como não a apreciar. Já Bennett é o típico rapaz querido, maduro, perfeitamente consciente das suas responsabilidades e do tamanho do seu poder, sendo extremamente cuidadoso. Personagem a salientar é a melhor amiga de Anna, Emma, uma desvairada amorosa que nos proporciona muitos risos e momentos embaraçosos a que ninguém resiste.


  O Tempo entre Nós é uma verdadeira história de amor, uma história que nos deixa apreciar a beleza de amar pela primeira vez e que nos relembra que o romantismo não é feito de grandes e enormes mas de pequenos e sinceros gestos. Tamara estreia-se de uma forma enternecedora e pura, deixando-nos a todos com um sorriso sonhador nos lábios.

 
6*

Podem encontrar aqui