sexta-feira, 7 de março de 2014

Opinião - Such Sweet Sorrow

Título Original: Such Sweet Sorrow
Autor: Jenny Trout
Editora: Entangled Teen
Número de Páginas: 304


Sinopse
 Never was there a tale of more woe than this of Juliet and her Romeo...

But true love never dies. Though they're parted by the veil between the world of mortals and the land of the dead, Romeo believes he can restore Juliet to life, but he'll have to travel to the underworld with a thoroughly infuriating guide.

Hamlet, Prince of Denmark, may not have inherited his father's crown, but the murdered king left his son a much more important responsibility---a portal to the Afterjord, where the souls of the dead reside. When the determined Romeo asks for help traversing the treacherous Afterjord, Hamlet sees an opportunity for adventure and the chance to avenge his father's death.

In an underworld filled with leviathan monsters, ghoulish shades, fire giants, and fierce Valkyrie warriors, Hamlet and Romeo must battle their way through jealousy, despair, and their darkest fears to rescue the fair damsel. Yet finding Juliet is only the beginning, and the Afterjord doesn't surrender souls without a price...

Opinião

  Jenny Trout é um pseudónimo de Jennifer Armintrout, a autora da série Laços de Sangue, tal como Abigail Barnette, o seu pseudónimo para os romances eróticos. Blogger e escritora, começou a publicar livros em 2006 e não mais parou. Agora estreia-se como Jenny Trout no YA, com um retelling de duas grandes peças de Shakespeare, Hamlet e Romeu&Julieta.

  Such Sweet Sorrow foi publicado há um mês.

  A ideia por trás deste livro é qualquer coisa de bizarro e simplesmente genial. Conjugar Romeo e Juliet com Orfeu e Eurídice, pegar na mitologia nórdica e ainda juntar Hamlet, pode parecer uma salganhada à primeira vista, mas Jenny consegue fazê-lo, mesmo que, infelizmente, não com o brilho que tal ideia merecia. Algumas falhas fizeram com que esta não fosse uma leitura fantástica como esperava e provaram que mais do que ter as ideias, é preciso saber realizá-las. Para quem já conhece a autora, sentirá que falta algo a este livro, uma certa adrenalina, acção, uma intensidade que este livro não tem. 

  A narrativa começa bem, é certo. A forma como a autora consegue unir Romeo e Hamlet, a forma como ambas as histórias se entrelaçam e daí partem para uma mistura interessante de mitologias, é de uma imaginação fabulosa, algo que se vai confirmando conforme novos elementos aparecem e, principalmente, com o fim do livro e o destino de Juliet. Também na construção das relações entre personagens e na apresentação dos dilemas de cada um, a autora consegue criar algo interessante mas, sim porque há um mas, a história como todo, acaba por não resultar. Apesar de todos os elementos conseguirem de facto encaixarem, o enredo em si não funciona. 

  Primeiro porque, para uma narrativa tão espectacular, é preciso descrições igualmente espectaculares, é preciso acção, sensações, é preciso situar e ligar o leitor à história, e isso não acontece. O enredo é muito rudimentar, confuso, pouco explicativo e demasiado simples ao mesmo tempo. E depois a história é tão básica e tão sem graça! Não há descrições, não há objectivo de história, ou seja, a narrativa parece é vazia e desprovida de sentido. Apesar de todos os elementos fantásticos, a autora não consegue criar algo espectacular, apenas estranho e desinteressante.

  As personagens também não ajudaram, porque apesar das relações entre elas serem interessantes, as personagens em si são pouco coerentes, ora pensam uma coisa mas depois fazem outra, ora só pensam nelas, ora parece que lhes falta inteligência. De todas, Juliet é a única que nos diz alguma coisa, que nos faz sentir alguma coisa. Romeo, bem, parece uma versão ampliada de todos os seus defeitos, o que é irritante, e o Hamlet igualmente. Parecem dois miúdos a embirrarem um com outro porque… Não sei, não consegui perceber.

  Portanto, apesar de toda a imaginação e os elementos espectaculares desta história, Such Sweet Sorrow acaba por não funcionar de tudo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Momento da Semana Harry Potter #14

  Esta meme foi criada pelo blogue Uncorked Thoughts e o objectivo é partilhar personagens, feitiços, objectos e citações dos livros/filmes de Harry Potter, da própria J.K. Rowling ou algo relacionado. Em cada semana é escolhido um tópico, já tendo vários sido discutidos como podem ver aqui. O tópico desta semana é Severus Snape vs. James Potter.

  Oh não... não, não, não! Como é que posso escolher, como?? Não posso, não dá, por isso, vou explicar-vos porquê. 

  Eu sempre fui fã do casal James e Lily, desde o primeiro momento. Algumas das minhas cenas preferidas da saga são aquelas que se passam no passado e nos contam algumas coisas sobre o James, a Lily e o resto do grupo. Este é o meu casal da saga, portanto, à primeira vista, o James seria a minha escolha.

  Mas...

  Depois temos o Severus. O Severus foi durante muito tempo, a personagem que mais odiei. Eu odiei o Severus com tanta paixão como o Harry o fez, só que houve uma altura em que isso mudou (A Ordem de Fénix) e tal como o Harry, eu perdoei o Severus e, de alguma forma, apaixonei-me por ele e, ao mesmo tempo, detestei-me por o ter odiado. Tud porque no fim, descobrimos quem realmente é o Severus, o que esteve por trás de cada acto irritante, cada picardia, cada castigo. Tudo, porque ele esteve lá, sempre

  E, tal como a Lily, eu sei que no fim, escolheria o James. Mas, também, tal como ela, eu sei que também nunca esqueceria o Severus. 

 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Diário da Maratona Literária I - Quinto Dia


  Terminei o terceiro livro e já tenho o quarto em vista mas ainda não o comecei. A terceira leitura levou-me três dias e custou-me imenso acabá-lo... Sim, ontem parecia interessante mas a verdade é que Such Sweet Sorrow revelou-se uma grande nhanha. Esperemos que o Stolen Songbird seja melhor, estou mesmo a precisar de uma leitura que me entusiasme depois desta...


Livros Lidos:

 105 páginas

 384 páginas

304 páginas


A Ler:




793 Páginas Lidas 
 

Picture Puzzle #64



Regras:
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover


Puzzle #1

Pistas: traduzido para português; 






Puzzle #2

 Pistas: traduzido para português;



terça-feira, 4 de março de 2014

Diário da Maratona Literária I - Quarto Dia


  Hoje já dei um avançazinho na leitura actual, Such Sweet Sorrow, um retelling que junta Hamlet e Romeu e Julieta numa fantasia. Até agora está a ser uma leitura muito interessante e que prima pela originalidade. Já que não tenho o fim da série Laços de Sangue da mesma autora (obrigada 1001 Mundos!), ao menos leio algo novo da Jennifer.

  Quando terminar este livro, ainda não sei se vou ler o livro do desafio, Hunger Like No Other, ou o Nove Mil Dias e Uma Só Noite (detesto este título, serei a única??)... veremos.


Livros Lidos:

 105 páginas

  384 páginas


A Ler:

 30% de 100


579 Páginas Lidas

Opinião - White Hot Kiss

Título Original: White Hot Kiss (#1 Dark Elements)
Autor: Jennifer L. Armentrout
Editora: Harlequin Teen
Número de Páginas: 384


Sinopse
 One kiss could be the last

Seventeen-year-old Layla just wants to be normal. But with a kiss that kills anything with a soul, she's anything but normal. Half demon, half gargoyle, Layla has abilities no one else possesses.

Raised among the Wardens—a race of gargoyles tasked with hunting demons and keeping humanity safe—Layla tries to fit in, but that means hiding her own dark side from those she loves the most. Especially Zayne, the swoon-worthy, incredibly gorgeous and completely off-limits Warden she's crushed on since forever.

Then she meets Roth—a tattooed, sinfully hot demon who claims to know all her secrets. Layla knows she should stay away, but she's not sure she wants to—especially when that whole no-kissing thing isn't an issue, considering Roth has no soul.

But when Layla discovers she's the reason for the violent demon uprising, trusting Roth could not only ruin her chances with Zayne…it could brand her a traitor to her family. Worse yet, it could become a one-way ticket to the end of the world.


Opinião

  Jennifer começou a sonhar em se tornar escritora nas aulas de álgebra, nas quais ela passava o tempo a escrever contos, o que explica as suas más notas nessa disciplina. Mulher de muitas faces, não há género em que não escreva, ou quase. Paranormal, ficção científica, fantasia ou romances contemporâneos. Young Adult, ou Nem Adult e livros para adultos com o seu pseudónimo J. Lynn. Seja, o que for, Jennifer escreve-o e com sucesso. Os seus livros são publicados por quatro editoras, tendo escrito catorze e três contos como Jennifer L. Armentrout e três como J. Lynn, tem duas séries de sucesso, uma que será adaptada para filme e outra para TV.

  Dark Elements é a sua nova série paranormal e promete manter a qualidade e sucesso de The Lux e Convenant. White Hot Kiss é o primeiro livro da trilogia, e saiu no final do mês passado.

  Depois de muito ouvir falar desta autora, heis que finalmente me estreio com a sua mais recente série e, as expectativas, foram confirmadas, até mesmo superadas. White Hot Kiss é um furacão de adrenalina, tensão e sensualidade, que nos deixa a desesperar pela continuação, tal é a forma como ficámos agarrados à sua história. Jennifer L. Armentrout prova nas últimas páginas o quão tortuosa pode ser, confirma logo no início que romance paranormal é a sua praia e, durante toda a leitura, deixa-nos completamente obcecados. Com humor, a autora conquista-nos pelas grandes doses de acção, romance e diversão, com que nos presenteia ao longo destas páginas.

  Gárgulas e demónios numa guerra milenar, um amor proibido, feitiços e Apocalipse, são os ingredientes deste enredo explosivo, a que não falta lutas, reviravoltas e muitas cenas quentes. A forma como nos é apresentado as gárgulas, o seu mundo e costumes, bem como o meio do submundo infernal, é muito interessante e, a acção constante, vidra-nos neste mundo cujas várias características paranormais são conjugadas com bastante equilíbrio. Entre os tempos de hoje e lendas do Velho Testamento, muitos são os momentos marcados por uma enorme tensão, uma constante nesta leitura que não nos deixa respirar nem pensar, um segundo que seja.

  Se os momentos de mais acção com lutas, fugas, entre outras, são algo de bastante visual e intenso neste livro, os momentos de romance não quebram a regra da intensidade. O romance entre os protagonistas, tendo desde logo vários factores contra, é marcado pelas diferenças dos protagonistas, pela forma como a sua relação passa de desprezo a algo mais intenso e pelas muitas cenas de fazer calor que ambos protagonizam. A autora consegue criar uma química fantástica entre o casal, o que faz com que torçamos pela relação desde o início e nos deixe quase a arrancar cabelos por causa dos obstáculos que lhes vão sendo colocados. O final, uma total tortura, deixa-nos a torcer ainda mais por eles e cheio de curiosidade pelo que se irá passar a seguir.

  Layla, a protagonista, é um bocadinho inocente e ingénua demais para o meu gosto, algo que é fomentado pela maior parte das personagens à sua volta, sendo por isso tão giro ver a evolução da sua relação com Roth, um tipo com muita piada, um autêntico mau rapaz que acaba por se revelar e, que é sem dúvida, a minha personagem preferida. O suposto outro elemento do triângulo, Zayne, enerva-me por ser demasiado perfeitinho mas não se pode ter tudo.

  White Hot Kiss foi assim uma estreia a altura e correspondeu às muitas expectativas que tinha quanto a esta autora, tendo-me deixado completamente vidrada e a sofrer por ainda faltar tanto para Novembro. 

Tentações: A Informadora [ASA]

 O primeiro livro de uma nova série sobre
Crime na Roma Antiga

Já na sua livraria Leya



Título: A Informadora
Título Original: The Ides of April
Autor: Lindsey Davis
Editora: ASA
Número de Páginas: 400
Preço: €17.50
ISBN:  9789892325668




*Lindsey Davis*
  Nasceu em Birmingham, Reino Unido, e estudou Literatura Inglesa em Oxford. Os seus romances policiais passados na  Antiguidade Clássica granjearam-lhe fama mundial e diversos prémios literários, nomeadamente o Crimewriters’ Association Dagger, o Ellis Peters Historical Dagger e o Sherlock Award. Em 2009, a cidade de Saragoça atribuiu-lhe o Prémio internacional pela sua carreira de escritora histórica. Graças à notoriedade que Roma ganhou com a sua obra, a cidade honrou-a com o Premio Colosseo, em 2010. Em 2011 foi distinguida com o prémio de carreira Cartier Diamond Dagger pela Crimewriters’ Association.



A Informadora

Sinopse
Roma, ano 89 DC. As regras ditam que uma mulher deve ser submissa e modesta. Não deve levantar a voz, vestir roupas extravagantes, sair à noite, beber ou desafiar a autoridade… e muito menos envolver-se em assuntos criminais. Flávia Albia contraria todas estas normas (e mais algumas). Vive sozinha na zona boémia de Roma, cultiva amizades pouco recomendáveis e não se coíbe de lutar pelos seus direitos. Filha de um detetive, Flávia decidiu desde cedo seguir os passos do pai. Mas a investigação é uma profissão masculina. Para ser respeitada, ela sabe que terá de ser a mais rápida, a mais perspicaz, a melhor. Flávia é a única a reparar que o número de mortes inexplicáveis tem vindo a aumentar na cidade. Por não terem ligação entre si nem indícios de violência, não levantaram suspeitas. As denúncias de Flávia são ignoradas pelas autoridades, que estão demasiado ocupadas com a organização dos Jogos de Ceres, o momento alto do ano. E até mesmo a própria Flávia, distraída com a perspetiva de um novo romance, não vê que a morte está demasiado perto de casa…


Porquê uma tentação?
Crime. Na Roma Antiga. Resolvidos por uma mulher. Não chega??





Já na sua livraria LeyaOnline


segunda-feira, 3 de março de 2014

Diário da Maratona Literária I - Terceiro Dia


  Chegámos ao terceiro dia de Maratona que, graças a noite dos Óscares (que vejo religiosamente todos os anos), foi muito fraquinha hoje. Inicei o terceiro livro mas ainda vou mesmo no início, e espero recuperar terreno rapidamente.


Lidos:

 105 páginas

384 páginas


A Ler:

6%


501 Páginas Lidas

Opinião - O Despertar do Mundo

Título Original: The Aftermath
Autor: Rhidian Brook
Editora: ASA
Número de Páginas: 328


Sinopse
 Em 1945, enquanto o mundo celebra a vitória sobre o exército nazi, a Alemanha derrotada é dividida. De um lado, a União Soviética. Do outro, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França. A Guerra Fria está prestes a começar. Em Hamburgo, grupos de crianças esfomeadas vasculham os destroços em busca de alimentos, famílias desalojadas lutam por abrigos imundos. É nesta cidade arruinada que o coronel Lewis Morgan é encarregado de repor a paz. O governo inglês requisita uma casa para o acolher a ele e à família. Aos proprietários da mansão resta a indigência. É então que o coronel propõe uma solução inédita: a partilha do espaço. Mas ao contrário do que coronel espera, este pacto vai ser explosivo. A sua mulher, Rachel, vive fechada em si própria. O filho de ambos, Edmund, debate-se com uma solidão extrema. A alemã Freda é a adolescente rebelde, filha de Herr Lubert, um homem de elite inconformado com a submissão que lhe é imposta. Entre segredos e traições, a vida na casa é uma bomba-relógio que uma paixão proibida ameaça ativar.. Baseado no extraordinário ato de bondade do avô do autor, O Despertar do Mundo pinta um retrato único da guerra vista do lado dos perdedores.


Opinião

  Impedido de trabalhar por dois anos, Rhidian começou a escrever algumas histórias quando se sentia com energia e, quando ganhou um concurso de contos na Time Out em 1991, ganhou confiança para escrever mais ainda. Mesmo quando ficou melhor e voltou ao trabalho, continuou a escrever, publicou mais uma série de contos em diversas revistas e iniciou o seu primeiro livro, que viria a ser publicado em 1997. Depois de ter lançado o seu segundo romance, dois anos depois, Rhidian pensou em dedicar-se por completo à escrita mas não conseguiu escrever um terceiro livro e dedicou-se a escrever guiões para a BBC.

  Escreveu um livro sobre a pandemia das DST no Exército da Salvação depois de uma viagem de nove meses por África, Índia e China, durante a qual fez transmissões para a BBC World Service e para a Radio 4. Continuou a escrever guiões e um deles tornou-se no seu terceiro muito desejado romance, uma história baseada nas experiências do seu avô na Alemanha pós-Segunda Guerra.

  O Despertar do Mundo foi publicado o ano passado e os seus direitos já foram comprados para vinte e três países.

  À primeira vista, este poderia ser mais um livro sobre a II Guerra Mundial mas, surpreendentemente, O Despertar do Mundo revelou-se um relato único sobre a perda da Alemanha e a sua divisão pelos vencedores. Através de uma escrita emotiva, extremamente transparente e delicadamente forte, Brook apresenta um quadro triste de um povo condenado pelas acções de alguns, de um país destruído e desprovido da sua identidade, de um grupo de heróis que marcado pelas imagens de terror tanto se deixou levar pelo ódio como conseguiu ver mais do que um símbolo ou partido. Uma história que vai mais além, este livro é marcante e numa tão vasta colecção de livros sobre este tema, marca a diferença, não só por ser baseado em factos verídicos como pela mensagem que transmite.

  Ao longo de uma leitura que nos impede de largar o livro, somos tocados pelas fortes emoções, tanto de vencedores como de perdedores, separados por uma linha ténue e unidos pelas perdas, pelo sofrimento e pela crença de que o seu mundo mudou totalmente. Somos atacados pelas imagens da fome, do desprezo, da revolução e do medo através das várias descrições, cruas e tristes, emocionalmente pesadas, em que podemos ver o quão pouco separava os ocupados dos ocupadores. Numa Alemanha sem comida, sem tecto e arrancada da sua nacionalidade à força dos crimes dos seus maiores, vemos como ingleses, marcados pela morte, pela destruição e horrorizados pela crueldade de um homem, ocuparam, tomaram e desprezaram, pessoas que sofreram tanto como eles apenas porque estes partilhavam um país com aqueles que aterrorizaram o mundo.

  Mas, numa obra tão triste, há uma réstia de luz, uma esperança nascida da bondade e da coragem de alguns, aqueles que deram a mão, que lutaram pela despenalização daqueles que perderam não a guerra, mas o seu mundo. A amizade, a compreensão, a aceitação e, até um amor proibido, dão asas a relações marcadas não pelo ódio e temor, mas pela dor comum da perda dos seus, da destruição das suas casas, das suas vidas, do tempo perdido em fugas e combates, das memórias conjuntas que se desfizeram ou nunca se realizaram. Esta é uma leitura que nos ensina que nada é preto e branco apenas, que numa guerra nunca há vencedores, que cores e partidos, sotaques e artistas, não separam a Humanidade, mas sim o preconceito, a fome voraz de ambição de poucos e a incompreensão.

  Num enredo tão forte em emoções, são as personagens que lhe dão vida, que o transformam em histórias humanas e cheias de sentimentos. Cada personagem tem uma história a contar, cada uma delas tem algo a aprender, a ensinar, a superar ou a esquecer. Sejam os meninos órfãos cheios de fome que trocam cigarros pelo que puderem, seja a criança esquecida em prol da perda do irmão mais velho, seja o soldado que viu demasiado e não sabe recuperar a família, seja a mãe cheia de ódio que perdeu o filho e descobre o perdão e o amor onde menos esperava, seja o homem que perdeu a mulher e precisa de amar novamente, seja a menina que se está a tornar mulher num mundo que já não é o seu… Todos eles, têm algo em comum, todos eles nos tocam de maneiras indefiníveis.

  Uma poderosa narrativa, um relato maior, O Despertar do Mundo é uma história feita de histórias, de acções, de consequências, uma história da Humanidade perdida num novo mundo frio e desprovido de compreensão. É uma lição de vida que jamais esqueceremos.