Título Original: Daughter of Smoke and Bone (#1 Daughter of Smoke and Bone)
Autor: Laini Taylor
Editora: Little, Brown Books for Young Readers
Número de Páginas: 418
Sinopse
Around the world, black handprints are appearing on doorways, scorched there by winged strangers who have crept through a slit in the sky.In a dark and dusty shop, a devil’s supply of human teeth grown dangerously low.
And in the tangled lanes of Prague, a young art student is about to be caught up in a brutal otherwordly war.
Meet Karou. She fills her sketchbooks with monsters that may or may not be real, she’s prone to disappearing on mysterious "errands", she speaks many languages - not all of them human - and her bright blue hairactually grows out of her head that color. Who is she? That is the question that haunts her, and she’s about to find out.
When beautiful, haunted Akiva fixes fiery eyes on her in an alley in Marrakesh, the result is blood and starlight, secrets unveiled, and a star-crossed love whose roots drink deep of a violent past. But will Karou live to regret learning the truth about herself?
Opinião
Laini Taylor nasceu em Chico, Califórnia em 1971 mas passou
a infância de um lado para o outro. Filha do meio, a segunda de três, Laini
graduou-se em Inglês na Berkeley e, mais tarde, frequentou por três semestres
aulas de Ilustração. As suas indulgências são livros e viagens, bem como
sobremesas, trabalhou como editora de livros de viagens para a Lonely Planet,
livreira, empregada e ilustradora. Mas o que sempre quis ser mesmo foi…
escritora. E conseguiu. Ah, e para o caso de não saberem, ela tem o cabelo
cor-de-rosa. Mesmo.
Começou a escrever em 2004 mas foi em 2011, depois de uma
trilogia premiada e dois livros, que o seu nome começou a ser sussurrado com
entusiamo e, de repente, a fama caiu-lhe em cima. Daughter of Smoke and Bone é a razão desse sucesso, o primeiro
livro da sua trilogia mais famosa que terminou este ano. Está traduzido para
vinte e seis línguas e venceu três dos oito prémios para que foi nomeado. Não
está traduzido em Portugal.
Há muito tempo que me sentia arrastada para este livro,
tanto tempo quanto aquele que foi publicado. Havia algo que me atraía para ele,
uma certeza quase absoluta que quando nos encontrássemos seria algo único. E
foi, algo extraordinariamente belo e avassalador. Apaixonei-me perdidamente.
Primeiro pela sua capa, depois pela sinopse, mas foi a história contada pela
voz inigualável e lírica de Laini Taylor que me deixou completamente rendida. Daughter of Smoke and Bone é uma mistura
de contos de fadas, mitos e lendas, que não pode nem precisa de ser definido ou
catalogado, pois é uma história de ousada beleza, bizarria e magia, algo com
uma alma demasiado própria e que ganha vida através da voz desta autora capaz
de nos entrelaçar entre sonhos e pesadelos, ilusão e realidade, passado e
futuro, com a mestria de um bardo e a doçura de um poeta.
Na grandiosa e esquecida Praga, uma porta anónima, escura e
misteriosa, que só alguns veem e que pode ser aberta em qualquer lado, guarda
segredos sanguinários, é o abrigo de criaturas bizarras que prometem desejos em
troca de estranhos objectos, enquanto tentam proteger a esperança que criaram e
esconderam de todos os olhares. Uma rapariga de cabelo azul, intemporal e
excêntrica, vive entre dois mundos, entre monstros e homens, mito e realidade,
sem saber quem é. E um serafim, quebrado e atormentado, está prestes a ser
confrontado com os seus piores medos e a sua última esperança. Por entre fumo e
ossos, sangue e esperança, amor e vingança, Laini Taylor desarma-nos,
apaixona-nos, com uma história de grande ousadia e lirismo, tão extravagante
quanto delicada, onde os monstros se escondem atrás de belos rostos, onde os
desejos têm um preço e o amor é marcado por dolorosas cicatrizes.
Nascidos da mais espantosa das imaginações, inspirados por
pedaços de tantos outros, os mitos sobre os quais esta história se constrói
espantam-nos e surpreendem-nos, não só pela extraordinária mente por trás
deles, como pela capacidade desta de conjugar tantas lendas numa só e de
transformar criaturas míticas em algo de estranho e deliciosamente novo. De
elementos considerados banais, de conjugações ilusoriamente simples, esta
história nasce em plena originalidade, desfazendo preconceitos e suposições,
mostrando que nem sempre palavras podem descrever um tudo. A transição do nosso
mundo para esse outro repleto de monstros e histórias é tão linear, que parece
que nada os separa, como os mitos dos antigos onde criaturas extraordinárias e
deuses conviviam com simples mortais, tal é o talento de Laini na sua forma de
contar histórias. Por trás de extravagância, inocência e humor, esconde-se uma
complexidade que se desvenda página a página e, ao mesmo tempo, nos vai
maravilhando pela sua inesperada presença numa história que parecia ser plana.
Para dar vida a esta história de beleza e horror, sacrifício
e esperança, temos personagens ricas e complexas, divididas pela mesma
dicotomia da sua história. Bem ou mal, beleza ou fealdade, morte ou vida. Desde
criaturas fantásticas e misteriosas, a penitentes que pagaram um preço
demasiado alto ao mais normal do ser humano, o elenco de Daughter of Smoke and Bone é tão inesperado quanto os seus
alicerces. Plenas de camadas demasiado profundas, cheias de histórias e
segredos para contar, de Akiva a Brimstone, de Karou a Razgul, todos eles nos
deixam presos das suas palavras, das suas sombras, dos seus passados e futuros,
tal é a forma como se entranham em nós, tal é a maneira como nos apaixonam.
Poderoso, diferente, belo na sua bizarria, Daughter of Smoke and Bone é uma
caixinha de supresas onde nada é o que parece. De uma imaginação ímpar, este
livro consagra a sua autora como uma das vozes mais originais e poéticas da
fantasia juvenil dos últimos anos.










































